quinta-feira, 12 de setembro de 2013

ELEVAÇÃO A VILA, IMPORTANTE DATA HISTÓRICA

ELEVAÇÃO A VILA, IMPORTANTE DATA HISTÓRICA
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A data de elevação a Vila é na História um dia marcante e que é comemorado em muitas cidades que foram elevadas a Vila na época imperial. É o que acontece na cidade de Viçosa que dia 30 de setembro próximo comemorará 142 anos da Lei Provincial de 1871, numero 1817 que elevou a freguesia de Santa Rita do Turvo à categoria de Vila. Inúmeras as urbes que pelo Brasil afora comemoram a data de sua elevação a Vila como sua data magna. Adite-se que “não há uma orientação específica quanto ao estabelecimento desse marco de memória que é  o dia da Cidade. Tudo depende de cada realidade, ou seja, de como as pessoas que vivenciam sua relação com o passado histórico o ressignificam no presente”. Não há erro histórico cometido pelas cidades que comemoram sua data maior no dia em que foram elevadas a Vila, salientando-se que  nesta data muitas já celebraram seu centenário com marcantes solenidades.
* Do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Instituto Histórico de Minas Gerais

terça-feira, 10 de setembro de 2013

SALVE A UNIVERSITÁRIA CIDADE DE VIÇOSA!

SALVE A UNIVERSITÁRIA CIDADE DE VIÇOSA!
Dia 30 de setembro próximo a universitária Cidade de Viçosa completa 142 anos e reproduzimos o texto que foi composto ao ensejo dos 90 anos desta urbe, orgulho dos mineiros e de todos os brasileiros. Como a universitária cidade de Juiz de Fora e outras cidades importantes que foram elevadas a Vila na época do império, Viçosa comemora o  glorioso 30 de setembro de 1871.



90 ANOS DA ELEVAÇÃO DE VIÇOSA A VILA

“Cantate Dominum canticum novum”1
Cantai ao Senhor um cântico novo.

Oração Gratulatória na Missa de Ação de Graças, na Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia de Viçosa, ao ensejo da comemoração dos noventa anos de elevação desta cidade à categoria de Vila, dia 30 de setembro de 1961.

Retrospectiva luminosa

Aos trinta dias do mês de setembro do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e um, qüinquagésimo da Independência, sendo imperador do Brasil D. Pedro II, Pio IX, papa da Santa Igreja Católica, D. Antônio Ferreira Viçoso, bispo da diocese de Mariana, pela lei nº 1817, Viçosa foi elevada à categoria de Vila, data faustosa do início de sua organização jurídica.
Noventa anos depois, se reúne a comunidade aos pés da mesma portentosa Padroeira, Santa Rita de Cássia, para exaltar a terra bem-amada.
Que então “sit laus plena, sit sonora, sit jucunda, sit decora mentis jubilatio”2 - seja este louvor completo e sonoro, jucunda, digna a alegria de todos ao celebrar data tão significativa.
Solenidade expressiva que muito honra os idealizadores de tão oportunas quão esplêndidas festividades. Este é um momento de se reviver as glórias passadas e de uma tomada de consciência para que o porvir desta cidade bendita seja sempre fulgurante. É sumamente frutuoso o contato com o passado. Paul Claudel em Le soulier de Satin proclamava: “Oh, ce sont ces morts-là, qui m’ont appris à regarder les vivants marcher” - foram os antepassados que me ensinaram a ver os vivos caminhar.
Estas recordações históricas acentuam, radicam, incentivam e insuflam o amor e a dedicação, o culto e a estima, o carinho e o interesse pela Cidade. Sentimentos nobres e dignificantes, consagrados pelo próprio Cristo que tanto amava Jerusalém, a capital querida de sua pátria, que, um dia, ao contemplá-la de longe, ante a visão terrível de sua destruição futura, Ele, o grande patriota, chorou comovido. Relata o Evangelista: “videns civitatem flevit super illam”3 - contemplando a cidade, chorou sobre ela.
Hoje, Viçosa, numa retrospectiva, revive noventa anos de grandezas. Nelas busca não só a inspiração para novos feitos, mas também renovada motivação para, jamais, romper com uma gloriosa tradição de patriotismo e religiosidade herdada de ancestrais ilustres.
Tarefa sublime, que se torna venturosamente fácil, estar aqui a cantar loas a urbe tão cheia de glórias. Nestas nove décadas os títulos mais belos, que honram e exaltam, se tornaram patrimônio de Viçosa.

