segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A ESTRELA DOS MAGOS

A ESTRELA DOS MAGOS E A FÉ
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A solenidade da Epifania vem lembrar que a caminhada dos Magos foi uma caminhada da fé. A fé é como uma estrela, não o sol, é uma pequena luz que guia ao encontre de Jesus. A condição é que coloque na rota para Ele, que se deixe atrair para Ele, se dispondo a procurá-lo como fizeram aqueles sábios (Mt 2,1-12). Em Jerusalém os especialistas da Palavra de Deus e os sumos sacerdotes não foram até o divino Infante porque seus interesses eram outros. Isto os impediria sempre de reconhecer em Cristo o Messias prometido. A fé simbolizada na estrela vista pelos Magos conduz até Jesus, mas é importante fixar que tal encontro muda a vida daquele que O achar. É de se observar que o Evangelista mostrou como, depois de homenagear o Menino Deus, aqueles Reis ficaram cheios de alegria e não eram mais os mesmos. Tanto isto é verdade que eles tomaram um outro caminho de volta para sua terra. Não seguiram a ordem de Herodes para lhe indicarem onde estava Jesus, não cediam ao poder terreno, não pensavam como o rei deste mundo, pois tinham contemplado o soberano celeste. De plano, esta festa da Epifania convida a todos os fiéis no início deste novo ano a reencontrar Jesus, cortando os laços de tudo que é ilusório, perverso neste mundo conspurcado pelo pecado e que quer a morte de Deus e daí todas as desgraças humanas. Deus, contudo, se deixa localizar por todos aqueles que sinceramente O buscam, O desejam. Ele então vem até aqueles que Lhe abrem seu coração. Uma condição se impõe, qual seja, que se faça tudo que estiver ao alcance de cada um, como fizeram os Magos.  Estes em Jerusalém indagaram, procuraram se informar sobre onde estava o Rei dos Judeus que acabara de nascer. Fizeram de sua parte e foram recompensados. A manifestação de Jesus aos Magos era bem o indício de que Ele viera para salvar todos os povos e a cada um ao qual Ele se manifesta incumbe o dever de ser também estrela a mostrar que Ele deve viver na existência de todos os homens e mulheres, na sociedade toda e que apenas nele se depara a verdadeira felicidade. Esta é uma tarefa de cada dia, de cada momento. Jesus dirá que seus seguidores são luz do mundo e sal da terra. Cumpre mostrar a todos que, de fato, Jesus é Rei, como bem simbolizou o ouro ofertado pelos Magos. Ele é Deus, indicado pelo incenso. Ele é o Redentor que se sacrificaria pela humanidade, como bem assinalou a mirra que Lhe foi ofertada. Epifania é bem uma festa de Jesus, a plena manifestação do que Ele é. Os Magos, que não tinham artrose nem física nem espiritual, se ajoelharam perante a imensidade do Mistério de Jesus. Tomaram a postura de suplicantes, a postura daquele que reconhece a superioridade do Filho de Deus. Muito antes de Pascal no século XVII, os Magos já mostravam que perante Deus, diante do divino Redentor, o ser racional só é grande quando se ajoelha. Ajoelhados, os sábios vindos do Oriente ofereceram seus presentes, mas antes já haviam aberto seus corações ao Astro do Alto que viera visitar o planeta terra, fazendo-se homem no meio dos homens. Quantos cristãos, contudo, continuam adorando os falsos deuses apresentados por uma sociedade de consumo, criados pelas ilusões da mídia! Esquecem eles do ensinamento de São Paulo, afirmando que somente ao Nome de Jesus “todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos” (Fl 2,9).  Jesus, o Filho de Deus, deste Deus perante o qual se ajoelharam Abraão, Moisés, Davi, personagens ilustres do Antigo Testamento. Todo cuidado é pouco para não se adorar falsas divindades. O Filósofo Americano Peter Kreeft alertou: “Uma das mentiras das mais destrutivas de Satanás é afirmar que se ajoelhar numa igreja adorando Cristo é inútil, supérfluo e que isto afasta das necessidades vitais, dos deveres cotidianos [...] No entanto a adoração é mais poderosa do que uma bomba atômica para destruir o mal. Porque se o ser racional com sua inteligência pode construir uma arma tão poderosa como a bomba atômica, quanto mais poderoso será o Amor increado de Jesus no Santíssimo Sacramento para estabelecer a Paz eterna neste mundo”! É preciso imitar os Magos e saber adorar Jesus. São Leonardo clamava que é necessário repartir Cristo por toda parte, tendo-O no centro do coração para colocá-lo no centro da História, no meio de todo o universo.  Jesus deve ser nosso referencial supremo. Ou Ele, ou nada! Como os Magos caminhemos em 2014 por outros caminhos de apostolado sincero a começar pela renovação do próprio coração para que se possa levar a mensagem de Jesus por toda parte. Para isto que cada um se deixe guiar pela estrela da fé e estará ajudando a salvação do mundo inteiro, renovando a face da terra. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

