segunda-feira, 14 de novembro de 2022

sábado, 12 de novembro de 2022

 ESTAI PREPARADOS

Côn.. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O Evangelho de hoje no início do Advento oferece séria advertência de Jesus: “Estai preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do Homem”. Cristo falava de sua outra vinda: Ele vem agora e Ele virá ainda. O importante para todos hoje é saber como O reconhecer e como educar nossa percepção para acolher sua vinda de ontem, de hoje e de amanhã. A advertência de Jesus nos alerta para uma salvação prometida para toda a terra, não apenas como o que aconteceu para Noé. Isto porque o nome de Jesus é “o Filho do homem”, um título que designa, sobretudo no livro de Daniel, um homem realizado sob o olhar de Deus. Este Filho do homem é enviado por Deus para vir estabelecer a justiça e para revelar a salvação de toda a humanidade. É o que havia anunciado o profeta Isaias, O que torna viva nossa esperança pela promessa do Senhor: “Ele será juiz entre as nações e o árbitro de ao dilúvio. Há uma semelhança entre a vinda do Filho do homem e    o que aconteceu a Noé: Noé recolheu na sua arca uma amostra de todos os viventes. No Evangelho de numerosos povos. No Evangelho de hoje esta missão do Filho do homem é comparada à ação de Deus com relação hoje viventes – homens e animais – é um pequeno resto inaugurando uma criação nova.  Jesus nos convida então a compreender que a obra do Filho do homem é comparável àquela de Noé, Ele é como o ramo de oliveira, Ele é o nosso arco íris no céu, que reúne a humanidade na justiça. Deste modo a vinda do Filho do homem orienta nosso coração para uma salvação destinada à criação inteira. Esta boa nova recebida hoje anuncia, para além de todas as provas que podem nos acontecer, se dá num mundo renovada pela vinda contínua do Filho do homem. Entretanto, esta Boa Nova nos convida a nos dispor a acolher com autenticidade a salvação oferecida.’ Isto significa que cumpre estar atentos em todas as circunstância, não por temor, mas porque a salvação está aí, ela já chegou. Jesus nos convida a viver intensamente esta realidade da salvação oferecida a todos. Nada de se deixar distrair ou alarmar por entre atitudes superficiais ou uma resignação passiva, quando, na verdade, a lembrança da vinda do Filho do Homem deve nos levar a viver na alegria, nos ajudando a guardas a esperança em todas as circunstâncias. É um convite a vigiar ativamente, Trata-se de vigiar, isto é, a viver com o cuidado dos outros, na prática de todas as virtudes, Esta vigilância é, com efeito, velar pelo bem estar cada um na medida do possível. É o vivar procurando ser para o outro uma arca na qual se pode encontrar, amizade, paz e conforto. Porque hoje também terríveis ameaças pesam sobre a humanidade. Catástrofes naturais, lutas entre nações, fome e muitos são os refugiados longe de suas pátrias. Cumpre estar vigilantes ante tudo isto e não ficarmos indiferentes com o que se passa mundo afora. Nossa força interior é a esperança da salvação que Deus nos oferece e é   também d nossa contribuição inventiva para construir arcas de salvação. Esperar é um verbo ativo e não uma forma passiva de resignação diante dos males. Esperar não é estar adormecido, mas pelo contrário, estar atentos para ir lá onde podemos ser úteis, ajudando sempre o próximo. Tudo isto porque o Senhor vem!! Como falou o Papa Francisco, a Igreja pode ser no meio dos sofrimentos um “hospital de campanha”, um oásis de reconforto, de compreensão, da fraternidade e de compaixão. Cada vez que uma pessoa encontra perto dela uma arca de salvação, é o Filho do homem que aí chegou. É deste modo que a salvação de Deus toma sentido desde agora no meio de nós. Cumpre sempre se interrogar: “Que é preciso fazer para ser salvo”? Crer em Deus, em sua palavra, e viver de seus ensinamentos na Bíblia, porque uma fé sem as obras é morta. Por tudo que estamos refletindo, Jesus nos interroga sobre a realidade de nossa fé, e nos convida, desde agora, a nos preparar para o reencontro com Ele, isto é, a viver em nosso coração desde hoje como se este fosse o último dia. Isto não quer dizer, nada prever para o futuro, ou tudo abandonar, mas estar preparados para aparecer diante dele, quando for da vontade divina. Estar preparados é a grande mensagem do Evangelho de hoje. Vigiar, não estar sonhando, mas estar atentos. Vigiar é desejar, esperar, caminhando para o encontro com o Filho do homem. Vigiar é estar cônscio de que estamos numa peregrinação lutando sempre contra uma certa sonolência da fé. É sair de uma vida espiritual tornada como que anestesiada na qual estamos mais ou menos cansados de rezar, de procurar um Deus que nos parece longe O verdadeiro desejo do encontro com o Filho do homem faz então atravessar a noite das provas deste exílio terreno. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