Heroísmo que lembre Esparta?

Que se percorram os capítulos da guerra do Paraguai. Rebrilha a participação ativa dos habitantes da antiga Santa Rita do Turvo. Daqui partiram, sob as bênçãos do Pároco, Pe. Manuel Filipe Neri, os voluntários na companhia de Francisco de Paula Galvão. Autoridades civis e pessoas gradas se fizeram presentes à partida dos aguerridos soldados com palavras de estímulo e aplauso. Francisco de Paula Galvão, pacífico mestre-escola do povoado, foi logo incorporado como Tenente ao 17o Batalhão de Voluntários da Pátria. Na épica Retirada da Laguna, Galvão se fez figura singular. A batalha de Nhandipá, a 11de maio de 1867, por sua conduta heróica, lhe consagrou os méritos. Títulos e honrarias proclamaram seu valor. Fez-se merecedor da medalha concedida pelo Decreto nº 3.926, de 7 de agosto de 1867, pois brilhara em território inimigo. Cavalheiro da Ordem de Cristo, pelo Decreto de 19 de agosto do mesmo ano, já tinha sido antes nomeado Cavalheiro da Ordem da Rosa. Foi sempre um soldado a serviço da pátria e repleto de merecimentos, pois “passando a servir no 5o Batalhão de Guardas Nacionais, em Paconé, foi louvado pela subordinação, inteligência e zelo que revelou e por haver cooperado em manter a disciplina e apagar a discórdia que ameaçava esse batalhão”4. Símbolo do civismo da cidade de onde partira, ei-lo, pelo Decreto de 2 de março de 1870, nomeado Capitão Honorário do Exército brasileiro.

Cultura que recorde Atenas?

Erga-se a plêiade de literatos e homens de ciência aqui nascidos ou criados. São inúmeros nas províncias da erudição a ostentar o borbulhar do gênio. Escolhamos um. Logo surge ante nós Dr. Arthur da Silva Bernardes, o jurista, o político, o estadista. Seus discursos revelam vastos conhecimentos sobre os assuntos mais relevantes. Os problemas agrícolas, as questões sociais, os temas econômicos, os assuntos internacionais foram por ele sempre abordados com total conhecimento de causa. Firmando os foros culturais de Viçosa, ele criou a Escola Superior de Agricultura e Veterinária aqui instalada em 1922. Hoje incorporada à Universidade Rural de Minas Gerais, juntamente com as escolas que foram surgindo, faz desta cidade uma das principais urbes universitárias da América, para gáudio de quantos amam Viçosa, na qual pontilham outros estabelecimentos de ensino que enaltecem o sistema educacional do Brasil.

Religiosidade que memorize Roma?

Aí está o espírito de fé do viçosense. O notável fervor de uma gente que cresceu à sombra da Cruz. A fidelidade de um povo à verdade do Evangelho e à Igreja Católica. Tão logo das regiões auríferas de Ouro Preto, de Mariana, de Piranga afluíram os primeiros colonizadores, aqui a Religião cintilou. A 8 de março de 1800, o Pe. Francisco José da Silva obtinha de D. Frei Cipriano de S. José a licença para erigir uma ermida, sob a invocação de Santa Rita, no pequeno povoado. A gloriosa santa, desde os primórdios, a presidir os destinos desta região. Em 1876, elevada a cidade, a vila de Santa Rita do Turvo passa a se denominar Viçosa de Santa Rita, em homenagem ao santo bispo marianense D. Viçoso. Ruas e praças públicas homenageiam Cristo, Maria e os Santos. O mês de maio, com suas tradicionais coroações, marca a alma viçosense. Na rocha firme da verdadeira Igreja, Viçosa contempla hoje noventa anos de bênçãos divinas e aparece como nume adorável da crença, tutelar zelosa do culto à divindade, sentinela avançada da Religião. Ela transmite às festas litúrgicas luzimentos ímpares, sobretudo em suas famosas Semanas Santas e nas solenidades da Padroeira. Soleníssimas comemorações que agermanam, numa mesma fé, milhares de corações.

