segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO

O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO
Côn. José Geraldo Vidigal de Caralho*

Logo que Jesus começou a pregar, segundo São Mateus Ele proclamou: “Convertei-vos porque o reino dos céus está próximo (Mt 12-23). O reino dos céus, ou seja, o reino de Deus, como se expressam os outros evangelistas. Surge então de plano esta indagação: Em que consiste este reino pelo qual imploramos quando recitamos o Pai Nosso. Esta é, de fato, uma prece repetida tantas vezes: “Venha a nós o vosso reino”. É de se observar primeiramente que este reino não é identificável com um lugar ou algum território delimitado. Em grego ele designa a ação ou o fato de reinar. Quando então Cristo nos diz que o reino dos céus está próximo Ele quer nos fazer compreender que Deus envolve o homem no coração de sua vida, no cerne de sua condição humana, e, deste modo, no centro de seus sofrimentos e de todos os seus problemas. É o que está expresso no salmo 139: “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto: de longe percebes os meus pensamentos. Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos. Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor” (Sl 130, 1-4). Cumpre, contudo, não esquecer que Deus vem a nós de uma maneira que nos ultrapassa sempre. Ele chega com uma generosidade infinita, com sua misericórdia sem limites, com riquezas ilimitadas. Ele se aproxima com a superabundância de sua grandeza, exercendo seu poder real além de qualquer esperança humana. Entretanto, nem sempre se está atento a esta realidade sublime e desta forma não se deixa que Ele aja na plenitude de sua grandiosidade de acordo com as precisões de cada um. Ele acolhe e escuta as preces de seus filhos e contempla todas as suas necessidades. Ele quer atuar naquilo que é o mais profundo das aspirações de cada um. Contudo, Jesus deixa claro que há uma condição: “Convertei-vos”. O ser humano é contingente, limitado, inclinado para o mal por força do pecado original e precisa, realmente, de uma metanoia constante, isto é, de se converter para as coisas do alto, desapegando-se de seus erros, de seus pecados, de suas revoltas contra o seu Criador. Apenas assim Deus pode reinar no coração de suas criaturas. Por não tomar conhecimento de que o Reino de Deus está no seu meio há a tendência de pensar neste reino lá na eternidade, na felicidade sem fim. Voltado para um futuro longínquo, o cristão passa a ignorar a inefável atual presença de Deus na qual deve estar envolto. Cristo lançou uma verdade capital, ou seja, é agora, no momento presente que já se deve degustar a luminosidade deste reino, como condição, aliás, de possuí-lo após a passagem pela porta da morte. É um grande equívoco pensar que se vive em um tempo, o tempo de hoje, o tempo da terra e que depois se passará para outra situação que é a eternidade. O estado de conversão, porém, situa o cristão numa realidade que continuará após sua passagem por esta terra. O reino de Deus começa aqui e agora! Através do hoje vivido numa espiritualização contínua os tempos eternos estão já vividos. Após a morte, o homem não passa desta terra a  outro lugar, mas prossegue a viver o que existia já no fundo de sua vida terrestre por meio  de uma conversão ininterrupta que o leva à união com o seu Senhor. A teologia ensina que a graça santificante na qual deve viver o discípulo de Jesus é a semente da glória sem fim. É o reino de Deus já existindo no íntimo de cada um crescendo initerruptamente segundo o processo de conversão ao qual o cristão se entrega. É necessária a atenção às primícias deste reino já vivido neste mundo, primícias da vida eterna. O que Jesus então propõe a seu seguidor é ter o olhar fixo neste tesouro imenso que é sua presença na alma através da graça santificante na qual se deve crescer continuamente através de uma conversão perseverante.No dia do Batismo houve já a inauguração da vida eterna para cada cristão. Este vida eterna já começou em nós na medida em que se presta atenção nas realidades sobrenaturais e se vai progredindo na prática das virtudes. É assim que se usufrui plenamente da beatitude do reino dos céus e de sua iluminação. Assim sendo, nunca se reflete demais no conselho dado pelo divino Redentor: “Convertei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. Daí uma luta sem trégua contra o pecado numa fuga destemida de todas as ocasiões que conduzem à perda deste reino de Deus. * Professor no Seminário de Mariana, durante 40 anos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS ATUAIS

SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS ATUAIS
 Côn José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Ante a turbulência reinante no contexto atual no qual campeia um horripilo  desprezo pela vida humana,  mais do que nunca é preciso  ir até Jesus. A imprensa registra a cada hora os crimes mais hediondos. A luta fratricida entre os traficantes de drogas e os desvios astronômicos do dinheiro público estão a amostrar que mais do que nunca os valores do Evangelho precisam ser cultuados, vividos. Apenas Aquele que é “Caminho, Verdade e Vida”, é capaz de fazer reinar a imperturbabilidade, afastando todo sofrimento e desesperança. Ele ajuda a cada um a tirar o pecado do fundo de seu coração, porque Ele tem compaixão daqueles que Ele remiu com seu sangue precioso. Ele oferece a paz para os esposos, para os filhos com relação aos seus pais, para os jovens que estudam, para cada um  no seu lugar de trabalho cotidiano. Jesus, o Cordeiro de Deus, une a todos no mesmo liame, formando um só corpo, um só espírito. Isto, porque Cristo afasta as contestações, as calúnias, as perseguições, as intransigências. O mal campeia em todos os lugares com violência destruidora e onipresente. Contemplamos a marginalização de grandes setores da sociedade, a exploração dos mais fracos, a pobreza fruto da cupidez dos gananciosos, os salários de fome, a penúria num mundo cheio de riquezas, a competição desleal, as monstruosidades cometidas por certos políticos, o trabalho escravo até das crianças, a desigualdade entre homens e mulheres, a despudorada falta de modéstia que leva a tantos estupros. Além de tudo isto, se acrescentem a infidelidade, o divórcio, o orgulho, a inveja, a vingança, enfim inúmeros outros crimes e erros. Deles só o Cordeiro de Deus pode livrar o ser humano, fazendo reinar o equilíbrio psicossomático. A Bíblia nos diz claramente que o projeto de Deus é um plano de felicidade para todos e que o pecado é uma triste realidade que somente o divino Redentor pode inteiramente vencer. Sua salvação deve chegar até as extremidades da terra. Por tudo isto nada melhor do que pedir: “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, dai-nos a paz". Ele oferece, de fato, tudo o que o coração humano pode desejar, promovendo uma reestruturação social, impedindo catástrofes ainda maiores. Esta paz que  o Senhor Jesus oferece inclui a luta contra a poluição sonora que promove uma loucura homicida com um barulho infernal causando agitação. Surgem os problemas neurológicos que podem levar até à demência. Carros de sons a fazerem ofertas as mais estapafúrdias, ruídos de motos estridentes, tudo isto  num desrespeito total ao cidadão. Nunca é tarde, porém, para se lutar contra estas aberrações. Cumpre criar formas de resistência, isto é, estabelecer um poderoso anteparo contra os males hodiernos através do aprimoramento do senso crítico, de momentos de reflexão profunda, de saudável fuga do barulho externo, estressante e desagregador e de uma escolha sábia de políticos honestos e clarividentes. *Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

JESUS, O CORDEIRO DE DEUS

JESUS, O CORDEIRO DE DEUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Admirável o testemunho de João Batista apresentando em alguns versículos uma visão de fé na pessoa de Jesus e sua obra (Jo 1,29-34). Ressaltam os hermeneutas que Ele apresenta Cristo como o Cordeiro de Deus, o Portador do Espírito Santo, o Eleito, o Filho de Deus. A imagem do Cordeiro de Deus é em si mesma uma síntese da história da Aliança do Antigo e do Novo Testamento. Evoca, com efeito, o Cordeiro Pascal do Êxodo, cujo sangue colocado na entrada de cada casa dos hebreus, os protegeu na noite de sua libertação. Além disto, lembra o Servidor sofredor ao qual aludiu o Profeta Isaias, que levado à imolação como um