quinta-feira, 18 de maio de 2023
quinta-feira, 11 de maio de 2023
ESTAREI SEMPRE CONVOSCO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Clara a promessa de Jesus: “Eu
estarei convosco todos os dias até fim dos tempos” (Mt 28,16-20). Depois destas palavras os
discípulos O viram se elevar e desaparecer a seus olhos em uma nuvem. Cristo
havia terminado seu percurso nesta terra ao lado de seus apóstolos e sua preleção
acabara neste mundo e se dá então sua
admirável ascensão aos céus onde está assentado à direita de Deus. Jesus era
bem o Messias prometido por todos os profetas. Entretanto, sua partida para o
céu não significou que tudo estava terminado e que não seríamos órfãos do
Mestre divino. A palavra de Jesus não terminara aqui em baixo na terra. Ela vai
continuar mais do que nunca, dado que os onze apóstolos receberam a missão de
ir pelo mundo inteiro para proclamar a
Boa Nova. A palavra de Jesus que durante sua vida terrestre tinha se confinado
em Jerusalém e na Galileia, não tendo ultrapassado a não ser excepcionalmente
as fronteiras do pais, agora ela iria se expandir em todo o império romano. O
Livro dos Atos dos Apóstolos que nos relatam o trabalho das primeiras
comunidades cristãs nos revela que não somente a Palavra de Deus vai atingir o mundo
inteiro, mas ela contudo não perderá nada de sua eficácia. Sobretudo os apóstolos Pedro e Paulo não somente
anunciam a mensagem de Jesus, mas eles também fazem milagres tão admiráveis
como aqueles do divino Mestre. Com efeito, eles curam os cegos, os coxos e
mesmo até ressuscitam mortos. Os corações deveriam se abrir à sua luz para
fazer compreender a esperança que traz consigo seu apelo, a glória sem preço da
herança que deviam partilhar com os fiéis e o poder infinito que tocaria os que
acreditassem.
A misericórdia e o poder do Senhor
não haviam terminado para os homens, porque Jesus se fora para junto do Pai.
Bem, ao contrário, mais que nunca, embora ausente, Jesus continuaria sua obra
entre seus discípulos, ou mais precisamente pelos seus apóstolos. Se as
maravilhas e os milagres divinos continuavam a se manifestar aos homens é que
os discípulos com toda a sua Igreja seriam os continuadores da obra de Jesus e,
mesmo melhor, a Igreja que é o corpo de Cristo e por ela é Cristo que continuaria
sua obra. É certo que Jesus foi elevado corporalmente diante de seus discípulo,
mas continuaria a lhes falar e agir com eles e por eles de uma maneira
inteiramente nova. Eis porque o Evangelho de hoje coloca em seus lábios estas
palavras: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Mesmo
assentado à direita do Pai, Cristo continuaria a agir, estando Ele no coração
de sua Igreja. De uma certa maneira Ele está muito menos ausente do que se
possa imaginar. Eis porque Ele deu a entender a seus discípulos que seria mais
vantajoso que Ele se fosse. Ele estaria, porém, com eles até o fim dos temos,
até o seu retorno em sua glória. Cumpre, pois, compreender o mistério da Ascensão
tendo em vista duas realidades que parecem opostas. De uma parte, nos era
proveitoso que Jesus fosse para junto do Pai e de outra parte também sua
ausência aparente, que esconderia sua presença, era útil, pois se Ele nos
deixava fisicamente era para nos estar presente espiritualmente de uma maneira
mais eficaz. Toda narrativa dos Atos dos Apóstolos tende a demonstrar a
veracidade desta dupla afirmação que parece contraditória. No início dos Atos
dos Apóstolos, a narrativa que nos é feita da primeira comunidade cristã nos
mostra que os discípulos não compreendiam ainda plenamente esta realidade da
presença espiritual e ativa de Jesus na sua Igreja. Até o dia de Pentecostes os
apóstolos ficavam fechados em casa, tinham medo. Seria preciso que a promessa
de Jesus se realizasse, promessa de lhes enviar o Espírito Santo. Esse lhes
daria então não somente a lembrança de Jesus e de suas palavras para anunciarem
a Boa Nova aos homens, mas seria em seu coração e na sua vida a força e o poder
do Mestre divino. Isto fará mais do que cobrir o vazio deixado pela sua partida,
pois é isto que fará da Igreja o Corpo Místico de Cristo e cobriria
espiritualmente a distância criada pela partida física de Jesus. Espiritualmentev
a partida de Cristo e a vinda do Espírito Santo fazem que Jesus esteja hoje
mais presente em sua Igreja e em cada um de nós, porque na Igreja nós somos o
Corpo de Cristo. Deus Pai lhe a tudo submetido e O colocando no mais alto que
tudo Ele fez dele a cabeça da Igreja que é seu corpo e a Ele Deus O cumula
totalmente de sua plenitude. Tornar-se cristão será pois para nós, antes de
tudo crer, que Cristo Jesus não está ausente de nossas vidas. * Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos.