Tradição que sugira Lisboa?

Aí está o patrimônio valiosíssimo, que as famílias aqui radicadas guardam e enriquecem através dos anos. A sociedade vale o que valer a família. A decadência desta fere mortalmente a civilização. Todas as grandes urbes se ufanam de suas famílias que projetam os traços prismáticos da genuína grandeza. Viçosa orgulha-se destes pilares e sua grandeza, alicerces de suas conquistas, sua gente. Bernardes, Freitas, Araújo, Carvalho, Gouvêa, Lopes Faria, Pacheco, Sant’Ana, Souza Lima, Rodrigues, Jacob, Vaz de Melo, Costa Val, Ferreira da Silva, Alencar, Castro, Comastri, Torres e tantas outras famílias ilustres. Delas saíram um Benjamim Araújo, um José Lino de Castro, um Verano Lopes Faria, um Joventino Octávio Alencar, treze sacerdotes, vinte e cinco religiosas e todo um batalhão de homens dignos, honrados, semeadores do bem, construtores de uma ordem social humana, profetas da verdade.

Rainha circundada de esplendor

Eis assim Viçosa, nesta data de seu nonagésimo aniversário, qual Rainha circundada de esplendor.
“Cantate Dominum canticum novum”. Junto do Altar de Deus cantemos um hino novo ante estes noventa anos nos quais se construiu a glória deste rincão bendito.
Viçosa, celeiro de heróis, guarida do saber, pórtico da fé, monumento vivo de famílias ilustres, sociedade modelar! Tudo isto aumentando a responsabilidade dos que iniciam uma nova década rumo ao centenário que, por certo, há de assinalar um novo magnífico encontro dos que fazem o progresso viçosense.
Que os jovens idealistas, que aqui acorrem em busca de uma sólida formação, continuem a deparar os padrões que marcam o autêntico desenvolvimento. Isto porque todas as instituições sociais, civis, políticas, religiosas, ajudando as qualidades naturais, aprimoram a inteligência, refinam os sentimentos, sobredouram os talentos para a edificação deste ser incomensurável em seus anelos que é o homem, cuja vocação no universo o coloca nos extremos limites do mundo natural e sobrenatural.
Tal o destino de Viçosa: continuar sempre a revestir de pompas incomparáveis as manifestações patrióticas. Laurear, sem desmaios, os triunfos imarcessíveis do trabalho. Ostentar a muitos as veredas da auto-realização. Progressista por excelência, avantajada em todas as empresas úteis e fecundas perante a consciência pública, sem tréguas, ser uma propulsora dos princípios que levam às paragens da ventura e da paz.
Então, sempre, se poderá dizer que “labore et virtute civitas floret” - pelo trabalho e pela virtude esta cidade floresce. Os dias de sua fúlgida história continuarão marcados por pedras brancas, pois esta será sua sina: “albo lapillo notare diem”5. As gerações vindouras a haverão de cantar ainda mais vibrantemente, pois aqui se realizará o dito virgiliano: “carpent tua poma nepotes”6.- Teus netos colherão os frutos.  O amor e a fé estarão incrustados nas obras de quantos viverem neste recinto abençoado e se poderá repetir através dos tempos: “claret amor factis, non secus atque fides” - a dileção e a crença se vêem nas obras do viçosense. Este, alimentado por esta “alma mater” - mãe agraciada e rica, ostentará, por toda a parte, têmpera invulgar. A quantos nesta cidade viverem, se aplicará a frase horaciana: “crescit occulto velut arbor aevo”7 - cresce insensivelmente com o tempo, como uma árvore. Este será um título que todos quererão reter e do qual se blasonarão: sou viçosense, sou nascido ou criado numa terra que transmite ideais sublimes. De fato, “hoc nomem in fronte scribendum, quia “honor”; in manu ferendum, quia “gladius”; in corde retinendum, quia “gaudia” - Este nome deve ser escrito na fronte, porque é honra; trazido nas mãos, porque é uma espada; conservado no coração, porque é alegria. Como, porém, “honos habet onus”, as honras pesam, trazem responsabilidades, por certo, quantos se vangloriarem de ser viçosenses preservarão totalmente as tradições que esse qualitativo encerra. Esta será a melhor maneira de mostrar gratidão para com a cidade que tanto enobrece seus filhos. No que tange a Viçosa, por tudo que foi rememorado, a ingratidão seria inominável. Não ser honrado é negar valores aqui hauridos. Não ser útil e justo é não dar retorno às benesses recebidas. Deixar de a louvar é um esquecimento indesculpável. Sêneca, com razão, afirmou: “ingratus est qui beneficium accepisse se negat quod accepit, ingratus qui non reddit, ingratus qui dissimulat, ingratissimus omnium oblitus est”8 - ingrato o que nega haver recebido o benefício, ingrato o que não lhe dá retorno, ingrato o que dissimula, o mais ingrato, porém, é o que dele se esquece.
Unidos na mesma fé, na mesma grandeza comum, os viçosenses de hoje reeditarão os triunfos passados, erguendo os monumentos do futuro e apontando aos cidadãos do porvir a mesma rutilante meta.
Sob a égide de Santa Rita de Cássia, caminhemos repletos de alegria, certos de que é um privilégio viver sob estes céus, é uma glória mourejar nesta terra que há noventa anos constrói uma pátria forte e altaneira.
Para nós e para muitos, Viçosa será, através das gerações, “civitas omnium optima” - a cidade que beatifica e realmente ilustra.