 

CRISTO REI DO UNIVERSO

Côn. José Geraldo  Vidigal de Carvalho*

 No tempo de Jesus, quando se levava um homem ao suplício, em todo o percurso até o lugar da execução, o condenado levava  um letreiro  com letras bem visíveis  dizendo o motivo do castigo. Eis o que se pode ler, fixado sobre a cruz de Cristo “Rei dos Judeus”. Ora nesta mesma época a região denominada Palestina não estava sem rei. Eram aliás dois: Herodes  Antipas na Galileia e  na Transjordânia,   e Felipe  em Golan. Apenas a Judéia com Jerusalém era controlada diretamente pelo procurador romano. Se os juízes de Jesus,  em particular o romano, o haviam podido  reter contra Ele esta anotação  política  “ele  quis se fazer rei” é que espontaneamente  durante a vida pública de Jesus muitos,  sobretudo entre o povo  haviam reconhecido nele o Messias aguardado por Isael e, na verdade,  um Messias Rei . Esperava-se que Jesus tomaria em mãos os destinos políticos do paíz, ele que havia alimentado  uma multidão, multiplicando os pães num local deserto. Esperava-se que afastaria  o jugo do ocupante e daria novamente a independência  a seu povo. Jesus não acreditava nestas manifestações, nem no que seria colocado  sobre a cruz.  Messias, filho de Davi, ele o era de fato, Messias o  enviado de Deus, mas não queria que o assimilassem aos reis terrestres. Eis porque no decorrer de seu processo Ele respondera a Pilatos: “Meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36). A cena da crucifixão nos permite mesurar também a esperança que Jesus havia suscitado; e o desapontamento   da multidão diante de um Messias crucificado. São Lucas nos descreve   grupos  de homens perto da cruz: os chefes judeus que ironizavam:   os soldados romanos que zombavam;  o povo que O olhava; Maria, mãe do crucificado, João evangelista e outros fiéis. Jesus na cruz  era bem, com diz São Paulo,  “um escândalo  para os judeus  e uma loucura para os pagãos” (1 Cor 1,23). Dois malfeitores estavam  crucificados com Jesus  sendo que um fazia coro com  os zombadores .  As contestações  traziam referência ao verbo salvar, em ligação com o nome Messias, (Cristo) ou rei: “ Ele salvou os outros, que salve a si mesmo, se é o Cristo, o Eleito”; “ se és  o rei dos judeus, salve-te a ti mesmo” “ Não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”. Sem o saber estes homens que desafiavam Jesus  nos orientam para o essencial do mistério  de seus sofrimentos  e de sua morte. Jesus não quer se salvar da cruz, porque ele queria nos salvar pela cruz, pelo amor que Ele tem a seu Pai sobre a cruz. Porque é o amor que traz a salvação e não o sofrimento por  si  mesmo. Nós temos lá diante de Jesus sofredor uma luz que esclarece nosso próprio destino e o destino de todos aqueles que nós amamos. Jesus não nos salva da cruz, de nossa cruz, mas Ele nos salva pela sua cruz, pelo amor  que Ele nos provou ter sobre  a cruz e Ele nos oferece a oportunidade  de nossa parte  fazer de nossa cruz uma prova de amor. Ele mesmo afirmou: “Aquele que quer me seguir, tome sua cruz e me siga”. Qual é nossa cruz? É o real de nossa existência, o cotidiano de nossas vidas, todas as grandes provas das tribulações, tudo que devemos suportar  para ficar fiéis a Deus e servir Jesus nos irmãos, enfim tudo que nós assumimos por amor, para melhor reproduzir a imagem di do Filho de Deus. Ele a nos dizer : “Toma tua cruz de teu combate  para demonstrar uma autenticidade cristã, a cruz  de teu esforço de caridade, a cruz das preocupações com o apostolado, tudo isto por amor. É deste modo que nossa vida deve ser imolada a Cristo, Rei do universo e vivida  em função do soberano enviado pelo Pai. Nossa vida já não nos pertence, mas àquele que por nós morreu e ressuscitou como primeiro  entre os mortos. Este é o destino pascal  inscrito já no nosso batismo, fundamento de todos os filhos de Deus, leigos ou consagrados¸ crianças, jovens ou adultos. É no cotidiano  que se adere à vontade do Pai e se dá um encontro maravilhoso com a cruz deste Rei singular, É no dia a dia que  se diz a Deus que nós O amamos.. Trata-se de uma dileção e uma alegria cristãs. É em nossa vida de todos os dias que Cristo Rei, o Messias quer ser nosso soberano, porque  Ele  quer ser rei antes de tudo dos corações livres e sinceros. Sua realeza não é deste mundo,  ela não se apoia em estruturas  políticas, ela não se  impõe pela força nem pela subserviência das consciências. A realeza de Jesus  é o brilho universal de sua  palavra, é a iluminação de cada coração  dos que creem, é o incêndio  da caridade até os confins da terra, a  começar pelo incêndio de nosso coração, onde tudo deve receber o fogo da imolação para glória de Deus e salvação do mundo * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos .

 

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

 

O FIM DOS TEMPOS

Côn. José Gerald Vidigal de Carvalho*

Um capítulo de São Lucas nos leva a meditar o que Jesus fala sobre o futuro (Luc 21,5-19). Ele descreve um futuro longínquo, sua volta no fim dos tempos e todo um conjunto de acontecimentos misteriosos, cuja data fica oculta no segredo do Pai Quando Ele evoca o cenário do fim, Jesus o faz sempre numa linguagem tradicional dos apocalipses e num grande quadro cósmico que engloba o céu e a terra, o sol, a lua e as estrelas. Jesus tem também em vista fatos mais próximos como a ruina do Templo, o julgamento de Jerusalém e retoma as ameaças dos profetas contra a cidade infiel. Enfim, Jesus faz alusão às provas de sua comunidade, às perseguições que sofrerão os discípulos através dos tempo da Igreja. É de se notar que as três perspectivas são estreitamente imbrincadas e, por vezes, indissociáveis, semelhantes a fotografias que se projetam, a saber, diante da última destruição do Templo se perfilam os sinais do fim do mundo, tendo como pano de fundo o julgamento de Jerusalém quando se proclama a vinda do Filho do Homem para julgar os vivos e os mortos. Tudo isto impossível de calcular e inútil querer prever. Entretanto, duas certezas aparecem claramente: a primeira é que a história do mundo entrou com a vinda de Jesus na sua fase definitiva, mesmo que esta fase deva durar por centenas e milhares de séculos, e a segunda certeza é que as declarações de Jesus, urgentes para hoje, restarão válidas até o fim dos tempos e por, isto, é preciso aguardar, vigiar, estar atentos. Com relação ao Templo que estava guarnecido com belas pedras e dons, Jesus afirmou: “De tudo o que estais vendo, dia virá em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada”. Daí a questão posta pelos discípulos sobre isto: “Quando, pois serão essas coisas, Mestre, e qual o sinal do seu próximo acontecimento”? Jesus respondeu, não mostrando um sinal preciso, mas dando um sinal de valor permanente em todo e qualquer tempo de provação: “Tomai cuidado para não serdes desencaminhados”. Depois São Lucas, quase sem transição abre até o fundo a perspectiva tomando uma palavra de Jesus no que concerne o fim dos tempos, isto é, haverá fatos terrificantes. O futuro, porém, pertence a Deus, o único que conhece tudo que acontecerá nos últimos tempos. Quanto a nós temos o tempo atual para O servir e O amar, praticando o bem e evitando o mal. Temos o espaço de nosso coração para acolher a palavra de Jesus e o espaço do mundo para receber com sabedoria suas mensagens de conversão e de paz. Cumpre trabalhar na construção do templo que é coração de cada um. É preciso ter a coragem da fé para não se curvar diante das exigências do mundo e suas ilusões, mas, ao contrário urge testemunhar fielmente, o amor de Deus, a palavra de Cristo.  Aquele que se entregar à prece estará aberto ao Espírito Santo que lhe dirá o que deve ser feito.  O verdadeiro seguidor de Cristo não se curva às exigências do mundo, mas pratica em plenitude a caridade, amando verdadeiramente a Deus e ao próximo e nada, assim, tem a temer. É preciso irradiar total harmonia, dando um autêntico testemunho do Evangelho firmar corajosamente o princípio de que o amanhã a Deus pertence. É pela perseverança que cada um obterá sua santificação rumo à eternidade. O seguidor de Cristo, porém, será sempre um sinal de contradição perante as incongruências de um mundo que se aparta das verdades eternas. O Reino dos céus estará reservado para os que lutam contra os inimigos da alma e enfrentam uma bela batalha de ininterrupta fraternidade. O cristão sabe que não há rosas sem espinhos e o caminho que leva ao céu supõe muita disposição para poder praticar as virtudes Isto supõe fortaleza interior afim de enfrentar as dificuldades e vencer as contradições naturais à caminhada por este mundo. Então, sim, o porvir será sempre encarado com tranquilidade sem preocupações estéreis. A perseverança no bem é, deste modo, fundamental, mesmo porque Jesus afirmou: “É pela vossa perseverança que obtereis a vida” (Lc 21,19). Com a força do amor, abraçado à cruz de Jesus, aceitando sempre a vontade divina que o cristão marcha sereno rumo à eternidade junto de seu Deus. A pobre vontade humana restará sempre firme, imerso cada um na certeza de um final feliz. Assim sendo, a perspectiva do fim dos tempos longe de levar a uma resignação condenável, conduz à paciência de se edificar com fé a própria vida sem atitudes estoicas e apreensões fúteis no que tange a consumação dos tempos. A paciência na qual deve viver o cristão o sustem longe de qualquer apreensão atinente ao fim do mundo, dado que quem ama Jesus tem a garantia da vida eterna. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