segunda-feira, 1 de maio de 2023
OUTRO DEFENSOR
ESTARÁ SEMPRE CONVOSCO
Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A
liturgia deste domingo já orienta nosso olhar para a festa de Pentecostes, dado
que acentua a obra do Espírito Santo
na
comunidade dos cristãos. Jesus promete claramente
a vinda do Espírito divino para estar conosco para sempre
(Jo
14, 5-21). Cristo com sua partida, ou pelo menos com sua ausência sensível,
poderia, de fato, nos fazer sentir
abandonados,
órfãos como que entregues a nós mesmo e
distantes ante palavras e gestos colocados no passado.
Jesus,
porém, nos convida a acolher o dom do Pai, isto é, o Espírito Santo derramado
em nossos corações como o
grande
defensor, o protetor de nossa fé e o pedagogo para nossa vida espiritual. Deste
modo, de uma certa maneira, o
que
não nos deixa jamais sozinhos e de outra parte em nos guarda nele como nosso
defensor e enfim a nos ampara nele
como
nosso mestre espiritual. É desta maneira
de estar conosco que o Espírito Santo poderá derramar seus sete dons
para
acabar a obra do Pai realizada por Jesus: dom da sabedoria, do conselho e da
fortaleza, dom da inteligência e da
ciência,
dom da piedade e do temor do Senhor. Através dos tempos vivemos na Igreja toda
uma renovação espiritual
em
torno do Espírito Santo para lhe dar o
lugar na vida da Igreja e da vida espiritual dos cristãos. Note-se em 1938
a
obra do jesuíta Pe. Victor Billard, que escreveu sobre o Espírito Santo, obra intitulada “Ao Deus desconhecido”.
Depois
toda uma preparação da celebração do concílio Vaticano II e a renovação
carismática. Tudo isto nos levou
a
uma profunda relação com o Espírito divino como o autor central de nossa vida
espiritual, como hospede interior,
nosso
mestre espiritual, que incrementa nossa
fé, esperança e caridade. Em uma relação pessoal e íntima com Aquele
que
já quando na preces nós temos o tempo da escuta, nós criamos o espaço que O
permite agir em nós. Entramos assim
num
diálogo com aquele que faz de nosso corpo seu Templo, ou seja, o lugar do encontro
e da celebração, aquele que
habita
no mais íntimo de nós mesmos e deseja nos transformar inteiramente. O batismo e a
confirmação nos dispõem
de
maneira permanente a esta escuta e a um diálogo com o Espírito para nos deixar
agir por Ele. É assim por esta obra
do
Espírito em nós que a vida das palavras de Jesus se tornam atuais e sempre
novas para cada um de nós e para toda
sua
Igreja. Sem Ele nossa vida religiosa e espiritual não seria senão uma mera
comemoração de um passado que se foi,
mas
com Ele tudo se faz atual e novo e Ele nos orienta para a plena realização das promessas
das quais a ressurreição de
Jesus
constitui a garantia. Eis porque Jesus nos diz: “Dentro em breve o mundo não me
verá mais (porque não recebeu
o
Espírito Santo), mas vós (que O haveis
recebido) vós me vereis vivo e vivereis também”. Eis, portanto, bem o cerne
da
relação com Deus, da vida com Deus, vivendo sua palavra, portanto, não somente
O conhecendo mas nele vivendo.
Peçamos
então ao Espírito Santo que venha nos iluminar, nos ensinar a assim bem viver
no amor do Senhor.