Notas

1      Isaías 42, 10.
2      Santo Tomás de Aquino, Missa da Festa do Ssmo. Corpo de Deus, Seqüência, in D. Beda Keckeisen O.S.B., Missal Quotidiano, Salvador, Tipografia Beneditina Ltda., 1957. p. 550.
3      Lucas 19, 41.
4      Alexandre de Alencar, Fatos e Vultos de Viçosa, Belo Horizonte, Estabelecimentos Gráficos Santa Maria S.A., 1959. p. 77.
5      Os romanos tinham o branco como símbolo da felicidade.
6      Virgílio, Écloga IX, v. 50.
7      Horácio, Odes, Livro I, ode XII, v. 45 in Oeuvres d’Horace, Paris, Librairie Hachette et Cie., 1917. p. 30.
8      Sêneca, De beneficiis, livro.3. cap. I.

sábado, 7 de setembro de 2013

A MISERICÓRDIA DO PAI

A MISERICÓRDIA DO PAI
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Deus é Amor. Nele não há senão um Amor eterno que se manifesta de uma maneira toda particular: a Misericórdia. Esta palavra literalmente exprime o sentimento do coração tocado pela miséria do outro. A Misericórdia de Deus é seu Amor para com os pecadores, ou seja, aqueles que estão longe dele pela ignorância, indiferença ou mesmo hostilidade. As páginas do Evangelho revelam que Ele ama os seres racionais não obstante numerosos pecados, os quais suscitam Sua compaixão para com a humanidade transviada. No alto da Cruz Cristo, dando sua vida para salvar do pecado os que erram, é a manifestação suprema deste amor. São Paulo assim se expressou: “Deus que é rico em misericórdia, movido pela imensa caridade com que nos amou, restituiu-nos à vida juntamente com Cristo” (Ef 2,4-5). Foi o que lemos em São João: “Deus tanto amou o mundo que lhe deu seu Filho único [...] para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3,16-1). Foi para que todos compreendessem a largura, o comprimento, a altura deste sublime mistério que Cristo narrou a famosa Parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 1-32), a qual pode bem ser chamada de Parábola do Pai misericordioso, na qual o Mestre divino patenteia o Coração de seu Pai. É de se notar que Jesus se dirigiu aos judeus piedosos e corretos que estavam a ponto de murmurar contra Ele que recebia os pecadores e tomava a refeição com eles. Estavam escandalizados pela proximidade de Jesus com as pessoas rejeitadas porque eram indivíduos que se apoderavam de bens alheios por manobras fraudulentas, autênticos escroques, ou aqueles que colaboram com os romanos, enfim os pecadores em geral. Jesus faz então menção a todos estes pecantes e mostrou como eram tidos com um olhar de clemência pelo Pai. O filho mais novo da Parábola pegou sua herança e perdeu tudo numa vida desregrada. É o que acontece com muitos batizados que recebem os dons de Deus e, depois, os malbaratam nos caminhos do pecado. Receberam no batismo e na crisma uma herança maravilhosa. A graça santificante, a plenitude dos frutos do Espírito Santo, mas preferem as coisas materiais, se engolfam nas suas ocupações e nos seus projetos terrenos e perdem o tesouro recebido. Muitos, num momento de reflexão, se sentem tomados pelo remorso e iniciam uma caminhada de conversão. Retornam ao convívio divino, porque perceberam que longe do Pai amoroso não há salvação possível. É o começo da salvação. Ao se reconhecer um pobre pecador, indigno e miserável, o cristão que havia se afastado de Deus volta a se imergir na sua bondade infinita e recebe o perdão. Compreende o que Jesus dissera: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13). Ainda que o filho mais novo tenha regressado por mero interesse, pois passava fome, a ternura do Pai o envolveu em manifestações de carinho. Longe de recriminá-lo, inclusive mostrando implicitamente o quanto lamentava sua ausência, ele, tomado de compaixão, restaura sua dignidade, envolvendo-o num grande amor. Dá-lhe uma roupa nova, para que retirasse a que estava manchada pelos seus erros. É o que deve acontecer sempre com quem se arrepende de ter pecado, rompendo com o mesmo e se purificando no sacramento da confissão. Nunca se pode duvidar da misericórdia de Deus que restitui a vida divina a quantos se penitenciam de seus desvarios. O filho mais velho não trilhava a mesma vereda do amor. Recrimina o pai, não vai à festa do irmão que voltara. À margem da misericórdia ele nem mesmo degustava o que possuía a ponto do pai ter que lhe dizer: “Filho, o que é meu é teu?”