 

AS DUAS PRIMEIRAS BEM-AVENTURANÇAS     

Côn.; José Geraldo Vidigal de Carvalho*

As bem-aventuranças mostram que Jesus não veio a este mundo para julgar, mas para nos indicar o caminho que conduz a Deus. (Mt 3, 1-12). Não se pode limitar a vida cristã ao mero cumprimento de algumas regras estritas, a fim de evitar o castigo eterno. Jesus veio para ostentar o amor, para que cada um possa curtir e partilhar esta dileção com os irmãos e irmãs.  O verdadeiro cristão deve estar cônscio de que ele tem dentro de seu coração o segredo da felicidade que o mundo ignora. Eis porque é preciso que ele viva de acordo com as Bem-aventuranças pelas quais obterá a verdadeira felicidade. Reflitamos hoje sobre as duas primeiras bem-aventuranças. Bem-aventurados os pobres de espírito porque o reino dos céus é para eles. Jesus não disse, bem-aventurados os que vivem na miséria, as mães cujos filhos morrem de fome, mas disse:” Bem-aventurados os que têm um coração de pobre”. Isso porque, na época em que Ele pregava, a palavra pobre tinha já uma longa história. Nos textos mais antigos o pobre era uma pessoa vergada, oprimida, incapaz de resistir e de levantar a cabeça, alguém que devia sempre ceder aos poderosos. O acento era colocado não sobre a indigência em si, mas sobre a humilhação do pobre. A palavra tomara uma coloração religiosa e os opressores apareciam como orgulhosos e ímpios e o pobre feito figura do homem submisso que colocava sua confiança em Deus e aguardava dele o socorro. Assim a primeira beatitude de Jesus não se dirige precisamente aos mendigos, aos indigentes, mas a todos os que têm um coração bastante pobre para se acharem pequeninos diante de Deus, mãos abertas para receber dele a força e a esperança. Jesus não diz “vós que precisais de tudo, ficai na miséria”! Ele não prega um fatalismo mais ou menos resignado. Ele diz “Guardai um coração de pobre diante dos irmãos e diante de Deus”. Este Deus ignora as classes sociais porque em todo homem ele vê um filho que tem necessidade de ser amado e de ser perdoado, de ser salvo. Os homens julgam pelos sinais exteriores, sinais por vezes enganosos de riqueza ou de pobreza. Deus olha o coração, porque é possível ser rico com um coração de pobre e pobre com um coração de rico. É que exatamente o pobreza material, não a miséria, predispõe para pobreza do coração.  É igualmente verdade dizer que Deus tem uma ternura especial para aqueles que precisam de tudo, tudo como uma mãe guarda os tesouros de paciência e de compreensão para cada um de seus filhos sobretudo os mais frágeis. No coração de Deus não há exclusão de ninguém. Ele ama cada um tal como ele é, Ele não estabelece categorias.  Somos nós que dividimos, que excluímos os outros. Num mundo no qual as relações sociais são frequentemente deturpadas, a tentação pode nos levar a fechar mais ou menos a porta do Reino aos que são diferentes de nós e colocamos então barreiras lá onde Cristo passou para as destruir. Acontece mesmo que a irritação paralisa no coração do cristão seu desejo evangélico de justiça e de liberdade e, por isto, uma segunda bem-aventurança vem precisar a dos pobres de coração: “Bem—aventurados os mansos porque eles possuirão a terra”. Jesus não diz “Felizes os incapazes, os frustrados, felizes os que têm medo de viver e que trepidam diante das verdadeiras responsabilidades, mas felizes os mansos, os pacíficos, os que não aspiram o poder, os que aceitam lutar sem ira, os que sabem não abusar de suas forças, os que deixam sempre aos outros um espaço livre e   os meios de se superarem. É a mansidão mesma de Cristo que podia dizer: “Tomai o meu jugo e colocai-vos na minha escola porque eu sou manso e humilde de coração”. Saibamos, pois, que o Evangelho é sumamente exigente. Ele não oferece uma poesia fácil e infantil, mas um realismo cristão.  O realismo do batizado, adultos e conformado pelo Espírito, realismo que está na base da verdade interior, do acolhimento filial daquilo que Deus faz em função da sua misericórdia imensa pelo mundo. Trata-se então -de uma grande, muito grande virtude. Ela só, é capaz de aproximar as distâncias que a natureza e as leis põem entre os homens; pois aos superiores ela inspira doçura e caridade, respeito e obediência aos inferiores. Apenas ela pode abrandar as inevitáveis injustiças da vida e da sociedade, destruir nos fortes o instinto da tirania, e o instinto da revolta dos fracos e tudo isto na mais admirável fraternidade. Sejamos sempre rigorosos em examinar a nossa consciência para acolher toda graça de uma total mansidão e seremos, de fato, felizes. *Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

 

