terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ENTREVISTA

    ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL “ANGELUS”, DO GRUPO JOVENS SEGUIDORES DE CRISTO DA PARÓQUIA DE SANTA RITA DE CÁSSIA EM VIÇOSA- mg

  1) Senhor Cônego, como e quando foi o chamado a vida sacerdotal?
Desde criança dizia que queria ser padre como o Pe. Álvaro Correia Borges, Pároco de Viçosa. Meu pai, que foi médico em Viçosa durante mais de 40anos, muitas vezes ao passar perto da antiga Igreja Matriz de Santa Rita então me falava: “Se você quer mesmo ser padre, sobe até junto do altar e pede esta graça a Jesus”. Terminado o Curso Primário na Escola de Profa. Argina Silvino Ferreira fui para o Seminário.
 2) Sabemos que são muitos, mas poderia nos dizer um fato que foi de grande importância em sua vida sacerdotal?
Ter sido 40 anos professor no Seminário de Mariana  e ter morado com Dom Oscar de Oliveira durante seu episcopado em Mariana, tendo dirigido por 35 anos o jornal O ARQUIDIOCESANO.
      3) O senhor que “dirige” um grupo de jovens, qual foi o sentimento   ao se encontrar com a “papa da juventude”, o nosso amado beato João Paulo II?
O encontro com o bem-aventurado João Paulo II, por ocasião de um Congresso em Roma, no qual fiz uma palestra sobre a Imprensa Católica no Brasil, foi um momento de grande emoção, por estar na presença de um santo, sucessor de São Pedro no governo da Igreja.
      4) Como o senhor se sente, com relação à sua missão enquanto padre, após completar 80 anos de vida?
Muito feliz por ter trabalhado sempre na evangelização em Mariana e em Viçosa..
      5) O senhor encontra ou já encontrou alguma dificuldade em ser o Diretor Espiritual do JSC?
Antes do JSC tivemos o GGJ (Grupo de Gente Jovem) e o primeiro grupo juvenil de Viçosa, o GJV (Grupo Jovem de Viçosa), e agora o JSC e só tem havido júbilo por ver o desejo dos jovens em serem outros Cristos, realizando um apostolado admirável junto da juventude viçosense.
     6) Senhor Cônego, fale para nós sobre o significado do JSC em sua vida.
Se alguém quer ser sempre jovem, viva entre jovens idealistas. No JSC se bebe o elixir da eterna juventude, porque lá estão Jovens Seguidores de Cristo e Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida! Não foram comemorados 80 anos, mas 20 anos vividos 4 vezes.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

