sábado, 30 de junho de 2012

HONRAR SEMPRE A MÃE DE DEUS

HONRAR SEMPRE A MÃE DE DEUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Quem verdadeiramente ama a Cristo há de venerar  sua santa Mãe. No Evangelho Maria está junto de Jesus no presépio de Belém, na fuga para o Egito, na casa de Nazaré, em Jerusalém, na via dolorosa, aos pés da Cruz redentora. Após a ascensão do Redentor os apóstolos aguardavam a vinda do Espírito Santo prometido e “todos eles perseveravam concordes na oração, com as mulheres e Maria, mãe de Jesus” (Atos 1, 14). Aos Gálatas disse São Paulo: “Ao chegar a plenitude dos tempos enviou Deus o seu Filho nascido duma mulher, nascido sob a lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à lei, e para que nós recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4, 4-5). Bela referência àquela na qual o Senhor fez maravilhas. Ao lado de Jesus encontra-se, de fato,  esta figura encantadora, sua santa Mãe, a cheia de graças. Os cristãos não poderiam então conservar-se insensíveis e indiferentes diante da Genitora do Salvador, bendita entre todas as mulheres. Do céu vieram as primeiras homenagens, a Maria  o primeiro ato do seu culto, as primeiras palavras de sua glória através  do mensageiro divino, o Arcanjo Gabriel (Lc 1, 26-38). Isabel a primeira teóloga do Novo Testamento, quando Maria foi até ela assim a saudou: “E donde me dado a graça que venha visitar-me a mãe de meu Senhor?”(Lc 1, 43). Da maternidade divina fluem todas as prerrogativas marianas e a ela se deve, realmente, o culto de hiperdulia. A glória desta Virgem não procede da terra, mas lhe foi dada pelo próprio Ser Supremo.  Aquele que é poderoso e cujo nome é santo fez nela grandes coisas. Eis porque é digna de louvor e de respeito.  Entre a Virgem de Nazaré e Jesus há uma tão grande união, uma tão sublime harmonia não somente da inteligência e do coração, mas de todo o seu ser.  Não é uma simples relação de conhecimento ou de amizade, mas uma relação de mãe a filho, que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Deus desde toda eternidade com o Pai e o Espírito Santo. É toda a natureza que concorre para estreitar essa união entre Maria e Jesus, de sorte que as homenagens devidas a um refletem naturalmente sobre o outro. Se o filho é rei, a mãe deve ser rainha e rainha em toda a extensão do império e, por conseguinte, Maria, mãe de Deus, tem direito à  mais expressiva glorificação. A terra, em consequencia, deve unir sua débil voz à harmonia celeste para exaltar a mãe do Salvador e cantar os seus louvores. Os verdadeiros cristãos a mais de dois mil anos inclinam-se diante dela e a saúdam com os mais belos títulos e multiplicam seus hinos e lhe consagram altares e templos, sabendo que honrando a Mãe estão homenageando seu Filho, nosso único Redentor. Espetáculo grandioso este concerto universal que sempre lhe dedicou a Igreja Católica.  Os fiéis de todas as partes do mundo consagram-lhe monumentos e estátuas, Os seus altares são ornados com gosto e elegância por mãos piedosas e os dias dos principais acontecimentos de sua vida são dias de festa e de júbilo. A Igreja, inspirada pelo Espírito Santo jamais julgou uma usurpação do direito divino esse louvor universal a Maria Santíssima. A virgem Maria, como toda criatura, é um ser contingente, mas foi a escolhida para ser a Mãe do Messias prometido.  Deste modo, asseverar que louvores a Maria são ofensas a Deus é rasgar páginas luminosas da Bíblia Sagrada.  Se é permitido aos cidadãos de uma nação preparar apoteoses aos seus personagens ilustres, é permitido também aos filhos da Igreja manifestar veneração à mãe de Jesus. Adite-se que os seus devotos não se limitam a cantar os seus louvores, mas se empenham em imitar suas peregrinas virtudes. Procedendo desse modo estão seguindo  o impulso do Espírito Santo e se unem a todas as gerações, para a proclamar  bem-aventurada. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