O PUBLICANO CONVERTIDO

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

A Zaqueu, que por mera curiosidade espreitava Jesus no alto de um sicômoro, é por Ele convertido, Cristo indo inclusive onde ele morava e lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa. (Lc 19,1-10). Isto é, aliás, o que Ele quer poder dizer cada tarde nas casas dos que o temem e amam e Lhe oferecem os trabalhos diários. A salvação que chegou à casa de Zaqueu aconteceu porque, seja como for, ele estava à procura do Senhor: “Ele procurava ver quem era Jesus”. Por entre os afazeres de chefe dos coletores de impostos, fatigado do desprezo dos outros, desgostoso de tantos anos perdidos em fraudar a justiça, ele não tinha uma pretensão senão uma ideia, uma visão, um nome na sua mente: Jesus. Diante de Jesus ele poderia se explicar, com Jesus ele poderia recomeçar sua vida. A miséria humana, muito frequentemente, é ter dito adeus aos recomeços, ou entregando-se à mediocridade, ou deixando de lado sérios compromissos. Um outro segredo de Zaqueu foi saber reconhecer seus limites e de agir em consequência. Com sua pequena estatura ele teria podido se perder na multidão e não veria o célebre galileu. Mas não, a esperança viva o fez inventivo. Não levou em conta nem mesmo uma atitude ridícula de subir em uma árvore e sua astúcia acabou sendo recompensada. Transformar nossas debilidades num desejo de um encontro saudável, oferece forças impensáveis. É preciso subir em um sicômoro, ser pequenino aos olhos dos outros e não se deixar paralisar ante tais esforços a serem feitos e não se deixar sem ação ante as dificuldades. Zaqueu ignorou as fragilidades de seu coração e vai lá até onde Jesus passaria. Ele não deixou passar a hora de Deus. No cimo da árvore ele aguarda, ele espera. Ele não previa o que iria acontecer. Eis que Jesus se aproxima e o olha e diz: “Zaqueu desce depressa é preciso que hoje eu fique na tua casa”! Não é preciso grandes coisas para que Jesus venha até nós. Basta que Ele, quando   nós o aguardamos, veja o nosso olhar   e vislumbre um pequeno ato de fé, de sinceridade. Isto ainda que o passado seja pesado, o presente doloroso, e o futuro incerto. E depois? Tudo mais virá da grande bondade divina. O que importa, dia a dia, e Zaqueu naquele dia o percebeu, é O acolher com alegria e sinceridade Não pode ser triste coração que recebe Cristo a quem se deve oferecer toda a nossa vontade de conversão, todas as misérias do nosso coração, todo anseio de acertar os passos com Deus. Jesus vem a nós procurar o que pode parecer perdido, nossas misérias que para Ele nunca estão ocultas. Ele quer, porém que vamos a Ele com absoluta confiança e abramos diante dele nossas mãos arrependidas e Ele as encherá do júbilo de uma total remissão.  Ele indo à casa de Zaqueu não foi para o honrar um homem rico, mas para transformar o seu coração, para que ele se convertesse, para o salvar, mudando de vida.   