sábado, 28 de dezembro de 2013

OBSERVÂNCIA DA LEI

OBSERVÂNCIA DA LEI
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho*, da Academia Mineira de Letras.
Cumpre que se respeite a lei em todas as ocorrências, até mesmo naquelas em que ela é mais rígida e rigorosa. Por mais duras que sejam as normas elas devem ser observadas. “Rui Barbosa assim se expressou: “Debaixo da lei devem todos estar, e, sobre todos, sobre todos os poderes, aquele donde deve residir o soberano manancial donde ela procede”, Luis Vives, notável humanista, advertia:” Nenhuma lei há, por mais reta que seja, que o homem não tente de torcê-la para satisfazer seus apetites!”. O  objetivo da lei é impor à sociedade a ordem moral. Este princípio precisa ser tanto mais inculcado quando,  dois clubes de futebol colocaram em campo jogadores que estavam legalmente suspensos e um clamor generalizado se dá contra  o Superior Tribunal de Justiça Desportiva que penalizou uma agremiação paulista e outra carioca. Embora torcedor do Flamengo desde 1942 este articulista, lamenta, mas aplaude a decisão de se tirar quatro pontos no campeonato brasileiro de um clube que não respeitou as regras vigentes da competição. Vale mais uma vez o conhecido dito jurídico dos romanos: Dura lex, sed lex – A  lei é dura, mas é lei. O que os clubes de futebol precisam fazer é ter uma estrutura jurídica sólida para que não venham a cometer erros tão primários. Cumpre sempre ir fundo ao significado dos regulamentos, pois do contrário imperará o caos. Quando a lei não pode punir, não pode incentivar o seu cumprimento e a desordem se instaura. A lei é a alma de uma sociedade bem organizada. O acerto das penalidades, mais do que sua severidade é o que consagra a força das leis. Dizia o sábio filósofo grego Aristóteles: “As leis são devem ser como as teias de aranha que apanham os mosquitos, mas que deixam passar as aves de rapina.! Eis porque o bom advogado mostra a todos sem exceção como fazer e o que se deve fazer perante a legislação em vigor. Isto porque a lei tem duas bases: a equidade e a utilidade pública e estas não devem ser separadas. Não se deve esquecer que todas as atividades humanas são reguladas de uma maneira ou de outra por regras, inclusive, nos clubes sociais, nos esportes, no trabalho. Mostram as ações que são permitidas ou não. As leis visam controlar o comportamento humano. Quem vive numa sociedade organizada precisa conhecer as normas e observá-las.