JESUS, DEUS E HOMEM VERDADEIRO

JESUS, DEUS E HOMEM VERDADEIRO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
          Desde toda eternidade a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade possui a natureza divina. Ao se encarnar no seio da Virgem Maria ele assumiu também a natureza humana. São João assim se expressou: “O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Deste modo há um só Cristo, um só Filho de Deus, um só Senhor. Por causa da união das duas naturezas, divina e humana, em Cristo adoramos o corpo sagrado do Salvador por causa da divindade de sua pessoa. Ele o Redentor, verdadeiro homem concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, sendo Deus, merece o culto de latria, de adoração. São Paulo assim se expressou: “Ao nome de Jesus, todo joelho Se dobre nos céus, na terra, e abaixo da terra, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11). A humanidade de Cristo jamais pode ser pensada separada da pessoa divina à qual está unida, de sorte que devemos à essa humanidade assumida pelo Filho de Deus o mesmo culto de adoração que devemos ao Pai e ao Espírito Santo. A natureza humana e a natureza divina da pessoa do Verbo são inseparáveis. Num momento de pulcra inspiração S. João Damasceno desta maneira doutrinou: “Eu digo que a carne tem direito à adoração, porque é adorada na única pessoa do Verbo que lhe serviu de hipóstase. Certamente não é como carne que a adoramos, mas como unida à divindade, não tendo com o Deus Verbo senão uma única pessoa e uma única hipóstase pela união das duas naturezas. Eu temo tocar o carvão ardente por causa do fogo que o penetra; eu adoro as duas naturezas do Cristo por causa da divindade unida à carne”. De todas estas considerações resulta, por exemplo, a legitimidade da  devoção do Sagrado Coração de Jesus. Esse culto é a conseqüência natural da união hipostática. Venera-se e adora-se o coração corporal e carnal de Jesus, mas a  adoração não para nesse órgão, ela se volta ao Verbo eterno, infinito, ao Filho de Deus consubstancial ao Pai celeste e Deus como ele, que está unido pessoalmente ao corpo e a todas as partes do corpo por ele tomado em Nazaré. Em todas as línguas humanas, o coração é o símbolo das afeições e dos sentimentos, o culto do Coração de Jesus vem recordar todas as afabilidades humanas que o Verbo Divino acatou e divinizou ao tomar natureza humana. O objeto, portanto, direto desta adoração é o próprio coração do Salvador, seu destino último é a segunda Pessoa da SS. Trindade e o seu motivo são as emoções sensíveis e puramente humanas do Verbo encarnado, particularmente sua dileção, sua misericórdia, sua bondade, sua benignidade imensas sem limites. Foi este coração amabilíssimo de Cristo que palpitou no presépio, na cruz, e continua palpitando na Eucaristia. É deste coração adorável  que descem sobre os que o Salvador remiu com seu sangue preciosíssimo  a vida, a força, o perdão e  todas as  graças. O Coração de Jesus é o amor total lançando sobre o mundo todos os seus raios e atraindo os homens pelo excesso de sua clemência. Cumpre então honrar, amar e reparar o Coração de Jesus que através dos séculos continua ferido pelas ingratidões humanas, pelos pecados e toda sorte de desprezo. Neste início de milênio, sobretudo, num contexto histórico  entorpecido pela incredulidade e pelos prazeres carnais,  é preciso não apenas que o cristão se refugie dentro deste Coração divino, mas ainda que saiba oferecer atos de reparação pelos crimes mais hediondos que se cometem mundo todo.  O Coração do Redentor é a única esperança no meio das provações deste exílio terreno. Felizes os que nele encontram seu único refúgio! Ele é o apoio seguro,  inefável.  Tal é o seu sublime convite: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Acrescentou, entretanto: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para  vossas almas” (Mt 11,28).  Para atravessar os perigos hodiernos é necessário, mais do que nunca, meditar nestas palavras do Mestre divino.  É preciso ainda ter um coração ardente e conquistador, um coração de apóstolo, abrasado da glória divina, procurando levar a Jesus esses os que infelizmente se acham longe dele. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.