Ele vem ao encontro dos pecadores para os converter.   Como ocorreu com Zaqueu, ele quer ser acolhido com júbilo, sendo recebido o seu amor Jesus deseja prontidão. Ele então disse s Zaqueu: “Zaqueu desce depressa “E “Ele desceu rapidamente”. Deus não tolera tergiversações, dubiedades, demoras inúteis. Ele estava no seu interior desejoso exatamente de algo pessoal da parte de Jesus. Zaqueu reconheceu no seu interior a grandiosidade da graça recebida.  Disse então:” Vê, Senhor, dou aos pobres metade de meus bens e, se defraudei alguém, em qualquer coisa, vou restituir o quádruplo”. Ele passava a praticar a beneficência. Jesus, por sua vez, voltando-se para ele disse: “Hoje salvação veio a esta casa por ser também filho de Abraão. O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.  Este evangelho quer nos ensinar que todos os homens e mulheres são objeto da misericórdia de Deus. Conforme Jesus disse, no céu haverá alegria entre os anjos por causa de um pecador que venha a se arrepender. Porém, para alcançar a misericórdia é preciso que nós tenhamos um mínimo de conhecimento daquele que nos pode oferecê-la e amá-lo COM toda nossa alma. Zaqueu encontrou-se com o próprio autor do perdão, porque teve a oportunidade de realizar um verdadeiro processo de conversão. Analisou os próprios erros do passado, prometeu se corrigir e ajudar principalmente aqueles aos quais, de alguma forma, havia prejudicado. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 

Qual é o carisma do JSC?

Responde o Diretor Espiritual, Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

O carisma do JSC é santificação de seus membro, que através de equipes bem estruturadas

Há mais de quarenta e um anos vem formando apóstolos de outros jovens e fornecendo ao ESC continuação deste ideal  seus líderes e também profissionais competentes nas mais variadas profissões. Prestar colaboração eficientemente e humildemente com o Pároco, Pe. Paulo Dione Quintão, sempre sintonizado com os objetivos paroquiais. Marca ainda o JSC a perseverança em seus ideais e o cuidado para que grupos estranhos e fugazes não roubem seus melhores membros, Daí a ufaneia de muitos jovens: Sou membro do JSC| Cumpre rezar sempre para que este Grupo floresça cada vez mais para glória de Deus e bem das almas. A promoção das Jornadas de Conscientização cristã é um ponto alto das atividades deste Grupo de líderes cristãos e admirável a liderança com que os encarregados destas Jornadas exercem seu papel, inclusive trazendo os sacerdotes convidados para as Confissões e eventualmente para alguma Palestra. Muitas vezes o diabo tentou desestruturar o JSC, mas com a graça de Deus a ordem acabou reinando, quando espíritos malignos quiseram dominar os companheiros de ideal. O Diretor Espiritual e um Grupo esclarecido de jovens do JSC atuaram vigorosamente venceram graças a Deus. Avante JSC, pois o bem a de triunfar sempre!

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