cordeiro tira os pecados de seu povo. Na verdade, Ele o Cordeiro vencedor que, segundo os apocalipses judaicos devia destruir o mal neste mundo. Enquanto Deus, este Cordeiro, Verbo Encarnado, existe antes dos séculos e afirma então São João: “Dele é que eu disse que passou adiante de mim, porque existia antes de mim”. Jesus dirá um dia aos fariseus: “Antes que Abrahão existisse, eu sou” (Jo 8,58). No seu último entretenimento com o Pai Ele suplicará: “Glorifica-me junto de ti com esta glória que tinha junto de ti antes que o mundo viesse a existir” (Jo 17,5). Adite-se que o Espírito Santo desceu sobre Jesus no batismo e com Ele permanece durante sua trajetória terrena. Aliás, o livro do Profeta Isaías anunciara que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias, oriundo do tronco de Jessé e que Deus colocaria seu Espírito sobre seu Servidor, o Eleito que teria sua complacência. João Batista, com insistência, volta seu olhar para Jesus, o Enviado, o Filho de Deus, e era isto que ele fielmente atestava. É a esse Jesus, o Cordeiro de Deus que é preciso servir para que se construa a paz. É a Ele que é necessário amar com todas as forças, de todo coração. É Ele que o Pai nos deu como Redentor, como Irmão, como Companheiro de jornada. Importante, portanto, o testemunho do Precursor, pois aí está o ponto de partida da fé em Cristo, o Messias. Esta mensagem joanina foi desde o início do cristianismo meditada e muitas pinturas dos primeiros séculos representaram São João Batista apontando para Jesus, como que a proclamar: “Há ente vós alguém que vós não conheceis e é ele o Cordeiro de Deus”. Até hoje nas Missas o sacerdote, mostrando o Corpo de Cristo, repete as mesmas palavras do Precursor: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Belas as aclamações que se seguem: “Cordeiro de Deus, tende piedade de nós, dai-nos a paz”. Ele, somente Ele, é capaz de perdoar, de conceder a imperturbabilidade, afastando todo sofrimento e desesperança. Jesus então ajuda a cada um a tirar o pecado do fundo de seu coração, porque Ele tem compaixão daqueles que Ele remiu com seu sangue precioso. Ele oferece a paz para os esposos, para os filhos com relação aos seus pais, para os jovens que estudam, para cada um no seu lugar de trabalho cotidiano. Jesus, o Cordeiro de Deus, une a todos no mesmo liame, formando um só corpo, um só espírito. Isto, porque Cristo afasta as contestações, as calúnias, as perseguições, as intransigências. O mal campeia por toda parte com violência gratuita e onipresente. Contemplamos a marginalização de grandes setores da sociedade, a exploração dos mais fracos, a pobreza fruto da cupidez dos gananciosos, os salários de fome, a penúria num mundo cheio de riquezas, a competição desleal, os desvios do dinheiro público, o trabalho escravo até das crianças, a desigualdade entre homens e mulheres, a despudorada falta de modéstia que leva a tantos estupros. Além de tudo isto, se acrescentem a infidelidade, o divórcio, o orgulho, a inveja, a vingança, enfim inúmeros outros crimes e erros. Deles só o Cordeiro de Deus pode livrar o ser humano, fazendo reinar a santidade por toda parte. A Bíblia nos diz claramente que o projeto de Deus é um plano de felicidade para todos e João Batista vem nos lembrar de que o pecado é uma triste realidade que somente Jesus pode inteiramente vencer. Sua salvação deve chegar até as extremidades da terra (Is 49,6). Por tudo isto nada melhor do que pedir: “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, dai-nos a paz". Ele oferece, de fato, tudo o que o coração humano pode desejar. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

ANO NOVO, NOVAS PERSPECTIVAS

