segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

 

4 SEGUIR JESUS, NOSSA LUZ

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

 No Evangelho de hoje Jesus nos convida a segui-lo, tornando-se seus discípulos, como aconteceu com Pedro e André, Tiago e João (Mt 4,12-23). O profeta Isaias explicara que, se caminhamos, é porque nós percebemos uma luz, como os Magos que haviam visto a estrela se levantar no céu e saíram para procurar o Senhor. Assim Isaias se expressou: “O povo que caminhava na escuridão viu um grande clarão; sobre os que habitavam na penumbra tenebrosa começou a brilhar a luz” (Is 9,1). É de se notar que para seguir Jesus é preciso ter escutado um apelo e então percebemos uma luz, que é o essencial deste mesmo chamamento, a saber todas as promessa benéficas oferecidas por Jesus. Trata-se de uma resposta ao apelo de Cristo, não somente para estar a seu serviço, como para manifestar a Ele nossa generosidade. Disto, porém, resulta a luminosidade para a existência do seguidor de Jesus, que passa a conhecer o caminho que leva ao Pai, promessa da vida eterna. Como registrou São Mateus “Jesus começou a pregar e a dizer: “Convertei-vos   porque está próximo o reino dos céus” (v.17). Para que isto acontece é preciso que se tenha percebido uma luz celestial, perceber esta luz que ilumina a história do cristão, mostrando o caminho que conduz ao Pai, promessa radiosa da vida eterna. Esta luz é portadora de alegria e libertação das trevas do erro. Quando Cristo chama, quando confia uma missão, um serviço evangelizador, quem a acata se torna o primeiro beneficiário da graça deste chamamento, Nunca se valoriza demais o fato de ser cristão, o seguidor do Mestre divino. Ao apostolado são chamados não apenas os sacerdotes, os que se consagraram a uma vida religiosa, mas todo batizado que deve também se colocar a serviço do Evangelho. É belo e proveitoso marchar seguindo a Cristo, luz e libertação Nunca se deve esquecer que ser cristão é estar intimamente ligado a Cristo, segui-lo fielmente como um autêntico discípulo, em nome do qual foi batizado. Cada cristão lá onde a Providência o colocou a viver profundamente o mistério do ministério evangelizador. Cumpre sempre e em toda parte renovar esta graça de uma relação pessoal e viva com J seus, nos luz e nossa libertação que deve ser levado por toda parte, anunciado que “o reino dos céus está próximo”. É preciso então agir continuamente com Cristo, por Cristo e em Cristo, como verdadeiramente seus fiéis seguidores, deixando que Ele, de fato, aja em nossas vidas. Deus dá a cada um dos seguidores de Jesus o tempo para se santificar continuamente e também santificasse os irmãos. O autêntico cristão é aquele que pode dizer: “Coloquei minha vida a serviço do p próximo e o próximo é Jesus”. É preciso a todos orientar para o Reino de Deus que Jesus veio inaugurar entre nós, graça a sua ação e seu engajamento no seio de nossa humanidade. Para cada cristão cada dia de sua vida é o tempo favorável para a salvação oferecida por Deus. Os sacramentos da Igreja e as preces comunitárias obtêm o perdão e paz, assim como a feliz possibilidade de participar sempre da obra salvífica de Deus no mundo pela atividade santificadora de quem foi batizado o qual em todas as suas ações e onde que esteja deve irradiar a salvação que nos veio por Jesus Cristo que no Evangelho de hoje vemos convocando os primeiros discípulos. Com Jesus o povo que caminhava na escuridão viu um grande clarão; sobre os que habitavam na região tenebrosa começou, de fato, a brilhar a luz. Com Jesus levando a todas as partes pelos seus fiéis seguidores brilha a luz, sem Ele impera a escuridão. É preciso sempre e em toda parte que o batizado siga Jesus, a luz verdadeira veio a este mundo. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

sábado, 31 de dezembro de 2022

 