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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A RELIGIOSIDADE HUMANA

                     A RELIGIOSIDADE HUMANA
                                 Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O novo Catecismo da Igreja Católica mostra como o homem tem um desejo profundo de Ser Supremo. Este anelo está “inscrito no coração humano, por que o ser racional foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Ele e é somente em Deus que o homem encontrará a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. O aspecto mais sublime da dignidade humana se encontra nesta vocação de cada um em se comunicar com Deus”. Daí a importância vital da elevação da mente ao Criador quer em particular, quer em comunidade. A religião é, realmente, o laço poderoso e necessário que une o homem ao Ente Necessário. É a luz que projeta viva claridade sobre a verdade das coisas criadas e sobre os mistérios da vida futura. É o único sustentáculo dos bons costumes, da moral e da virtude.  O sentimento religioso envolve os atos da vida particular e tende a se manifestar publicamente. É lógico que as paixões desregradas sufocam este direcionamento para o Criador e reprimem a religiosidade inata na alma que se deixa então dominar pela ilusão terrena e pelo efêmero. Muitos criam ídolos que não podem oferecer eutimia, mas que se tornam um substitutivo falaz daquele que é a fonte da autêntica felicidade. Aqueles, contudo, que ultrapassam a barreira do material se entregam a práticas religiosas, a um culto interior e público ao Senhor do Universo. Não há meio mais forte e eficaz para solidificar a sociedade do que poder contar com pessoas tementes a Deus. A religião forma bons cidadãos e concorre para a harmonia e o respeito  das normas oferecidas pelas legítimas autoridades civis, mesmo porque já dizia São Paulo: “Toda autoridade vem de Deus” (Rm 13,1). Fora desta concepção religiosa reina a tirania por parte dos governantes e a desordem popular. Por tudo isto, cumpre incentivar o culto público a Deus nos quais os fiéis se irmanam e passam a lutar para comunidades bem estruturadas. Foi o que aconteceu no início do cristianismo quando os pagãos admirados diziam: “Vejam como eles se amam”  (Tertuliano Apolog. 39).  Através dos tempos as assembléias religiosas dos discípulos de Cristo se tornaram uma escola de virtudes para todas as classes sociais e para todas as idades. Como é belo no domingo, o dia do Senhor, ver os fiéis reunidos para escutar a palavra de Deus e prestar ao Ser Supremo a melhor de todas as homenagens por Cristo, em Cristo e com Cristo no momento sublime do Santo Sacrifício da Missa. Durante estas celebrações todas as virtudes são ensinadas. O pobre aprende a ser paciente, o rico a ser misericordioso, o ancião a santificar o resto de sua vida, o jovem a desconfiar das ilusões de sua idade, a criança a procurar desde cedo as veredas dos verdadeiros valores. Aí  se exalta  o que é bom, o que é honesto. Forma-se o bom pai, o bom filho, o bom irmão, o bom amigo. É incentivado tudo o que preserva a paz doméstica e faz florescer os bons costumes no meio das famílias. A semente da verdade é lançada e, em tempo oportuno, passa a produzir frutos. Brilham ensinamentos que tornam os pais mais vigilantes, os esposos mais unidos, os filhos mais respeitosos, os funcionários mais dedicados, os empregadores mais justos. Importantes são, outrossim, os demais momentos, quando grupos de pessoas piedosas se reúnem para rever sua vida cristã e para se entregarem à oração. Num concerto unânime de vozes a alma sobe naturalmente até o trono divino. Reunidos os discípulos de Cristo em preces comunitárias, o amor faz esquecer as discórdias, a vingança e as emulações e todos se sentem filhos do mesmo Deus, irmãos da mesma família. É evidente que o culto público leva naturalmente o seguidor de Cristo a fazer também suas preces individuais segundo o conselho do Mestre divino: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto, fecha a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mt 6, 6). Deste modo, Jesus mostrou o valor imenso da prece individual. Ele, porém, também ensinou que se deve rezar comunitariamente: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20). A oração é, deste modo, a essência mesma da religiosidade humana. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.