ANO NOVO, NOVAS PERSPECTIVAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O início de um novo ano propicia uma reflexão sobre o bom emprego do tempo. Infelizes aqueles que malbaratam os dias de sua vida, os quais são dons preciosos que Deus lhes concede. O ideal de quem tem bom senso é utilizá-los do melhor modo possível, transformando o momento presente em contínua possibilidade de progresso em todos os aspectos. Para isto é preciso,, antes de tudo, ter consciência de que o tempo passa e a eternidade se aproxima, seja qual for a idade que se tenha. O ser humano nasce não para esse mundo, mas para a situação que não terá fim na outra vida. Entretanto, ser eternamente feliz, ou não, depende do modo como cada um agiu enquanto esteve nesta terra. Daí a importância do agora, dado que nem o passado, nem o futuro nos estão no poder de cada um. É no instante atual que se pode reparar erros cometidos e abrir as portas do céu. Isto através de uma conduta correta e bem de acordo com a vontade divina. É um risco colocar em jogo uma sorte eterna por causa de veleidades passageiras, ilusórias ou, até, pecaminosas. Bem diz o ditado: “Para dia basta sua tarefa”. Esta deve ser realizada dentro dos parâmetros da retidão, da virtude com determinação e coragem. O combate à frivolidade se faz necessária e a fuga da ociosidade é uma questão de fundamental valor. O pensamento de que não se sabe nem o dia, nem a hora em que a morte virá é um saudável meio para um aproveitamento sábio do tempo. Deus exige fidelidade total a Ele e todo cuidado é pouco, pois a vida passa celeremente de uma maneira que escapa ao poder do ser racional. Donde uma atenção ininterrupta para fazer o bem e evitar o mal. Sem agitações, mas na calma o fiel ao fazer o seu exame de consciência no final de cada dia deve examinar se sua caminhada foi ascensional, ou não, rumo à Jerusalém do alto. Outro meio então a ser empregado é uma radical dependência de Deus, evitando tudo que não esteja de acordo com sua vontade santíssima. Sabedor o cristão de sua fraqueza, ele  busca na oração as forças necessárias para avançar na pratica de todas as virtudes. Com sumo discernimento vai cortando tudo que é inútil em seu derredor, sobretudo programas da televisão ou dos outros meios de comunicação social que levam ao esvaziamento interior e acabam conduzindo ao erro e a tudo que contraria Lei de Deus. Trata-se de um combate firme à cegueira espiritual propiciada pelo mundo. Este oferece falsas ideias sobre a santidade a qual precisa ser o ponto de mira de todo cristão, levando a muitos a se julgarem perfeitos, quando, na verdade, estão cheios é de defeitos e estes lhes escampam e se fixam. Daí uma ilusão perniciosa. Eis por que é necessário implorar sempre a iluminação divina para “saber o que é reto”,  como se pede na prece pela qual se invova o Espírito Santo. Este dissipa a cegueira da alma, afasta o orgulho, a sensualidade e outros vícios. Deixar-se guiar pela  luz divina é a maneira certa para enxergar as realidades eternas. Então o cristão não traz os outros à barra de seu tribunal e não se torna juiz nem de sua própria conduta a qual deve estar sempre pautada pela vontade de seu Senhor. Donde a sabedoria de quem sempre pede a Deus para o aclarar por toda parte e em todas as suas ações, para que, depois, possa também iluminar as veredas do próximo. Então, sim, Deus mostra a quem assim procede a magnitude das coisas da eternidade, as quais só são vislumbradas com os clarões celestiais. Portanto, para que o Ano Novo seja feliz tudo deve ser feito sob as inspirações do Divino Espírito Santo que olha para a humildade de seus filhos que compreendem seus desígnios, usando bem os dons que Ele comunica a cada instante aos de boa vontade. Estes saberão sempre distinguir o que fazer para transformar o Ano Novo através de um procedimento fulgurante que conduzirá à eterna bem-aventurança. Durante todo o 2017 é bom recordar do sábio conselho de Rui Barbosa: “Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se da alma pelo contato com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua sobre o mundo onde labutamos”.  Trabalho realizado com eficiência e competência, pois em tudo se está a serviço dos outros* Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

COMO MARIA MEDITAR AS MARAVILHAS DE DEUS

COMO  MARIA MEDITAR AS MARAVILHAS DE DEUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Caralho*