domingo, 22 de dezembro de 2013

DETRATORES DE PLANTÃO

DETRATORES DE PLANTÃO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Um dos preceitos importantes da Bíblia é este: “Não caluniarás o teu próximo” (Lv 1913). No Salmo 139 está a condenação dos detratores de plantão: “Aguçaram as suas línguas como a de serpente; veneno de áspides têm debaixo de seus lábios! (Sl 139,4). Entretanto, quando tais pessoas se apresentam com vestes de cordeiro, mas são lobos vorazes, se tornam mais perigosas, pois se lê no Livro dos Provérbios: “As palavras do homem (e da mulher) de língua dissimulada parecem singelas, mas elas penetram até ao íntimo das entranhas” (Prov 18,8). Tal, contudo, a advertência do Profeta Isaías:  “Põe-te longe da calúnia” (Is 54,14). A ele faz eco São Pedro: “ Despojai-vos de todo o espírito de maledicência” (1 Pd 2,1). Muitos se esquecem do que disse São Tiago: “Se alguém se tem em conta de piedoso e não refreia a sua língua, mas ilude o seu coração, é vã a piedade desse tal” (Tg 1, 26). No tribunal de Deus contas darão todos aqueles que atacam a honra alheia com falsidades e mentiras. É que, segundo São Basílio, “ o delator com a calúnia danifica três pessoas: ofende a quem calunia, àquele diante do qual maldiz e a si mesmo” (Epístola LXXV ad Neocaesar»). É aquele ou aquela que semeiam a falsidade, muitas vezes para tirar disto proveito em causa própria. Segundo os melhores moralistas esta atitude é contra a caridade, a justiça, pecado grave que furta a reputação do próximo. Aliás, Santo Tomás de Aquino chamava os caluniadores de homicidas. De acordo com São Bernardo o detrator leva consigo o diabo nos lábios.(De consideratione, lib.II). A um cuteleiro se perguntou um dia, enquanto aguçava um cutelo, se era de fato agudo aquele instrumento. A resposta foi esta: “Sim, mas não tão agudo e nocivo quanto o é a maledicência”. Esta, realmente, revela sempre um espírito mau. Quem anda murmurando contra o próximo desconhece que a  maledicência é como uma torrente que recebe sempre os maus cheiros dos canais por que passa. Um provérbio indiano diz acertadamente que “o escorregar da língua é pior do que o escorregar do pé”. Todo e qualquer aleive é como o carvão o qual ou  queima ou mancha.   O cristão ou a cristã, porém, ama a verdade que é filha legítima da justiça. Explica  o Pe. Vieira: que “a justiça dá a cada um o que é seu e isto é o que faz e o que diz a verdade ao contrário da mentira”.  Encerrando estas considerações nada melhor do que o preceito do Mestre divino, Jesus Cristo: “Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós. (Mateus, 7 1-2) * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A FAMILIA DE NAZARÉ