UM NOTÁVEL PROJETO

UM NOTÁVEL PROJETO
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A preservação da memória histórica de Minas Gerais é um dos mais louváveis esforços que estão recendo apoio de mestres abalizados e de entidades culturais. Ainda agora a Dra. Karla Denise Martins, do Departamento de História da Universidade Federal de Viçosa  teve um projeto aprovado pelo MEC/PROEXT para inventariar objetos, documentos e materiais diversos dos missionários da Congregação da Missão no século XIX, com ênfase na figura de D. Viçoso. Tudo será organizado no Santuário do Caraça, um dos ícones da religiosidade mineira. A historiadora  Professora Karla Denise Martins tem duas teses defendidas na Unicamp e, entre outras atividades, se preocupa com os problemas de restauro e perda da memória histórica em nosso país. Viçosa honra Dom Viçoso com seu significativo topônimo. Monsenhor Raimundo Trindade, notável Historiador Mineiro, no seu livro Instituições  de Igrejas no Bispado de Mariana, publicação número 13 do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, editado pelo então Ministério da Educação e Saúde no ano de 1945, à página 277, tem o seguinte registro: “ Santa Rita do Turvo. Capela filial do Pomba elevada a freguesia pelo decreto de 14 de julho de 1832 com as filiais São José do Barroso e Conceição do Turvo. – Instituída canonicamente por provisão episcopal de 31 de agosto de 1833. Primeiro vigário (encomendado) Agostinho Isidoro do Rosário, promovido a colado por  Carta da Presidência da Província de 23 de fevereiro de 1837, colado a 1 de abril; Manuel Filipe Neri, apresentado por Carta Imperial de 16 de agosto de 1861 e colado a 11 do mês seguinte. É a cidade de Viçosa, nome que lhe foi dado me homenagem ao Bispo  Dom Antônio Ferreira Viçoso”.  A Evangelização em Minas Gerais no século XIX empreendida por D. Viçoso foi feita à luz do ultramontanismo e desencadeou um processo de reforma durante três décadas, a qual produziu frutos opimos. O que se deu foi uma reforma necessária da  vida do povo cristão, deformada por força  da ausência de uma constante orientação da hierarquia da Igreja, cuja presença se fazia urgente na vasta província, de modo sistemático e contínuo, o que ocorreu graças ao empenho de D.Viçoso. A renovação que D. Viçoso procedeu fustigou uma religião rotineira, frouxa e implantou uma nova mentalidade cristã de vivência plena do Evangelho. Cristianizou a romaria popular do Bom Jesus de Matozinhos de Congonhas, orientando os romeiros para uma manifestação de uma fé mais vigorosa.  A Igreja mineira da segunda metade do século XIX estava comprometida com os pobres e lutou também contra as formas de opressão presentes no sistema escravocrata. D. Viçoso esteve sempre ao lado dos excluídos. Grande o seu esforço coroado de êxito, no sentido de afastar a defasagem entre o prescrito no Evangelho e o vivido no cotidiano pelos que se diziam cristãos. A grande operosidade desdobrada pelos missionários na formação da índole mineira renovou o espírito evangélico nesta vasta região. As pregações dos missionários orientados por D. Viçoso visaram uma autêntica conversão que foi se dando lenta, mas progressivamente. O cristianismo começou a ser vivido mais profundamente, fazendo a evangelização dar passos firmes rumo ao amadurecimento da fé. Tanto isto é verdade que D. Silvério Gomes Pimenta sucessor imediato de D. Viçoso com precisão pôde assim sintetizar a atuação fecunda do Apóstolo de Minas: “Batalhou trinta e um anos, arrostou dificuldades bastantes a desalentar os mais ousados e sem tumulto, sem abalos estrondosos, obrando mais do que falando, a humildade de D. Viçoso executou uma transformação assombrosa” Legou uma “Minas moralizada e católica” a seus sucessores. Encontrou apenas um seminarista, mas graças ao seu empenho evangelizador, D. Viçoso ordenou cerca de trezentos sacerdotes imbuídos do vero espírito evangélico, que missionaram Minas e outras regiões do país com desvelo incomparável, notável ardor apostólico e excelentes resultados. As metas prioritárias do plano pastoral da Igreja mineira foram inteiramente atingidas até o final do século, graças ao modelo missionário traçado por D. Viçoso. Este objetivava sobretudo a nova encarnação de Cristo no espírito e nas realizações vitais dos mineiros. Por bem captar a dimensão da religiosidade brasileira, D. Viçoso pôde estruturá-la em bases sólidas, donde resultou os mais salutares efeitos. Por tudo isto aplausos à iniciativa da Professora Karla Denise Martins e todos que puderem intervenham para o êxito de seu nobre objetivo da criação de um Museu de D. Viçoso no Caraça. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.