Trata-se,
porttanto, da participação da plenitude divina.
Incorporados em Deus, sob o influxo do Espírito divino, nós
Estaremos
imersos na fonte da vida de Deus que habita em nos. Eis porque nós não obstantes
nossas misérias,
podemos
e devemos estar em tertúlia contínua com o Senhor. Eis a maravilha que opera em
nós o estado da graça
santificante.
Jesus foi claro: “Aquele que recebeu os
meus mandamentos e lhes resta fiel, é aquele que me ama; e
Aquele
que me ama meu Pai o amará, eu também o amarei e me manifestarei a ele (Jo
14,21). Deste modo o cristão
vive
na presença de Deus. Não há, deste modo, lugar para outros desejos ou
pensamentos que nos façam perder
tempo
e nos impeçam de fazer a vontade divina. A presença de Deus em nossa vida nos
ajudará a descobrir e a
realizar
neste mundo os planos que a Providência nos destinou. O Espiritado Senhor suscitará
em nossos corações
iniciativas
que colocaremos no princípio de todas as atividade humanas. Seremos assim verdadeiros
filhos de Deus
e
nos sentiremos seus amigos em todo o lugar e instante, em todas as circunstâncias
de nossa vida. Toda a luz e
todo
o fogo da vida divina se expandirá sobre o cristão que está assim disposto a
receber o dom da habitação divina.
Trata-se
de penetrar na frequentação contínua da Trindade Santa, pois o Divino Espírito
Santo está em nós. O cristão traz em em si mesmo esta grandeza infinita
conforme mostra a religião verdadeira. Uma vida cristã é estar conectada no
Espírito
divino. Vê-se bem então forças sobrenaturais entro de nós. Além disto, é este Espírito
que nos defende de
todas as formas de realidades terrestres. Eis ´porque se
vê na História da Igreja o número de perseguições que têm por fim fim impedir
a vida espiritual. A própria interdição dos cultos públicos é uma maneira de destruir a vida
espiritual. *Professor no Seminário
de Mariana durante 40 anos.
quinta-feira, 27 de abril de 2023
23 Quem me viu, viu o Pai
Côn. José Geraldo Vidigal de
Carvalho*
segunda-feira, 17 de abril de 2023
AS OVELHAS CONHCEM SUA VOZ
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
De domingo a domingo, especialmente neste tempo pascal, a liturgia da Igreja vem até nós com a mesma mensagem de esperança. Embora os tempos sejam difíceis e os anos passem com seu conjunto de provas pessoais, familiares, eclesiais. O que faz viver o seguidor de Cristo é a certeza absoluta de que Jesus está vivo, Ele é o Bom Pastor que cuida com amor suas ovelhas e que estas O conhecem, pois escutam a sua voz. Ele está presente na sua Igreja. Não nos é dado vermos a Cristo, que nós não tocamos cada dia, nem voluntariamente os sinais de sua ação, mas nós temos um meio maravilhoso de estarmos unidos a Ele, pois onde nós estamos nos basta abrirmos os ouvidos para escutar a voz do Pastor: “Minhas ovelhas escutam a minha voz e eu as conheço e elas me seguem”. É que Jesus é a porta e se alguém entrar por Ele será salvo, porque entrará e sairá e encontrará pastagem. Existe uma espécie de conivência entre as ovelhas e o pastor e a voz do pastor não é sempre uma voz que se impõe. Simplesmente de um tempo a outro o pastor fala, como que para dizer: “Eu estou lá e as ovelhas escutam minha voz e a seguem”. É bem isto que nos leva a reagir e difundir esta voz de Cristo que rediz: “Eu estou lá contigo. Eu estou lá por vós e te conheço. Eu te darei a vida eterna e jamais tu me perderás”. Nós não nos perderemos porque seremos defendidos pelo Bom Pastor. Este para nós é não somente uma voz que se faz ouvir, pois é uma mão que nos sustem e que nos protege. Jamais nada nem ninguém não poderão nos arrancar da mão de Cristo, porque