DANOS CAUSADOS PELA MALDADE HUMANA

                                                DANOS CAUSADOS PELA MALDADE HUMANA
                                                            Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
                Através de uma palavra, de um gesto, de um escrito ou de uma ação malfazeja o mal-intencionado arrasa a verdade e destrói a virtude na alma do próximo. Expressões faladas ou escritas, gesticulações maliciosas, atos escandalosos que ferem o senso moral, propagam o vício e se tornam um obstáculo para o bem. Há dois aspectos na conduta iníqua de quem viola a ética: um ativo da parte daquele que pratica ações condenáveis e outra passiva da parte de  quem recebe e assimila o erro, seguindo o mesmo caminho da perversidade. Quem fere a moralidade  não somente é um calamitoso, mas ainda faz a desgraça de outrem.  Ele oferece o veneno que vai matar os valores morais no indivíduo, na família e na sociedade. Semeia a erva daninha que vai danificar o  bem e impedi-lo de crescer e de se desenvolver no mundo. Nada mais danoso, de fato, que os maus exemplos, a disseminação da obscenidade, os quais levam os outros aos vícios e às atitudes torpes. É o que se dá, sobretudo, nos filmes, nos sites pornográficos da internet, nas novelas televisivas, nas revistas, nos perversos formadores de opinião que atropelam os preceitos divinos e ridicularizam a religião. Aqueles que não controlam suas paixões desregradas e os ímpetos de sua natureza malvada guiam para as veredas trevosas os incautos e todos que não possuem um senso crítico apurado. Eis porque Davi pedia a Deus: “Preservai-me do laço que armaram e das armadilhas dos malfeitores. Caiam os malvados nas suas próprias malhas, enquanto ao mesmo tempo eu passo adiante” (Sl 142,9-10). A virtude não pode florescer na alma dos que não agem como este salmista que assim desejava não se prender nas emboscadas dos maliciosos. Os libertinos usam as armas  mortíferas do poder das trevas e flagelam o mundo com o cancro da iniquidade que vai destruindo as qualidades inatas no ser humano que se deixa enredar pela fascinação das ilusões terrenas. Esta triste realidade, infelizmente, está por toda parte, em todos os recantos, em todas as sociedades, em todos os lares. São Pedro já  alertava: “Sede sóbrios e vigiai! O vosso adversário, o diabo, rodeia-vos como leão que ruge, à procura de quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé. [...] E Deus autor de toda a graça, que vos  chamou para a sua eterna glória em Cristo,  depois de um pouco de sofrimento, ele mesmo vos aperfeiçoará e vos tornará firmes, fortes, inabaláveis” (1 Pd 5, 8-10), O Príncipe dos Apóstolos adverte e oferece, ao mesmo tempo, o recurso para a vitória e incentiva com o resultado faustoso de quem não cai na garra de satanás e seus adeptos.  Alerta, sim, porque as forças diabólicas  devoram como um incêndio que se alastra, arruinando as almas, de tal sorte que neste início de milênio com a tecnologia a seu serviço o príncipe das trevas ilude facilmente os que não buscam as armas da luz.   Cumpre evitar as más companhias e policiar os cinco sentidos, mortificando-os e, outrossim, é necessária muita oração, reflexão e usufruir as maravilhas que o Criador espalhou pelo mundo. Embora o quadro acima descrito seja tétrico, é preciso, porém, ter otimismo, porque o bem é mais poderoso do que o mal. Este precisa fazer alvoroço, enquanto a santidade  que reina em milhares de seguidores de Cristo também se comunica e coloca barreiras à voragem horripila da improbidade. Sem número os que sabem se blindar e buscam a honra, a paz, o verdadeiro amor. Morigerados, entregam-se às conquistas gloriosas rumo à pátria celeste.  Sabem vencer o antagonismo entre o bom senso e a insensatez e evitam toda compatibilidade com o que pode perverter os corações retos, honestos e idealistas. Oram para que os impudicos, os tímidos, os fracos se convertam e fazem um apostolado admirável que arranca das trevas os iludidos por aqueles que se enriquecem através das multinacionais dos crimes. Apóstolos denodados que cooperam com Cristo na redenção da humanidade, coadjutores na obra divina da salvação, iluminando os horizontes fulgurantes da vida futura na Casa do Pai. É esta têmpera dos justos que contrabalança a justiça divina, a qual sempre oferece oportunidade de conversão para todos. Os autênticos cristãos necessitam, contudo, estar à altura de sua nobre missão que é serem “sal da terra e luz do mundo”. Estejam conscientes de que eles reparam pela sua vida modesta, humilde, santa os estragos causados pelos crápulas e irradiam os esplendores da dignidade e do pundonor.* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