A FAMÍLIA DE NAZARÉ
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A solenidade da Sagrada Família vem lembrar que ao longo do Antigo Testamento, mas sobretudo nos Profetas, Oséias em particular, o amor conjugal é apresentado como a imagem por excelência das relações entre Deus e seu povo.Aliás,modelo de toda comunhão entre as pessoas humanas. No Novo Testamento este mesmo amor conjugal se torna a imagem viva da relação entre Cristo e sua Igreja. O protótipo, inclusive, de toda comunhão no grêmio da Igreja. É de se notar que, criando o homem a sua imagem e semelhança, o Ser Supremo havia feito deles seres racionais voltados para uma união comum. Quando sesta união encontra um fruto na vinda a este mundo de uma criança os esposos reproduzem na terra o mistério da Santíssima Trindade na qual o Espírito Santo procede do amor que une o Pai e o Filho. Este, vindo ao mundo para salvar a humanidade rebelada contra seu Criador, concebido do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, fez questão de viver dentro de uma Família humana, tendo como pai legal São José. A Família de Nazaré  se constituiu num exemplo de todas as famílias e comunidades cristãs. Por entre a dramaticidade da existência num vale de lágrimas, a Família de Nazaré conheceu momentos difíceis, superados com as virtudes de pais extraordinários como ocorreu com a fuga para o Egito, quando Herodes intentava matar o divino Infante. Maria se apoiava em São José e este, pai amoroso, neste mundo tudo fazia para a defesa daquele que o Pai celeste lhe havia confiado e na proteção daquela que era a esposa do Espírito Santo. Esta ida dolorosa para um país estranho vem recordar a todos os esposos, àqueles que se amam dentro das diversas comunidades, que seus destinos são comuns e, por entre as incongruências da vida, o amor tudo supera. O afeto mútuo é que sustenta a família  e qualquer comunidade, por entre as dificuldades que surgem e é esta mesma dileção que faz, então,  reluzir as comunidades cristãs unidas no amor ao próximo e a Deus. Quer na comunidade familiar, quer na comunidade eclesial o que acontece a cada um deve interessar a todos. O outro precisa sempre ser tomado em consideração. Desde que Deus comunicou a São José que ele deveria receber Maria como sua esposa diante da lei a vida de ambos mudaram inteiramente, Vão juntos a Belém para se inscrever no recenseamento, assistem o nascimento de Jesus e vão  juntos para o exílio. Os problemas de um eram os problemas do outro e agora até  questões envolvendo o Filho de Deus encarnado.  Nunca se pode esquecer que a célula familiar, bem como as diversas comunidades humanas,  compreendem pessoas interdependentes em tudo. José e Maria com Jesus após o Egito não voltam para a Judéia, mas para a Galiléia se ajustam sempre aos planos de Deus. Em Nazaré passaria a viver a família modelar. José no seu trabalho humilde, Maria a cuidar da casa e ambos inteiramente vivendo em função de Jesus. Ele sofreram as condições dos pobres e dos oprimidos se identificando com eles. As figuras que surgem antes da ida para Nazaré foram emblemáticas. Os Magos que estiveram em Belém eram o símbolo de uma humanidade inquieta e que procura, apesar dos pesares, a salvação, mas sábios que reconheceram Deus num menino inerme. Herodes e seu filho Arquelau representavam bem o poder explorador e opressor, invejoso de uma possível hegemonia do filho de José e Maria, temerosos de perder seus privilégios e daí a intenção de O matar. Neste história, porém, os personagens dignos de louvor eram Jesus, Maria e José, a Sagrada Família. Esta família na sua existência movimentada se tornou  realmente um modelo concreto de toda família humana. São Paulo na sua Carta aos Colossenses desceu a detalhes de como deve viver uma família harmoniosa. O leitmotiv do Apóstolo é a caridade, que o vínculo da perfeição. Para isto a oração é imprescindível para unir esposos e filhos num mesmo ideal. Tudo fazendo para o Senhor Onipotente e não para os homens. Dentro desta perspectiva se pode dizer com toda certeza que a família nunca esteve em crise. As pessoas que a compõem podem, muitas vezes, se verem  em situações complexas, esquecidas da herança eterna que aguarda lá no céu os que cumprirem plenamente seus deveres na comunidade familiar e na sociedade humana como autênticos cristãos. Porque todos somos bem-amados do Pai devemos nos revestir de ternura, bondade, compreensão, perdão cordial a cada passo na vida. Onde reina o verdadeiro amor há paz, harmonia e um por todos, todos por um marcham felizes para a Casa da Eternidade sob os olhares de Jesus, Maria e José. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.




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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