EIS O CORDEIRO DE DEUS

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

No Evangelho de hoje temos o testemunho de João Batista referente diretamente a Jesus (Jo 1,29-34). Toda uma visão de fé quanto à pessoa de Cristo e de sua obra colocada em alguns versículos nos lábios do Precursor. Com efeito, o Evangelista apresenta Jesus sucessivamente como o Cordeiro de Deus, um personagem existindo depois de tempos imemoriais, o portador do Espírito Santo, o Eleito e o Filho de Deus. A figura do Cordeiro de Deus é ela só um resumo da história da Aliança, dado que ela evoca de uma só vez o cordeiro pascal do Êxodo, cujo sangue, projetado sobre as colunas da porta de cada casa dos hebreus, indicava a noite de sua libertação, o Servidor sofredor que descreve o profeta Isaias, conduzido ao matadouro como o cordeiro e isto por causa dos pecados de seu povo, o cordeiro vencedor que, segundo os apocalipses judeus, devia destruir o mal no mundo. Quanto a preexistência de Jesus, o Enviado de Deus, é um tema bem joanino.  Jesus dirá um dia aos fariseus: “Antes que Abraão existisse, eu sou “(Jo 8,58); e na sua oração da última tarde ao Pai, ele rezará dizendo: “Pai glorifica-me junto de ti com aquela glória que eu tinha junto de tí antes que o mundo existisse” (17,5). O que lembra a afirmação do Prólogo: “no começo era o Verbo”; desde sempre era. O Filho de Deus. Enfim, o Evangelista acentua que o Espírito desceu sobre Jesus no batismo e permaneceu sobre Ele. Jesus, por conseguinte, possuía permanentemente o Espírito Santo durante sua vida terrestre, mesmo que Ele tenha esperado sua hora, a hora de sua paixão e de sua glorificação para transmitir o Espirito aos homens vindos até Ele pela fé. O livro de Isaias anunciava já que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias, saído do trono de  Jessé e que Deus colocaria seu Espírito sobre seu servidor, o Eleito que teria toda sua complacência. Deste modo, desde o início do Evangelho, o Precursor com insistência volta nosso olhar para Jesus, o Enviado, o Filho de Deus, e nos rediz simplesmente : ” Ele, somente Ele , é Ele que o Pai santificou e enviou ao mundo (10,365), é a Ele  que é preciso servir,  se queremos construir a paz, é Ele que é preciso amar com todas as nossas forças, com todo nosso espírito, com todo o nosso coração (Dt 6,5), é Ele que Deus nos dá com o salvador, como irmão, como companheiro de caminhada, é Ele que  que tudo  toma sem nada reclamar”. Estes testemunho do Batista marcou o ponto de partida da fé em Jesus, Messias, Filho de Deus. Os cristãos sempre guardaram esta lembrança e eis porque tantos pintores, tantos artistas representaram João Batista com o dedo apontando para Jesus, como que para repetir a cada geração dos que creem o que ele dizia a seus contemporâneos: “Há entre vós alguém que não conheceis: É Ele o Cordeiro de Deus. Eis porque também nas Missas o sacerdote mostrando o Corpo de Cristo, retoma as mesmas palavras do Percursor: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”. E todos juntos, antes de comungar dizem duas vezes a uma só voz: “Cordeiro de Deus, tem piedade de nós!”. Piedade de nós, “pobres pecadores”, se mostram a uma só voz doce e muito forte. Doce porque o Filho de Deus é capaz de júbilo com seu perdão, não obstante nossa miséria, ainda que tenhamos caído fundo no pecado, na miséria, no desespero. Muito forte, porque esta piedade de Jesus tira o peado do mundo que está dentro do coração. Ele é vitória sobre o mal e não nos deixa estancar na recusa do bem próximo dela: ela nos coloca de pé, nos põe em caminho. Jesus meigo nos diz: “Vem para o Pai!”  Cordeiro de Deus” tem piedade de nós” é nossa prece de cristãos de qualquer idade. É a prece dos jovens: “Tu que salvas todos os homens, faze de mim um irmão universal”. É a prece dos esposos cristãos: “Tu que te imolaste até à morte, tu que morreste por nós dois, tomai-nos, em tua piedade, tomai nosso amor no teu amor, coloca teu amor no coração do nosso amor. É a prece confiante dos idosos: “Cordeiro de Deus, tu que tão frequentemente pendoaste minhas misérias e minhas lentidões, dá-me o tempo de me imergir de minha parte na tua misericórdia. É a prece de toda a comunidade no momento em que Cristo vem se unir a todos os irmãos, em seu único Corpo: “Cordeiro de Deus, vencedor do mal, vem habitar nossas diferenças, vem triunfar de nossas indiferenças. Tu que te entregas por nós, coloca em nós a sede da unidade”. Trata-se de uma prece universal e de todos aqueles que nela se contemplam amargurados porque testemunham o Evangelho: “Jesus, de todos os povos e de todos os homens de boa vontade, dá-nos a paz. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