VALOR DOS MANDAMENTOS DA IGREJA




                               VALOR DOS  MANDAMENTOS DA IGREJA
                               Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
  A Igreja por ser Mãe e Mestra  estabeleceu cinco mandamentos, visando o progresso  da vida espiritual dos seguidores de Cristo. Insiste, então na participação  nas Missas aos Domingos e dias santos de guarda, na obrigação de se confessar ao menos uma vez cada ano, de comungar ainda que seja  pela Páscoa da Ressurreição, de jejuar  e abster-se de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa e contribuir com o dízimo. O objetivo da Igreja é  facilitar a observância do que Cristo ensinou, dando normas práticas para cumprir o que está no Evangelho. O homem foi criado para ser eternamente feliz, mas para conseguir essa eterna felicidade no reino de Deus não basta crer as verdades que a religião ensina, é necessário ainda  empregar os meios para cultuar a divindade. Asseverou Jesus: “Nem todo o que me diz; - Senhor, Senhor entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 721). O propósito eclesial é detalhar alguns aspectos fundamentais daquilo que Deus quer.  A Igreja é a sociedade dos filhos da redenção, sociedade perfeita, santa e infalível, cujo chefe invisível é o próprio Cristo. Este, subindo ao céu, entregou  à Igreja a salvação de suas ovelhas  e para isso conferiu-lhe todos os poderes. A autoridade da Igreja provém, de fato, de seu Fundador. Este poder está a serviço da santificação e salvação das almas. Para conseguir esse resultado ela tem os seus mandamentos, que todo cristão deve observar.  Deus nos ordenou no Decálogo que O amássemos  sobre todas as coisas e impôs a obrigação de lhe consagrar um dia da semana e a Igreja  nos ensina como devemos adorá-lo e como podemos santificar o domingo, participando do santo Sacrifício da Missa. Cristo  impôs o preceito de confessar os pecados e de receber a santa comunhão e a Igreja determina a época em que convém cumprir esse dever. Deus ainda ordena a fazer penitência e a Igreja indica os meios de pôr em execução esse preceito divino,  lembrando o jejum e a abstinência. A contribuição para o culto divino aparece como uma norma em várias passagens bíblicas e a Igreja orienta os fiéis como colaborar com o dízimo e lhes explica a pedagogia deste gesto sublime. Cumpre, por tudo isto,  bendizer esta Igreja que indica a seus filhos o caminho seguro de amar e servir a Deus, afim de que todos possam um dia ter entrada na pátria da ventura eterna. Antes de tudo, a Missa dominical e nos dias de preceito, na qual se recebe a bênção de  Cristo, na qual o cristão mostra estar disposto a passar santamente a semana. Em segundo lugar o sacramento da Confissão, para que o peso dos  pecados não seja um obstáculo na marcha para a eternidade. Depois a Comunhão para robustecer cada um .para as lutas diárias. Em seguida, a mortificação dos sentidos pelo o jejum e  pela abstinência, para que as ilusões do mundo não desviem da prática das virtudes e, finalmente, o reconhecimento do supremo domínio de Deus com uma doação destinada à glória divina.  Eis o que são os mandamentos da Igreja, meios poderosos e eficazes, recursos de que Deus se serve para santificar os epígonos de Cristo.  Felizes os que obedecem aos cinco mandamentos desta Igreja, porque vão beber nas fontes do Salvador, vão de encontro à prática da penitência, atraindo com uma modesta contribuição as bênçãos do céu.  Todo cristão deve procurar a própria perfeição no estado de vida a que Deus o destinou e as palavras de Jesus foram claras: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” ( Mt 5,48). Ora, um dos meios para se atingir este belo ideal  é, exatamente, a obediência às cinco normas eclesiásticas de enorme valor pedagógico, que conduzem à santificação pessoal. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