. Ele representa bem tantos cristãos que se limitam a fazer o mínimo necessário para não perder a graça santificante, mas não usufruem da presença de Deus em seus corações, não entram em tertúlia com Ele. Deste modo não saboreiam a felicidade de estar sempre na presença do Ser Supremo. Cumpre curtir o amor de predileção do Pai misericordioso e não ter o coração fechado como o do filho mais velho. Temer simplesmente a justiça de Deus e não confiar na sua misericórdia é colocar um entrave no progresso espiritual. A exemplo de Santa Teresa é preciso saber sempre escolher entre a Justiça e a Misericórdia, preferindo sem hesitar a indulgência de um Deus que é Pai misericordioso, que enviou seu Filho a esta terra para que todos tenham a vida e a tenham em abundância. * Professor no seminário de Mariana durante 40 anos.
 

142 ANOS DA CIDADE DE VIÇOSA

142 ANOS DA CIDADE DE VIÇOSA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dia 30 de setembro próximo a Cidade de Viçosa (MG) festejará seus 142 anos. No dia 30 de setembro de 1871, pela lei Provincial 1817 a então Santa Rita do Turvo foi elevada a Vila, início de sua organização jurídica. Assim como a universitária Cidade de Juiz de Fora e outras grandes urbes, Viçosa comemora no dia da elevação a Vila a data especial na qual os cidadãos a homenageiam. É importantissimo este marco de memória que leva as pessoas a vivenciarem sua relação com o passado histórico e o ressignificam no presente. Dia 30 de setembro de 1971 Viçosa comemorou jubilosamente seu centenário  com a presença do Arcebispo Dom Oscar de Oliveira, notável historiador, que celebrou a Missa de Ação de Graças.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

30 SETEMBRO, DATA DA CIDADE DE VIÇOSA

30 DE SETEMBRO, DATA DA CIDADE DE VIÇOSA
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho, do Instituto Histórico  de Minas Gerais
30 de setembro é feriado Municipal em Viçosa (MG) no qual é comemorado o Aniversário da Elevação de Santa Rita do Turvo a Vila. Dia 30 de setembro de 1871, pela Lei Provincial número 1817 se deu o início da organização jurídica desta urbe universitária.  Esta   data do Dia da Cidade  “se consolidou como data municipal após a celebração do centenário da cidade em 1971. O dia é feriado municipal e é marcado por hasteamento da bandeira no Monumento ao Centenário, na Praça do Rosário, com a presença das autoridades. Há ainda, neste dia, eventos artístico-culturais promovidos pela Prefeitura local”. Durante o mês de setembro as Escolas incentivam ainda mais o espírito cívico  dos alunos não apenas por causa do 7 de setembro, mas também pela comemoração do Dia da Cidade no final do mês. Na sua Oração Gratulatória durante a Missa de Ação de Graças dia 30 de setembro de 1971 assim se expressou o Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, notável historiador: “Neste dia histórico desejaria concitar sobretudo os jovems, fagueiras esperanças de Viçosa, ao estudo da história da Terra natal, a iluminar-lhes o caminho, a inspirar-lhes dedicações patrióticas. Desejá-los-ia cada vez mais entusiasmados pelos estudos, pois é com sólida cultura aliada a sadios princípios morais que reside o desenvolvimento de uma comuna e de uma pátria. “  (VIÇOSA CENTENÁRIA,  in O Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Mariana, ano XII, n.631).