DEUS ENTRA NA HISTÓRIA HUMANA

DEUS ENTRA NA HISTÓRIA HUMANA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Próximos do Natal o Evangelho de hoje nos lança diretamente na História de Jesus (Mt, 1,18-24). Aí surgem as figuras de José e Maria. Percebe-se então a origem da ação de Deus que entra e age nas vidas humanas. É bem a imagem da maneira como o Ser Supremo vem ao encontro dos seres racionais, criados à Sua imagem e semelhança. Através de um anjo Ele deixa seu recado pessoal ao esposo de Maria: “José, filho de Davi, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo”. Conhecedor das virtudes, da pureza de Maria, São José não duvidara de sua santidade, mas a gravidez de sua esposa estava envolta em mistério. A concepção virginal, porém, lhe foi revelada pelo mensageiro divino. Dissiparam-se as nuvens na mente de São José, que seria o pai adotivo de Jesus perante a Lei. É assim que Deus age sempre na vida de suas criaturas, mas é preciso a exemplo de São José estar atentos a seus recados divinos lá no íntimo da consciência de cada um. Respeitando sempre a liberdade humana, Ele envia sua Palavra através dos acontecimentos, das pessoas, de suas inspirações. A correspondência à vontade de Deus se revela na fidelidade à mesma que é portadora de frutos magníficos. É preciso deixar que o Onipotente fale, aja e os resultados são maravilhosos como aconteceu com José e Maria. Diz o Evangelista que “José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor; recebeu sua esposa a qual, sem que ele a conhecesse, deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome se Jesus”. O ser humano é que deve se adaptar a Deus e não este ao homem. No Antigo Testamento Deus se serviu por vezes de esposos estéreis para realizar o seu plano, mas seguindo os processos ordinários da natureza. Não assim no caso de José e Maria e Ele tem suas razões cujos detalhes o Evangelista a eles não desceu. Tudo era iniciativa do Ser Supremo. Entretanto São Mateus esclareceu teologicamente os fatos. Estão claras duas questões: Jesus veio ao mundo na linhagem de Davi, respondendo assim à expectativa do povo e o fez por intermédio de José, que o adotou legalmente como filho. No que concerne a Jesus Ele pertenceu à grande família de Abraão e de Davi e era, realmente, o Messias prometido. Desde os primórdios do cristianismo se reconheceu em  Jesus, nascido de Maria, o Messias esperado prometido por Isaias como devendo nascer de uma virgem. O Messias, isto é, o Eleito de Deus, repleto do Espírito Santo para realizar uma missão sublime no meio dos homens. O nome que recebeu este menino está pleno de significado. No Antigo Testamento, frequentemente, o nome indica o que é e devia fazer alguém nos desígnios divinos. Jesus será “o Senhor que salva”, será aquele que libertará seu povo de seus pecados. Libertação de ordem moral e espiritual e toda libertação que viria de Cristo iria promover esta restauração nas relações entre Deus e o homem. Libertação universal, que se dirige não somente ao povo da Antiga Aliança, mas a todos os que pela fé se tornariam filhos de Abraão. O título de Emanuel, Deus conosco, veio complementar a fisionomia teológica do Filho de Maria. Era um programa sublime , uma missão extraordinária: Deus presente na História dos homens, Deus tomando realmente a causa da salvação humana. Deus caminhando com os homens para reconciliá-los com Ele. Jesus dirá mais tarde: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Admirável então o papel exercido por São José e Maria no cumprimento do projeto salvífico de Deus. José era um homem justo. Justo no sentido bíblico, isto é, aquele que acreditou na Palavra de Deus, era coerente com sua fé, estava sempre disposto a atender o que Deus queria dele. Era santo porque ajustado ao querer divino. Antes, ele havia arquitetado uma maneira para salvar a honra de Maria, uma solução discreta, mas Deus era muito mais sábio do que Ele e tinha a solução perfeita que o tranqüilizou e alegrou Maria. Nunca se deve atropelar o que Deus quer, pois é dele que vem o que há de melhor para cada um. São José acolheu a iniciativa de Deus e se cumpriram as Escrituras. É necessário saber vencer as reticências humanas e não querer nunca manipular a Deus. Deus não é um satélite colocado a nosso serviço, mas, sim, o Sol que ilumina todo homem que vem a este mundo. Nenhum temor, portanto, quando Deus age na vida de cada um! Diante dos problemas pessoais, sociais, eclesiais nada de pânico, de perturbações inúteis, de agressividade, de intransigência, mas rezar e confiar em Deus! O caminho do Evangelho é árduo e supõe luta, perseverança e discernimento. É preciso assimilar o estilo de São José, aguardando a hora de Deus. Nada de tensões e apreensões, de medo, de fobia na vida pessoal. Jesus veio para salvar a todos e nele se pode confiar!* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 