terça-feira, 26 de junho de 2012

AMAR A DEUS ACIMA DE TUDO

AMAR A DEUS ACIMA DE TUDO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O primeiro mandamento da Lei de Deus mostra que cumpre reconhecer no Ser Absoluto e Supremo, do qual todos os seres contingentes dependem,  a superioridade que, de fato, Ele tem sobre tudo que existe. É preciso então adorá-lo, servi-lo e amá-lo de todo o coração (Mt 18,37). Obrigação elementar porque  foi Ele o primeiro a nos amar, e nos amou com um amor infinito.Por tudo isto é preciso louvá-lo, embora não haja louvor que dele seja digno.  Deus, realmente,  deve estar a frente de todos os  pensamentos, de todas as  afeições e de todos os  atos.  No pensamento humano Ele deve possuir um trono do qual nenhum concorrente poderá jamais se aproximar. Ele tem que ser o ideal supremo de todas as fases da vida do ser racional  e de  todas as suas admirações, de todas as suas  afeições . Ele o poderoso Criador que tudo fez, porque a dileção é sua essência mesma como declarou São João (Jo 4,8) e o Bem é de si difusivo. Eis porque não há verdadeira virtude sem a dileção profunda para com o Senhor de tudo.  Não existe   fulgor  de inteligência  longe da Verdade Eterna.  Não desabrocha em plenitude a  delicadeza real  de sentimentos  longe da fonte suprema da Vida. Aquele que não conhece  a Deus e não O ama acima de tudo é então um mutilado no espírito e no coração. Não deve, portanto, haver termo, qualquer limite,  no relacionamento do homem com Deus.  Desde que Ele  é conhecido, é forçoso dedicar a Ele os sentimentos mais ardentes que fluem do íntimo de cada um. Explicou São João: “Deus é espírito e em espírito e verdade há de ser adorado” (Jo 4,24). No fundo do ser humano, porém,  travam-se terríveis combates presenciados unicamente por Deus, lutas devidas à inclinação para o mal decorrente do pecado original e das insídias diabólicas, mas tais batalhas devem terminar com a imolação da natureza inferior em holocausto ao amor divino. Por isto é que se diz que o pecado é o não-amor. Se o pobre coração do ser racional descobrisse uma fibra que não pulsasse por Deus, ela deve ser imediatamente extirpada. Não bastam palavras nem sentimentos,  dado que Deus quer atos e amá-lo é observar os seus mandamentos. Foi o que aconteceu com os santos que tudo sacrificaram para não se apartarem de seu Deus. Célebres as palavras de Santo Agostinho: “Tarde Vos amei,  ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!  Eis que habitáveis dentro de mim,  e eu, lá fora, a procurar-Vos! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco! Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós.
Porém
, chamastes-me, com uma voz tão forte, que rompestes a minha Surdez! Brilhastes, cintilastes, e logo afugentastes a minha cegueira! Exalastes Perfume: respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós. Saboreei-Vos e, agora, tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e ardi, no desejo da Vossa Paz".  Isto porque percebeu que  Ele é o sol das inteligências, e tudo penetra com a sua luz divina. Onde se aparta Deus tudo  é escuridão, noite nas almas, noite, na história, nas ciências, nas leis e nos costumes. Aqueles que não vivem sob a claridade desse sol vão debalde pedir luzes aos conhecimentos humanos, os quais arrancam da vida a esperança e a consolação, lançando os corações  nas trevas do desespero. Em Deus apenas a fortaleza, pois Ele é o Deus forte. É  combatido pelos ímpios, injuriado pelos ateus,  mas é sempre vencedor e sempre aclamado pelas almas nobres muito mais numerosas.Quando consideramos os acontecimentos superficialmente parece ser Deus esquecido. Entretanto, quando se faz o balanço da história da humanidade e dos séculos, Ele aparece triunfante, porque sem número são aqueles que proclamam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo”. Porque Ele é eterno, é paciente e  abre os seus braços divinos aos pecadores para perdoá-los, aos infelizes para consolá-los. No correr dos séculos, milhões de corações levantaram-se, de fato,  para cantar os seus louvores, e as almas encontraram  neste Deus que é Pai amoroso, o único ente digno de adoração e de amor. Este amor infinito quis entrar na história humana e “o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”. Manifestou por palavras e obras uma dileção imensa e sua vida  terminou em um drama de amor, e esse drama foi doloroso e sangrento. Entre Deus e os homens passou a existir o Calvário, prova visível da caridade divina.  Eis porque o Filho de Deus proclamou: “Não há maior prova de  amor do que a daquele que dá a sua vida pela pessoa amada”. Ninguém nos amou assim, e ninguém nos amará jamais com tais proporções. O Calvário e o altar, onde se renova o Sacrifício do Gólgota,  são as últimas palavras do amor tanto no céu como na terra. Retribuir tudo isto é amar a Deus acima de tudo e sem medidas! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.