domingo, 1 de setembro de 2013

O DIA DA CIDADE DE VIÇOSA

O DIA DA CIDADE DE VIÇOSA
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Aproxima-se o dia 30 de setembro quando universitária cidade de Viçosa, gloriosa terra do ex-Presidente da República Arthur da Silva Bernardes, completará 142 anos de emancipação política. A 30 de setembro de 1871 pela lei 1817 a freguesia de Santa Rita do Turno foi elevada a Vila. “No Brasil durante muito tempo, a data correta da fundação de municípios antes da proclamação da República era o dia da criação da vila. Com a vila o arraial ou a freguesia adquiria a sua autonomia político-administrativa, passando a constituir uma câmara de vereadores, com direito de cobrar impostos, e baixar "posturas" que eram espécies de leis municipais, recebia ainda um "juiz de fora", pelourinho e cadeia pública”.  Eis porque grandes cidades como Juiz de Fora, Resende comemoram com festividades cívicas e religiosas o dia de sua elevação a Vila.  Viçosa foi elevada à categoria de Vila, dia 30 de setembro de 1871, data faustosa do início de sua organização jurídica. Dia 30 de setembro de 1971, sendo Prefeito de Viçosa Dr. Raimundo Alves Torres, o Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, notável historiador, celebrou em frente ao Santuário Santa Rita perante as autoridades, milhares de fiéis e vários sacerdotes a Missa de Ação de Graças pelo Centenário da  desta cidade.  A vila foi  instalada  em Viçosa apenas  no 22 de janeiro  de 1873.  Dia 30 de setembro de 1961, convidado pelas autoridades civis e eclesiásticas viçosenses este articulista  proferiu oração gratulatória no Santuário Santa Rita pelos 90 anos de Viçosa, ocasião em que mostrou a importância desta cidade no cenário nacional e internacional. Hoje, mais do que nunca, os fatos históricos  devem ser lembrados para que o amor à Cidade leve os cidadãos a colaborarem com entusiasmo para uma sociedade cada vez  mais humana, progressista. Como o homem vive na Cidade ele se torna co-responsável pelos concidadãos e pela sua pátria. Ser-no-mundo, ele interfere, quer queira, quer não, no desenrolar dos acontecimentos. No vir-a-ser contínuo ele se aperfeiçoa e coopera no aprimoramento do meio sócio-econômico no qual está imerso. Negar esta abertura para o outro e para a sociedade como um todo é tramar contra si mesmo. A construção cotidiana de si mesmo é tarefa essencial no viver do ser pensante. Esta será sempre a melhor maneira de se mostrar gratidão para com a cidade que tanto enobrece seus filhos. O exercício da cidadania  resulta também  de certas práticas importantes  como o hasteamento das Bandeiras da Nação, do Estado e do Município. Ritual, igualmente, fonte de motivação para um civismo que leve a ações concretas para o bem comum. O Dia da Cidade oferece oportunidade para a estas reflexões e que Viçosa se torne sempre mais viçosa para glória de Minas e do Brasil!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