No primeiro dia de 2017 o Evangelho nos coloca na companhia de Maria e José e dos pastores que foram pressurosos até Belém encontrando o Menino Jesus reclinado numa manjedoura (Lc 2,16-21). Eles foram fiéis ao anuncio que lhes viera através dos anjos e louvam a Deus.  Maria retinha tudo em seu coração e meditava sobre as maravilhas divinas então realizadas. Belíssima lição para o início de mais um ano na vida de cada um. Na sua munificência o Criador oferece uma nova trajetória na solenidade de Maria, a Mãe do Redentor, o Príncipe da Paz nesta data da Fraternidade Universal. A exemplo de Maria cumpre ponderar a responsabilidade por receber esta dádiva celeste de mais trezentos e sessenta e cinco dias que começam, durante os quais os fiéis são chamados a irradiar a serenidade por toda parte, tocando os corações com uma fé profunda sob a proteção de Maria. Bela missão à qual se deve entregar com denodo para a glória de Deus e bem das almas. Ano por excelência mariano, ressaltando-se, no dia 13 de maio, os cem anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima, numa caminhada de perseverança na realização das mensagens de conversão advindas da Cova da Iria. Como outrora Jesus se manifestou aos humildes pastores, Maria o fez a três pobres pastorzinhos mostrando para a humanidade as veredas da justiça que flui do retorno radical para Deus. Adite-se a celebração já tão solenemente preparada dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba por simples pescadores, mostrando também a predileção do Criado para com os simples, os humildes, os pobres. 300 anos de maravilhosas graças para todo o Brasil, ancorado na força do Evangelho, guiado pela proteção da Virgem Aparecida. Maria já no raiar de 2017 a nos mostrar seu divino Filho e a concitar a todos a um ano de maior progresso espiritual, de mais santidade existencial no cumprimento dos deveres cotidianos, na observância constante dos preceitos do Senhor. Passar estes dias numa fraternidade aberta a todos, num apostolado vibrante para que a salvação oferecida por Cristo não se torne inútil aos que se extraviam do bom caminho por Ele traçado. A exemplo de Maria, dando a Deus uma resposta de amor. Maria convida a todos nós a valorizarmos ao máximo os acontecimentos de 2017 à luz do Evangelho. Se ocorerem as provações enviadas pela Providência divina que ninguém se esqueça de que Deus está sempre no cerne da vida de seus filhos e os ajuda a transformar tudo em méritos para a eternidade. Como bem se expressou São Paulo nada nos pode separar de sua dileção. A confiança na proteção de Maria deve levar a um olhar otimista sobre si mesmo e sobre os outros. Este primeiro de janeiro é um apelo a uma abertura para o futuro que Deus oferece.  Este ano será o que Deus quiser, mas também o que cada um fará colaborando com as graças que Ele oferecerá em abundância aos de boa vontade. Tal o alerta do Apóstolo Paulo: “Nós somos mais do que vencedores por Aquele que tanto nos amou”. Maria e José deram ao Menino o nome de Jesus, que significa o Salvador poderoso em todas as circunstâncias da vida. É preciso nos deixar guiar por Ele, meditando como Maria as maravilhas que há em nosso derredor. Num contexto marcado pela aceleração da História, onde tudo passa rapidamente, será bom refletir a cada dia em nosso coração os acontecimentos de mossa vida. Que nada nos afaste de Deus. Diante de todos está a santa Mãe de Jesus que viveu intensamente sua vocação e executou até o fim sua missão de corredentora da humanidade. Por tudo isto nada melhor do que durante todo este novo ano viver o sábio conselho de São Paulo: “Que vos comporteis de maneira digna da vocação a que fostes chamados, em toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos mutuamente com caridade, pressurosos em manter a unidade do espírito mediante o vínculo da paz”. Então, sim, este será um 2017 venturoso para cada um e para todos que estiverem em nosso derredor. Como Maria saibamos meditar as maravilhas de Deus! *Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O VERBO DE DEUS HABITOU ENTRE NÓS