sábado, 7 de dezembro de 2013

O ELOGIO DE JESUS AO PRECURSOR


O ELOGIO DE JESUS AO PRECURSOR
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A figura de São João Batista resplandece através dos tempos, sobretudo no grandioso panegírico, laudatório feito pelo próprio Cristo, um louvor realmente maravilhoso. Ele era um modelo a ser imitado.  O Mestre divino o apresenta como possuidor de caráter inflexível, que não se dobrava ao sabor do vento. Qualidade esta tão necessária no contexto atual àqueles que se dizem cristãos. Perante a agitação das idéias que são transmitidas pela mídia em geral, diante dos maus exemplos, das heresias que pululam por toda parte, muitos são aqueles que não têm a mesma energia, a idêntica intrepidez do seu Precursor. Este ostentou sempre uma vida austera, entregue a uma louvável penitência, longe do bulício do mundo, passando seus dias no deserto. Desde os tempos de João Batista até hoje o Reino dos Céus padece violência e apenas os destemidos conseguem atingi-lo. Tornam-se imunes às influências deletérias dos profetas do erro. Apenas com um salto de qualidade, superando as falsas atrações terrenas e as doutrinas falaciosas, é que se chega a um destino feliz por toda a eternidade. Aí o baricentro da existência daquele que se imerge na obra salvífica do Redentor, o centro de gravidade de todas as ações que abrirão as portas do Paraíso. Isto é tão importaste que o menor seguidor de Cristo se torna até maior do que João Batista, nas próprias palavras de Jesus. O Redentor veio, de fato, trazer ao mundo as mensagens de um Reino onde tudo é felicidade, o tesouro escondido, a pérola preciosa. Com Cristo a hora decisiva da História, anunciada por seu Precursor, que era mais do que um Profeta, já havia soado. Aceitar então Jesus seria uma condição essencial para se obter a salvação. Extraordinário o encômio que o divino Salvador fez a São João Batista, mas aparece claro que apenas com Ele, que era o Messias esperado, se realizava o tempo do cumprimento das promessas que o Precursor, como uma das mais notáveis figuras do Antigo Testamento, havia predito, mensageiro que era para preparar os caminhos do Salvador. Aliás, João, aquele que batizava e batizou o próprio Cristo, deixou clara a diferença entre as duas missões. Ele batizava com a água, mas Jesus batizaria no Espírito Santo (Mt 3,11). Isto significa que o batismo, sacramento instituído por Cristo, envolveria todo o ser humano na Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, como a água faz com o corpo na qual este é imerso. Batizar no Espírito definiu a obra essencial do Messias que veio regenerar a humanidade através de uma grande e universal efusão do Espírito de Deus. Então se compreende melhor ainda o que disse Jesus: “Em verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não surgiu nenhum maior que João Batista, contudo o mais pequenino no reino dos céus é maior que ele”. Jesus queria dizer que a excelência de João Batista ultrapassava a de qualquer outro, mas na nova Lei, visto que esta é de uma ordem superior, o último em respeitabilidade está acima do mais excelso em dignidade da Lei antiga. Trata-se da superioridade da plenitude da graça, por força da recepção total do Espírito Santo. Que responsabilidade então a do cristão! O elogio de Jesus a São João Batista O levou a ressaltar a grandeza de pertencer a sua Igreja por meio de seu batismo que comunica o Espírito de Deus. São Tomás de Aquino, contudo, advertiu que “há uma missão invisível do Espírito cada vez que ocorre um progresso na virtude ou um aumento da graça santificante através dos outros sacramentos”. Daí a necessidade daqueles que são maiores que João Batista de invocar sempre o Espírito Santo.  Jesus foi claro: “O Pai dará o Espírito Santo àqueles que O pedirem”. Então, sim, se poderá viver a realidade da fé, imitando as qualidades do Precursor, no crescimento no amor a Deus, na humildade, na austeridade, por meio dos carismas concedidos a cada um e dos frutos do Espírito. João Batista que foi chamado por Cristo como o maior dos Profetas ajudará a todo cristão de boa vontade a cumprir sua missão profética no mundo de hoje. João Batista anunciou não uma salvação futura, mais uma redenção presente, oferecida pelo Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Participando do múnus profético de Cristo pelo batismo, o batizado a exemplo de São João Batista, ultrapassa as barreiras da infidelidade a Deus, do escândalo das paixões descontroladas, das banalidades do luxo, do desprezo para com os mais necessitados. João Batista inaugurou uma nova profecia, a dos tempos da Igreja que consiste em anunciar a redenção, a revelar a atuação de Jesus num mundo paganizado, hedonista. Para testemunhar a Cristo é preciso o espírito de profecia que havia em São João Batista, anúncio contínuo das belezas do Evangelho refletido no testemunho de vida. Que sejamos profetas do Reino, como o foi o Precursor de Jesus! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA

A IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Mensagem especial lança a Virgem Imaculada no recesso de todos os corações no dia oito de dezembro. Ela, apenas ela, surgiu pura e ilibada desde o primeiro momento de suas existência e se levantou sobre as ruínas da humanidade, restaurando a dignidade da espécie humana. Tal a sina de todo homem que vem a este mundo: nasce com a mancha do pecado original. Este é um dos dogmas fundamentais da fé. Nele se acha a explicação do contraste terrível que existe no mais profundo de cada ser racional, manancial inditoso da ininterrupta luta do homem consigo mesmo. Aí está a gênese de todas as lágrimas, a fonte de todos os atos heróicos que enchem as estatísticas do bem, mas também a nascente de todas as misérias que rutilam nas crônicas do mal. Decadência de nossa natureza, fora dos planos divinos, o pecado original faz da travessia terrena arena de combate e torna a virtude uma conquista, a nobreza uma vitória, a moralidade um êxito brilhante. Torna o bem mérito; o mérito, glória; a glória, felicidade perene para os que impõem em sua existência o primado dos valores espirituais, sobre as tendências inferiores que, desgovernadas, materializam. A grandeza moral que no pensamento de Deus devia ser antes fruto espontâneo da natureza passou a ser beatificante, mas  se tornou árdua conquista de uma vida de esforços e lutas. Clamava Petrarca: “Vejo o melhor e ao pior me apego”. Antes dele Ovídio lamentava: “Vejo o que é melhor, provo isto, mas sigo o pior”, o que, na linguagem famosa de São Paulo, significa: “Sinto em meus membros uma lei que contraria a lei do meu espírito, pela qual me sinto inclinado a fazer o mal que não quero e não faço o bem que desejo" (Rm 7,23). São precisamente os clarões luminosos da magno triunfo sobre a desordem interior instaurada pelo pecado original que fizeram os grandes heróis e as vidas gloriosas dos santos que sob o ideal celestial, que é Maria Imaculada, realizaram a seu exemplo toda bondade, toda grandeza que Deus espera de cada um. Os santos tiveram que enfrentar grandes batalhas espirituais. No recesso do claustro São Bernardo, o poeta de Maria, sentia a fascinação terrível do mal. Santa Teresa, a preclara carmelita, percebia o encanto profundo das vaidades no fundo de seu convento. Na solidão do deserto Santo Antão jogava-se contra os espinheiros para se mortificar. Requintes de heroísmo surgem na vida de um São Francisco de Assis a se lançar contra a neve em pleno inverno, de um São Luis Gonzaga entre as mais rudes penitências, de um São Bento a multiplicar cilícios, porque os mais terríveis impulsos os queriam arrastar ao mal. Simão estilita, anacoreta que vivia longe do convívio social, para cantar o hino do triunfo, tinha a sua cela no cimo de colunas em ruínas, orando dia e noite. Santa Clara, na austeridade de vida, no rigor de mortificações assombrosas, ascendia à montanha da perfeição. Santa Azela, virgem em Roma e dentro de Roma e quando Roma era o maior teatro das delícias e vaidades do mundo fez da populosa cidade ermo, para espiritualizar-se na virtude. Na vida de todos os santos chamem-se eles Ambrosio ou Cipriano, Luzia ou Inês, Rita de Cássia ou Antônio de Pádua, na arena de seus corações houve sempre o magno combate. Hoje ostentam palmas e coroas, porque, lutando, fizeram a grande opção pela virtude, pelo bem, pela felicidade autêntica, pela grandeza genuína, ideais que contemplaram em Maria Imaculada. Com São Paulo puderam repetir no fim de suas vidas: “Combati o bom combate, guardei a fé, agora só me resta esperar a coroa que o justo Juiz me reserva” (2 Tm 4,7).Tudo isto alerta da Mãe celeste, pois a ascensão moral é tarefa árdua que só com a morte cessa. No épico combate cantam tais e tantas vitórias, conhecem tamanhos e tão nobres triunfos os que inspirados por ela se sobrepõem às aliciações da matéria e voam às alcantiladas regiões do espírito, através da renúncia e do sacrifício, atraídos e fascinados pela magnificência de sua celestial pureza. Tudo isto convite da Virgem Imaculada a que se imitem como tais santos sua santidade gloriosa e isto tanto mais se impõe ao cristão de hoje, quanto mais a humanidade se deixa empolgar pelas atrações terrenas. Propagar o reinado de Maria Imaculada na sociedade e nos lares, nas ruas e lugares de diversão, empolgar a todos pelo ideal da virtude, afastar a muitos da frivolidade indigna de almas imortais, fazendo surgir eflorescências de atos inspirados por Ela, é empreender uma cruzada, por excelência, evangelizadora. É uma obra  que leva à serenidade, à paz, à tranqüilidade, ao bem estar comum. É o mais nobre, o mais importante ideal que pode estadear-se para os filhos da Mãe Imaculada, pois significa prosperar a família e a nação e espiritualizar os indivíduos e a sociedade toda. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

        