TOMAR A CRUZ E SEGUIR JESUS

TOMAR A CRUZ E SEGUIR JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A seus seguidores Cristo não podia ser mais claro e direto: “Quem não carrega a sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27).. Ele deu o exemplo e levou a sua cruz do Presépio ao Calvário. Quem o quer acompanhar precisa renunciar a si mesmo e cumprir fielmente suas obrigações. Toda e qualquer atividade, inclusive a profissional, exige muito esforço e abnegação. Quando se colocam os passos nos passos de Jesus tudo fica mais fácil, porque repleto de merecimentos para a eternidade. Trata-se de uma luta que durará até a morte, além das naturais provações físicas e psicológicas inevitáveis neste exílio terreno. Entretanto, o cristão não se sente só, desamparado, porque Deus está presente na sua vida, sustentando-o no combate diário. Adite-se que em qualquer circunstância cada um está a serviço do próximo e o dom de si mesmo através da reta intenção de ajudar os outros é de suma valia diante daquele que disse: “O que fizestes a um destes  meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 24,40). Quem tem fé sobrenaturaliza deste modo todas as suas ações e o fardo cotidiano se torna menos pesado.  É um redimensionamento de objetivos e de projetos que ilumina a tarefa por mais árdua que seja. Portanto, a ordem de Jesus de carregar a cruz após Ele, determinação que poderia parecer um convite excessivo e reservado a algumas almas privilegiadas, surge como uma orientação pedagógica de suma valia para si e para o próximo. Deus nunca torna a cruz de cada um desproporcionada a suas forças. O que se deve fazer não é limitar os objetivos, mas ajustar os meios aos objetivos que se têm em vista dentro dos planos divinos. Estes recursos são a luta contra a inércia, a oração que é a fortaleza do cristão, a perseverança nos afazeres e não desejar aquilo que ultrapassa as condições intelectuais e psicossomáticas pessoais. Cumpre um modo de vida de acordo com as possibilidades viáveis sem a busca de uma penitência excepcional e sem a entrega a procedimentos irracionais. Não é fácil por vezes encontrar o equilíbrio necessário para não abandonar o sacrifício, malbaratando os dons recebidos do Criador. Os santos souberam sempre fazer de maneira extraordinária as coisas ordinárias da vida.  É desta maneira que se depara a liberdade interior com relação ao labor diário, ao engajamento social e às obrigações familiares. É preciso saber encontrar a verdadeira sabedoria do viver apesar das amarguras imprevisíveis que surgem e que parecem tornar a cruz mais pesada. O amor ao divino Crucificado sustenta seu discípulo na caminhada pela vida afora, balanceando deveres indeclináveis com a restauração das forças nos divertimentos sadios e louváveis. Assim todas as energias interiores ficam sempre mobilizadas e se pode usufruir melhor dos bens recebidos de Deus. Carregar a cruz é saber se conhecer, se aceitar e não se submeter a condicionamentos advindos da sociedade de consumo, que é hedonista, materialista. Eis porque o cristão que entende bem o que Jesus disse sobre carregar a cruz, seguindo-o,  não a vê como uma deformação à  sensibilidade humana. Não se trata de se comprazer no sofrimento, de procurar mortificações descabíveis. Um verdadeiro seguidor de Cristo não tem o gosto malsão da dor. Viver o Evangelho não significa ter desgosto da vida. Como, porém, o ser humano na sua fraqueza comete faltas, as angústias, as aflições, os aborrecimentos se tornam instrumento de purificação. O segredo é, pois, dar uma aplicação transcendental a tudo que se faz e se padece. Assim, não há nenhum masoquismo no caminho da cruz, nenhum desprezo por tudo de bom que há no mundo. São Paulo ensinou: “Alegremo-nos todos no Senhor” (Fl 4,4). Ele que afirmou se regozijar  no meio de suas provações e estas não foram poucas . Assim sendo, não se pode interpretar a aceitação da cruz como uma mera psicoterapia. Com efeito, a compreensão da cruz leva, isto sim, o cristão à plena maturidade espiritual, uma vez que ele não negligencia  suas obrigações, mas  se entrega às tarefas mais árduas que a existência lhe impõe tendo como guia Aquele que, tendo assumido a missão salvadora, a realizou de uma maneira tão extraordinária até o sacrifício supremo no Gólgota para ser um exemplo a ser seguido e, na verdade, com muito menor sofrimento do que aquele inerente a cada um na sua trajetória terrena.  Eis porque é preciso também se lembrem sempre as palavras de São Paulo: “O leve peso de nossa tribulação do momento presente, prepara-nos, além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória” (2 Cor 4,17), Vale a pena tomar a cruz de cada dia e seguir a Jesus.* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.