O VERBO DE DEUS HABITOU ENTRE NÓS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O nascimento do Menino Jesus foi uma novidade ímpar dentro dos acontecimentos históricos. Um encontro maravilhoso se deu então. Fulgurou a ternura de Deus para com a humanidade De fato, o anjo que apareceu aos pastores lhes deu a boa nova: “Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria para todo o povo. Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, o Salvador que é o Cristo Senhor”. (Lc 2,11). Foi uma notícia que revolucionou profundamente a História que ficaria dividida como antes ou depois de Cristo. É que aquele Menino anunciado pelo mensageiro divino era o Esperado das nações predito pelos Profetas, Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Príncipe da Paz, o Emanuel, ou seja, o Deus conosco. Seu aparecimento neste mundo criou definitivamente um horizonte novo, definitivo e que nunca mais deixaria de marcar a trajetória humana nesta terra. Com Ele o júbilo e a luz brilharam neste mundo, afastando a tristeza e as trevas para todos que O recebessem através dos tempos com fé e amor. Para os pastores foi um extraordinário encontro (Lc 2,12). Entretanto, no futuro todos os que nele reconhecessem o Filho de Deus salvador O deparariam em todo instante de suas vidas. Isto nas mais variadas circunstâncias, como na Eucaristia, na figura de cada irmão. O inefável encontro dos Pastores com o divino Redentor se multiplicaria para o cristão que estivesse sempre a Ele aderido, nunca dele se afastando. Desde seu nascimento Jesus atrairia uma multidão de todo o mundo, como breve iria acontecer com a visita dos Magos, vindos do oriente. Sua luz atravessaria as fronteiras religiosas e sociais, garantindo aos que Lhe fossem fiéis uma eternidade feliz, dado que Ele veio para abrir as portas do Paraiso perdido. Além de tudo isto, o Natal é uma solenidade que envolve a todos na ternura de Deus que se manifesta no esplendor de uma criancinha deitada numa humilde manjedoura (Jo 1,16).  O Papa Francisco alertou que “não devemos ter medo da bondade, e mesmo da ternura”. É da imensa comiseração divina que o Presépio fala a toda a humanidade. Daí o motivo pelo qual se deve chegar até o Divino Infante envolto na mais total e absoluta confiança. Deus nos amou e habitou entre nós! Eis por que o Papa assim se expressou se referindo a Belém: “É lá que aparece a ternura de Deus, a graça de Deus”. Em Jesus, através de sua humanidade, o Criador toca o coração daquele que crê. Foi o mais maravilhoso estratagema amoroso que o Ser Supremo inventou para nos seduzir, para afastar todas as falsas imagens que dele se possa ter no que tange sua comiseração infinita. Então se compreende o que disse Santa Teresinha de Lisieux num momento de pulcra inspiração: “Eu não posso temer um Deus que se fez por mim tão pequenino. [...] Eu O amo, porque Ele não é senão amor e clemência”. No fundo é esta ternura de Deus a chave do mistério inexprimível do Natal. São João com toda razão pôde escrever: “Deus é amor” (1 Jo 4,8). Dado ter sido tão grande esta dileção divina, que devemos não apenas retribuir este amor, porque “amor com amor se paga”, mas ainda irradiar por toda parte a ternura de nosso Deus, amando-nos uns aos outros. O cristão deve ser por toda parte arauto daquela serenidade anunciada pelos anjos: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14). É necessário, realmente, penetrar no sentido grandioso do Natal, para que este fato possa  transfigurar nossas vidas, fazendo o mundo mais feliz. Aproximemo-nos de Jesus, mas deixemos também que Ele esteja bem próximo de nós, lá no íntimo de um coração sincero, numa forte adesão a Ele de todo nosso ser. É preciso que nossas opacidades, nossas fraquezas, nossas dubiedades não nos afastem do Natal. Cumpre lembrar sempre que a alegria natalina não é uma conquista humana, mas um dom de Jesus. Assim sendo, “alegremo-nos porque nasceu-nos o Salvador que é o Cristo Senhor”. [...] “O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Entretanto cumpre que não nos esqueçamos  de que Deus se fez homem para que  os homens fossem mais humanos e para a todos mostrar o caminho da fraternidade que é fonte do júbilo e da paz que caracterizam o seu Natal * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CONCEPÇÃO VIRGINAL DE JESUS

CONCEPÇÃO VIRGINAL DE JESUS