IMAGENS QUEBRADAS QUE NÃO TÊM MAIS CONSERTO

IMAGENS QUEBRADAS QUE NÃO TÊM MAIS CONSERTO
            Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Eis a questão que foi proposta a este articulista: O que fazer com imagens quebradas que não têm mais conserto?  Quando o fiel dispõe de um local no qual as possa enterrar é a melhor maneira de se desfazer de imagens que se quebraram ou de outros objetos sagrados que se estragaram. Não sendo isto possível, o melhor é acabar de quebrá-los, colocá-los numa sacola plástica para que os detritos sejam  depositados  na lixeira. Com relação às estampas de papel, se a pessoa não possui uma fragmentadora, o melhor é queimá-las ou rasgá-las, embrulhando os pedaços antes os jogar fora. Trata-se de um respeito ao objeto que foi abençoado ou que representa Cristo, anjos e santos. Esta atitude de reverência é idêntica ao que se faz com as fotos dos pais, parentes ou amigos que não são simplesmente jogadas no lixo. Quanto às imagens, a questão proposta oferece uma consideração sobre o que está no livro do Êxodo 20,4-5. Deus proibiu aos israelitas a confecção de imagens, estátuas ou coisas semelhantes porque entre os pagãos  eram considerados  símbolos em que a Divindade estava presente. Eram adoradas. Esta proibição  foi dada pelo perigo de idolatria que continuamente ameaçava Israel e pelo fato de que Deus nunca se manifestava com alguma forma ou figura que pudessem ser reproduzidas.  Em certos casos, porém, Deus não só permitiu, mas mandou se confeccionassem imagens sagradas para fomentar a piedade do povo eleito.  Foi o que se deu, por exemplo, na fabricação da Arca da Aliança: “Farás dois  querubins de ouro, trabalhados a martelo nas duas extremidades do propiciatório, Farás, pois, um querubim na extremidade de cá e outro querubim na extremidade de lá. Fareis os querubins de uma só peça com o propiciatório, nas duas extremidades” (Ex 25,17-20). Adite-se no templo construído por Salomão foram confeccionados querubins de madeira preciosa. Eis o texto: “Todas as paredes do templo em redor, quer interior, que exterior, eram entalhadas com figuras de querubins, palmas e flores” (1 Rs , 6,29). Claro está que as imagens não são objeto de adoração que convém somente a Deus. À Virgem Maria, aos santos e anjos se presta um culto de veneração ou dulia. Através das imagens se elevam os pensamentos para as pessoas que elas representam Trazem a lembrança de suas peregrinas virtudes que devem ser imitadas. Lembra-se de pedir sua intercessão junto do trono de Deus.  Os santos nada podem conceder por si mesmos. Podem, contudo, por suas preces ajudar aos fiéis a obter as bênçãos do Doador de todas as graças. Nas Bodas de Caná, por exemplo, Jesus atendeu o pedido de sua Mãe e transformou a água em vinho.  Lê-se no Antigo Testamento esta passagem bem elucidativa, mostrando como  Deus quer se servir dos santos, atendendo-os e, assim glorificando-os: “O Senhor voltou-se para Ellifaz, o temanita, dizendo-lhe: “Estou indignado por não terdes falado de mim tão retamente como o meus servo Jó.  [...]  Ide ao meu servo Jó [...] Jó rogará por vós, a fim de que em atenção a ele, eu não vos puna pela vossa estultícia” (Jó 42, 7-9). Bem explicou, na Constituição dogmática  “Lúmen Gentium”, o Concílio Vaticano II: “O consórcio com os Santos nos une também a Cristo, do qual como de sua Fonte e Cabeça promana toda graça e a vida do próprio Povo de Deus. Convém portanto sumamente que amemos esses amigos e co-herdeiros de Jesus Cristo, além disso irmãos e exímios benfeitores nossos, rendamos devidas graças a Deus por eles, “os invoquemos com súplicas e que recorramos às suas orações, à sua intercessão e ao seu auxílio para impetrarmos de Deus as graças necessárias, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, único Redentor e Salvador nosso. Pois todo o genuíno testemunho de amor manifestado por nós aos habitantes do céu, por sua própria natureza, tende para Cristo e termina em Cristo, que é “a coroa de todos os Santos”, e por Ele em Deus que é admirável nos seus Santos e neles é engrandecido”. Além disto, quem tem o hábito de ler a biografia dos santos aprende com eles a fidelidade a Cristo . * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.