SIGNIFICADO DO NATAL

O SIGNIFICADO DO NATAL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho, da Academia Mineira de Letras
Comemora-se mais um  Natal de um  Salvador  que nasceu pobre e humilde.
O contexto consumista atual distrai muitos cristãos do sublime mistério que se celebra no dia 25 de dezembro. Muita preocupação com aquilo que não é o essencial deste fato maravilhoso. Cumpre, então,  uma reflexão sobre  o amor infinito de um Deus que se fez homem para redenção da humanidade. Contemplá-lo num Presépio, cátedra de onde Ele nos ensina humildade e desapego dos bens transitórios deste mundo e isto com uma eloqüência maravilhosa. Numa linguagem não verbal o divino Infante está a pregar, desde sua chegada a esta terra, virtudes que devem ser o ornamento seus epígonos. Mensagens austeras, mas que trazem felicidade, imperturbabilidade, honradez. Jesus, Rei do céu e da terra, nasce num estábulo na mais total privação para nos ensinar total desambição, dedicação aos pobres e a fuga de toda arrogância e vaidade. Ele é a luz do mundo e o que o segue não anda nas trevas (Jo 8,12). Para sermos iluminados por Ele é preciso caminhar nos seus passos. Lembremo-nos sempre que os seus primeiros adoradores foram pobres pastores. Apenas depois é que Ele, Soberano que é do Universo, receberá os  Magos que lhe trarão suas ofertas, mostrando aos ricos deste mundo que devem ser generosos, honrando-O na figura dos menos favorecidos. Os pastores eram pessoas simples, obscuras, mas devotados a seu humilde trabalho, guardando durante a noite o seu rebanho. Eis por que o anjo lhes aparece e lhes diz: “Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria para todo o povo. Nasceu-vos hoje na cidade de Davi um Salvador que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em faixas e deitado numa manjedoura”.  As preferências divinas não mudam nunca, pois Deus se revela aos pequenos e humildes de coração. Na verdade, estes são capazes de atinar com as veredas que o Espírito Santo apresenta para se encontrar sempre o Redentor a oferecer  suas graças e sua felicidade. Os segredos do Ser Supremo Ele os reserva para quem reconhece sua grandeza e transcendência e está disposto a se adaptar a Ele. Aliás, o próprio Jesus, enquanto homem,  assim se lançará sua prece: “Eu vos rendo graças, ó Pai, porque escondestes estas coisas aos sábios e prudentes e as revelastes aos pequeninos e humildes” (Mt 11,23). Nada, portanto, mais necessários diante do Presépio do que um desapego dos bens materiais e passageiros deste mundo e o reconhecimento ontológico da dependência  que se tem com relação ao Ser Necessário e Infinito. Nada honra tanto a criatura humana do que se curvar ante a Majestade daquele que é o Criador de tudo O orgulho, a empáfia impedem tão sábias atitudes, pois leva muitos a se entregarem ao luxo ou à aquisição do que é o supérfluo e a não se inclinarem perante a grandeza divina.

sábado, 14 de dezembro de 2013

PASTORAL DA JUVENTUDE

PASTORAL DA JUVENTUDE – 62ª. JORNADA DE CONSCIENTIZAÇÃO CRISTÃ

Coroando suas admiráveis atividades no ano de 2013, o Grupo Jovens Seguidores de Cristo da Paróquia de Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)  promoveu a 62a  Jornada de Conscientização Cristã nos dias 13 a 15 de dezembro. Cerca de 70 jovens da região se reuniram para refletir, rezar e se tornarem ainda mais perfeitos discípulos de Jesus Cristo. Preparado, também este Encontro, pelos Dirigentes do JSC, com várias reuniões, preces e Missas, atingiu o mesmo notável êxito espiritual. As palestras foram proferidas pelos antigos membros do JSC, pelo Diretor Espiritual e palestristas atuantes em outros movimentos pastorais. O neo-sacerdote Edir ajudou nas Confissões. Na Missa de encerramento o Côn. José Geraldo mostrou aos jovens que, participando do múnus profético de Cristo pelo batismo, o seguidor de Cristo, a exemplo de São João Batista, ultrapassa as barreiras da infidelidade a Deus, do escândalo das paixões descontroladas, das banalidades do luxo, do desprezo para com os mais necessitados. É que, explicou o Cônego, João Batista inaugurou uma nova profecia, a dos tempos da Igreja que consiste em anunciar a redenção, a revelar a atuação de Jesus num mundo paganizado, hedonista. As reuniões do JSC se dão aos sábados às 17 horas no Salão Paroquial após a Missa aí celebrada, da qual participam também os Adolescentes Seguidores de Cristo (ASC). Pedem-se preces pela perseverança destes jovens idealistas