AGRADECIMENTOS

A TODOS QUE ENVIARAM CUMPRIMENTOS PELOS 80 ANOS DE VIDA, 80 ANOS DE BATIZADO, 57 ANOS DE SACERDÓCIO, 51 ANOS DE CANONICATO, DATAS DO INÍCIO DE DEZEMBRO MIL AGRADECIMENTOS E COLOQUEI ESTES DIAS INTENÇÃO ESPECIAL POR TODOS. DEUS LHES PAGUE POR TANTO APOIO A ESTE HUMILDE SERVO DO JESUS CRISTO.
QUEM AGE E OPERA É A GRAÇA DE DEUS DA QUAL SE É POBRE INSTRUMENTO.
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

terça-feira, 26 de novembro de 2013

AGRADECIMENTO AO JORNALISTA JOSÉ MARIO RANGEL

Prezado  notabilíssimo Jornalista José Mário Rangel,
Entre as supresas que os 80 anos me tem reservado muito honrou a este sacerdote o seu artigo sobre o fato em tela.
Num momento como este, apesar de nossas divergências históricas sobre o glorioso 30 de setembro, quando em 1871 Santa Rita do Turvo foi elevada a Vila, início indiscutível de sua organização jurídica que a levaria a se tornar um das mais gloriosas cidades do Brasil e do mundo, data que tem sido  sempre festejada com pompa e circunstância pelos viçosenses, envio-lhe  meus sinceros  agradecimentos pela homenagem a este seu admirador.
 
Em todas as etapas de uma vida já longa tenho sempre em mente o que disse o Mestre divino: "Depois de terdes feito tudo que fizestes, dizei, somos SERVOS INÚTEIS ( Lc 17,10) . Na verdade, porém,nem sempre fizemos tudo que deveríamos fazer!
Louvo-lhe o interesse pelas datas cívicas de Viçosa, apesar de sua idiossincrasia pelo memorável 30 de setembro.
 
Amigos, amigos, opiniões à parte.
Com todo apreço e gratidão
 
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho 

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

UMA FÉ ESCLARECIDA

UMA FÉ ESCLARECIDA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Eis a questão que foi apresentada a este articulista, solicitando  um posicionamento: "Vez ou outra encontramos algumas correntes, ou seja, papel ou estampas de santos, dizendo para rezarmos determinada oração, tirar cópias e repassar para frente. Algumas vezes até dizendo que a corrente não pode ser quebrada, inclusive anunciando desgraças para quem interrompe tal corrente de preces”.  Em primeiro lugar, cumpre saber que é necessária sempre uma fé esclarecida. Esta repele de plano qualquer tipo de superstição. Jesus foi claro: “Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá” (Lc 11, 9-10). Quem então se dirige a Deus tem fé no seu poder e confiança na sua bondade. Jesus é o único mediador entre o Ser Supremo e os homens, mas a intercessão dos anjos, de Maria e dos santos, por causa dos merecimentos infinitos do divino Redentor, é valiosíssima e por meio deles graças extraordinárias são obtidas. Um erro teológico seria fazer promessas diretamente a Deus, a Cristo e a estes intercessores, porque não se pode transformar a religião num balcão de negócios. É logo que o orante deve se colocar em condições de receber as graças solicitadas e isto, antes de tudo e sobretudo, examinando se está ou não observando os mandamentos, tendo, assim, um procedimento correto. Uma vez, porém, obtida a graça é imprescindível o agradecimento que abre a porta para novos favores celestiais.  Muitas pessoas civilizadas e inteligentes do século XXI ainda se deixam porém, paradoxalmente, levar por inúmeras manifestações supersticiosas. O termo superstição vem do latim superstitio que significa o que sobrevive de épocas passadas. Acreditam muitos, de fato, ingenuamente, nas formas primitivas de interpretação dos eventos da existência neste planeta, próprios tais modos de ver de povos incultos que não conheceram o desenvolvimento social. A experiência científica avançou consideravelmente, mas crendices ainda povoam mentes que se infantilizam diante dos desafios da vida. Ainda se fala também em dias faustosos e aziagos, em pressentimentos tenebrosos, em forças ocultas que agem através de certos ritos inteiramente desconexos com a realidade dos fatos. O fatalismo impera em certas mentes que tudo atribuem a um determinismo que contradiz a reta Filosofia e a sã Teologia. É preciso ser invulnerável às atitudes destituídas de fundamento lógico ou bíblico. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.