                                               Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Após a figura de João Batista o Advento nos lança na história de Jesus com a presença de José e de Maria (Mt 1,18-24). São Mateus trata da origem, da ação de Deus quando na plenitude dos tempos, o Verbo Eterno se encarnou e habitou entre os homens. Este Deus é Todo-Poderoso, Senhor dos acontecimentos históricos na existência humana neste mundo. Maria já estava desposada com José e antes de habitarem juntos ela, por ação do Espírito Santo, havia concebido virginalmente Jesus. Ante a perplexidade de São José um anjo vem e o põe a par dos planos salvíficos, pois Jesus salvaria a humanidade de seus pecados. Enorme a felicidade de São José ao escutar as palavras do embaixador divino: “Não temas receber contigo Maria tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo”. Ficara então clara a iniciativa da Providência de Deus. Na sua narrativa São Mateus, no início de seu evangelho, teologicamente explica os fatos e mostra que Jesus veio a ao mundo na linhagem de Davi: “Jacó gerou a José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus que se chama o Cristo” (Mt 1,16). Isto estava plenamente de acordo com a expectativa do povo judeu e acontece por intermédio de São José que adota Jesus legalmente como filho. Ele era o Messias prometido, nascido de uma virgem como havia predito Isaías (Is 7,14) e pertencente à casa de Davi, graças a São José. O nome que este deu ao menino era pleno de sentido, pois Jesus significa o “Senhor que salva”. Era o Salvador que ofereceria uma libertação de ordem moral e espiritual, promovendo a restauração do liame entre o homem e Deus. Na verdade, uma libertação universal que se estenderia a todos os que pela fé se tornariam filhos de Abraão. Era o Emanuel, o “Deus conosco”, Deus presente de modo especial nos acontecimentos futuros. Tal seria a missão do divino Redentor. Ele caminharia com aqueles que Ele redimiria, a saber, os reconciliados com o Pai. Aliás, o próprio Jesus, depois de cumprir sua tarefa salvadora, antes de sua ascensão aos céus, enviou os seus discípulos a todas as nações, lhes disse: “E eis que eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo” (Mt 28,20). Entretanto, se Jesus cumpriu inteiramente seu ministério messiânico, grandes foram as lições que São José legou para os seguidores de Cristo. Como ressaltou São Mateus ele era um homem justo, ou seja, correto, santo. No sentido bíblico, uma pessoa coerente com sua fé, maleável às inspirações divinas, inclinado por isto mesmo a fazer em tudo a vontade de Deus, conformando-se aos seus desígnios. Eis por que logo que o essencial do plano divino lhe foi revelado imediatamente ele recebeu sua esposa. Daí por diante seria o custódio, o guarda de Maria e de Jesus. Como foi dito, devido a ele, Cristo seria legalmente ligado á linhagem de Davi e em Jesus de Nazaré se poderia reconhecer o Cristo de Deus, anunciado pelo profeta Isaías. A exemplo de São José é preciso que todo cristão saiba acolher as iniciativas de Deus sem O transformar para nós num mero satélite e sem O querer a nosso serviço. É o ser humano que deve fazer girar sua vida em função de seu Senhor e estar sempre adaptado a Ele. Muitos querem, por vezes, enquadrar Deus nos seus esquemas mentais. Cumpre deixar este Deus agir na vida de cada um. José seria submetido a outras provações como na fuga para o Egito, na perda do Menino Jesus em Jerusalém, no seu labor humilde e cansativo na sua oficina em Nazaré, mas se apresentou sempre com a mesma discrição e submissão aos intuitos celestes. Inúmeros são aqueles que diante de situações difíceis para si, para a comunidade em que vive, para a Igreja em geral, se desesperam e se revoltam. Intransigentes não esperam a hora de Deus, rezando e fazendo com discrição o que está a seu alcance para solucionar os problemas. Deste modo os conflitos familiares, no setor de trabalho, nos momentos de diversão, seriam mais facilmente superados.  Por vezes não há discernimento dos fatos e solidariedade com os outros. Falta-lhes a maneira de agir de São José. Na preparação para o Natal tudo isto deve ser considerado, operando uma mudança de mentalidade para que frutuosas sejam as graças natalinas. Peçamos então a São José que com Maria nos acompanhe até o Presépio e no dê  a graça de corresponder às inspirações divinas para sermos salvos por Jesus, o Emanuel, o Deus conosco. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.