o Bom Pastor nos guarda e nos protege como um presente que o Pai lhe fez: “Eles eram teus e tu os destes a mim e eu não perderei nenhum deles” (Jo 17, 6.12). Nós somos de Cristo e de Deus Pai, Ele que é maior que tudo. Ele faz e nós escutamos a voz deste Pastor, porque o Pai quer salvar o homem e assim nos deu um tal pastor para nos conduzir à vida eterna. Este Pastor, realmente, nos assegura sua presença, nos segura pela mão, a ovelha O escuta e O acompanha. Admitidos na intimidade do Pai com Cristo, por Cristo e em Cristo somos como o Bom Pastor enviados cada dia, cada hora a marchar até o final de nossa caminhada terrestre, até o dom de nós mesmos, de acordo com o que afirmou ao Apóstolo Paulo no ocurso de sua missão: “Eu fiz de ti a luz das nações, para a graças a ti a salvação chegue até as extremidades da terra” (Ac 13,47). Assim a ovelha é portadora da mensagem do Bom Pastor no horizonte de sua vida, ou seja, no seu lar, no seu trabalho, nas relações sociais, no diálogo com os amigos, em todo movimento de solidariedade e até mesmo nos instantes de solidão através da prece intensa. Extenso, portanto, o horizonte de quem escuta a voz do Bom Pastor e a segue. Uma multidão imensa de todas as nações, multidão em marcha na qual se aprende a se conhecer como ovelha arauto da mensagem sublime do Mestre divino. Muitas vezes a ovelha é provada e a prova se faz mais pesada, a fidelidade mais difícil, o desvio da rota se torna possível e a esperança se afasta de nós mesmos ou daqueles que nós amamos. O Bom Pastor, porém, é maior que tudo e não nos deixa transviar. É a ternura dele que tem a última palavras e nos dirá: “Eu estou aqui, não desanimes”! O Bom Pastor é o senhor e o salvador. Hoje em dia há numerosos falsos profetas a nos chamando a segui-os, a viver segundo suas diretrizes. Eles impõem sua concepção da vida, sua ideologia. São os mercenários que assaltam as ovelhas de Cristo para viver a custa delas. Cumpre estar atentos, refletir antes de ceder às artimanhas do maus, dos visionários e fabricantes de milagres. Jesus, o Bom Pastor fala a nosso coração para que nós vivamos de sua vida, de seu amor na plena liberdade de nosso coração. Entre as palavras de Jesus insistamos nestas: “As ovelhas reconhecem minha voz e a seguem”. Isto significa que elas O seguem porque reconhecem sua voz e, assim O amam, Lhe são gratas como devem ser. O convite de Jesus nos leva a agir como Ele e consiste a entrar na salvação e cura do mundo que tem necessidade de nossa colaboração. Agir como Cristo, estar com Cristo, ser todo dele e trabalhar para glória do Pai como Ele. Escolher caminhar nas vias do Bom Pastor e o seguir, escutar e reconhecer sua voz. Ele estará sempre conosco. Não tenhamos medo! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
quinta-feira, 6 de abril de 2023
18
FICAI CONOSCO
Côn. José Geraldo Vidigal de
Carvalho
Dois homens num rota de subúrbio (Lc
24,13-35). Dois homens que nos parecem como irmãos, mas dois crentes que
viveram antes de nós a ventura da fé. Tudo começa para eles por uma sublime iniciativa
de Jesus. Eles esperavam, entretanto agora não esperam mais. A libertação
política de Israel não se dera: o profeta Cristo estava morto sem resistência ao
suplício reservado aos criminosos, em algumas horas, nas porta da cidade; era o
fracasso em todo sentido, pois a morte vencera uma vez mais. Bem que houvera
uma réstea de esperança: mulheres do grupo pretendiam que Jesus estava vivo.
Tudo que se sabia era que o túmulo estava vazio: alguns foram até lá, mas Ele,
o divino Mestre, não O tenham visto. Eis o que pode acontecer a cada um de nós.
Nós ouvimos falar do Ressuscitado, nós acolhemos o testemunho da comunidade de
Jesus, mas Ele nós não O vemos. Nós O cremos longe, dia após dia, porém. Ele
toma conosco a iniciativa do diálogo. Esta iniciativa de amor tomada por Jesus
torna possíveis o reencontro e o reconhecimento progressivos. O desconhecido
que se junta aos dois discípulos não os cega com sua glória, como São Paulo
ficara cego no rota de Damasco, nem lhes mostra suas mãos e seus pés. Ele não
lhes dá uma evidência fácil, mas os incentiva a escutar uma palavra já dita por
Deus. Uma palavra que comenta divinamente a história de Jesus de Nazaré e que
revela o sentido do que havia ocorrido. Aprouve
a Deus salvar o mundo pela loucura da Cruz, reservando a Jesus o destino
misterioso de Servidor sofredor; mas a loucura de Deus é a suprema sabedoria
para a salvação dos homens. Para a feliz redenção. Todo ao longo do caminho está
catequese de Jesus modifica o olhar dos discípulos, mas eles não percebem imediatamente
o calor de seu coração, nem a claridade que penetrou neles. Eles vão
compreender pouco a pouco. Eles têm suficiente sede da luz para possuir Aquele
que a oferece, mas eles não o reconhecerão senão no momento em que a liturgia
da palavra brilhará na fração do pão, no momento da palavra que os introduzirá
no sacramento, mistério da amizade. Amizade que se torna o convite e o
convidado oferece em partilha sua própria carne. Este momento, porém, momento
supremo é aquele da separação. Como Maria Madalena os dois homens de Emaús
devem perceber a presença na ausência, penetrando fundo na palavra do amigo.
Não se trata de ver, de tocar, de sentir a proximidade, mas trata-se, pela
palavra e pelo sacramento, de se penetrar profundamente na vida do
ressuscitado. Assim, a iniciativa de
Cristo se abre uma vez mais a um reencontro pessoal e vivificante com Ele.
Entretanto, imediatamente este diálogo com o Ressuscitado se desdobra em missão
e em testemunho. Eles tinham partido dando as costas à cidade do fracasso, abandonando
os irmãos em sua solidão. Tendo, porém, encontrado Jesus, ele retornam de
imediato para a comunidade que tinham abandonado. Eles tinham fugido da fraternidade desamparada,
fixado sobre a lembrança de um morto, mas agora eles encontraram o Vencedor da
morte eles se tornam para sempre solidários daqueles que creem em Jesus
ressuscitado. Voltaram a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que
estavam com eles. Belas lições desta passagem dos peregrinos de Emaús. Da
decepção passam eles para o júbilo mais esfuziante ante o encontro com Jesus.
De tristes e sem coragem, se tornam vibrantes, entusiastas comunicativos, pois
viram o Messias que devia salvar Israel e toda a humanidade. Note-se que Jesus
chegou a eles lá onde eles menos o esperavam, ou seja, no meio de seu caminho, no
meio de seu desespero. Estavam centrados na sua decepção, no seu sofrimento
pessoal, a ponto de não reconhecerem de pronto o Senhor. Seus olhos estava
obnubilados e não viram Jesus. Estes teve toda paciência e perseverança para os
fazer compreender o que havia de acontecer e, de fato, ocorreu. Jesus caminhou
com eles, chegou até um vilarejo e fez que ia continuar o caminho e sabia bem
que nesse momento seus corações estavam tocados e que eles tinham desejo de
saber mais, de falar mais com Ele. Jesus teria podido entrar diretamente com
eles na casa, mas lhes ofereceu a ocasião de O convidar para isto. Jesus não se
impõe, ele se propõe! É o discípulo que deve desejar estar perto dele. Ele
respeita sempre a liberdade humana de seu seguidor. Ele então pôde se revelar
na fração do pão, porque os seus coações então estavam preparados. Eles estavam
descentralizados de si mesmos e podiam receber a verdade da presença de Deus.
Eles estão agora prontos para reconhecer o Senhor ressuscitado. Jesus pôde
então desaparecer porque sua presença estava viva pela fé no fundo de seus
coações. Esta verdade, esta Boa Nova é então fonte de profunda alegria e eles
vão ser arautos de tudo isto. Este episódio deve tocar profundamente nossa vida
espiritual com todas essas mensagens. Jesus está presente na Hóstia consagrada
e cumpre viver esta realidade em plenitude, vivificando com ela a nossa vida
diária. Como os discípulos de Emaús digamos sempre a Jesus “ficai conosco Senhor
Jesus” Professor no Seminário da Mariana
durante 40 anos.