 02 A ESTRELA DOS MAGOS Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* No Evangelho de São Mateus os dois primeiros capítulos, denominados frequentemente evangelho da Infância, constituem uma espécie de prólogo, mesclando os acontecimentos e sua interpretação teológica como bem observa. Jean-Christian Lévêque, notável hermeneuta. É preciso então partir da significação religiosa da narrativa para apreciar os detalhes em função da visão global. O texto de hoje (Mt 2, 1-12) consagrado à visita dos Magos, continua no Evangelho de São Mateus com três outros episódios: a fuga pera o Egito, o massacre dos meninos inocentes e a ida da Sagrada Família para Nazaré. Excetuando-se Jesus, o personagem central nestas passagens do Evangelho é Herodes, o cruel,  cioso de seu poder. O fio que liga as quatro cenas é   o conflito entre dos reis, a saber o velho déspota e “Jesus o Messias o rei dos Judeus, que acabara de nascer” (Mt 2,2). O Rei Herodes, bem conhecido dos historiadores, é para o evangelista Mateus o símbolo da recusa em acolher Cristo e sua mensagem e, desse modo, é todo o destino de Jesus que nos é apesentado desde o prólogo deste evangelista. Jesus acolhido pelos homens de boa vontade, será rejeitado pelos responsáveis de seu povo. Outro tema teológico está baseado na vinda dos Magos, Ele que veio trazer uma salvação universal. De fato, são pagãos que se apresentam em Jerusalém, procurando o rei dos Judeus, são eles que retomam o caminho, sempre guiados por uma estrela e vão até Belém, entram na casa e adoram o   Menino nele vendo o Salvador. A partir deste encontro com Jesus os Magos se tornam crentes, rompendo com Herodes. Deus os adverte, agora não por um astro, mas por um anjo, como Ele faz com seus eleitos. Rebrilha assim, de fato, uma teologia da salvação e os detalhes do texto recebem seu verdadeiro valor. Nossa fé cristã repousa em definitivo não sobre um fundo histórico impossível de se deduzir dos   textos atuais, mas sim sobre os testemunhos dos diversos discípulos, testemunhos dados ao mesmo Cristo através de imagens vindas da tradição de Israel. Os Magos, vindos do Oriente são sábios, persas ou babilônios, provavelmente astrônomos, que puderam, talvez, ter tido contato com o messianismo israelita no comercio de Babilônia, anda florescente na época. Através deles é o mundo da ciência que se coloca em marcha para Cristo, o Messias, é o universo dos pagãos   que se volta para a luz do Evangelhos. Nada nos diz que eles eram três, senão talvez o número dos presentes, mas é certo que eles não eram reis e assim não serão na tradição cristã, antes do Livro armênio da Infância, datado do 6ª. século. No que concerne à estrela, qualquer que seja o ponto de partida material e a observação de base, o essencial é que o texto sublinha que os sábios viram na estrela um sinal, retomando assim a tradição judia, que considerava o Astro surgido da tribo de Jacó como como um dos símbolos do Messias esperado. Já os teólogos da Idade Média, no seu sólido bom senso, tinham notado que não poderia se tratar de um corpo celeste ordinário, pois que seu brilho era intermitente e se movimento descontínuo. O traço messiânico de toda a cena é por outra sublinhado pelo texto do profeta Miquéias, que os escribas citam imediatamente junto da pessoa de Herodes: “E tu Belém de Éfrata, tão pequena entre as principais cidade de Judá, de ti sairá para mim aquele que dominará em Israel” (Mq 5,1). Prosseguindo na leitura da profecia de Miquéias se chega ao presépio e aos confins do mundo:” Ele tem suas origens desde os tempos anteriores. Desde os dias mais remotos. Por isto os entregará à mercê de outrem até o tempo em que dê a luz aquela que há de dar à luz e o resto de seus irmãos voltará com os filhos de Israel. Ele permanecerá firme e governará com a força do Senhor e com a majestade do nome de Javé seu   Deus. Viver-se-á em paz, porque então ela será grande até os extremos confins da terra. S tal será a paz “. Deste modo. Para São Mateus a chegada dos Magos a Belém, guiados pela Estela, anunciou a missão de Cristo, marcou o cumprimento das promessas da antiga aliança. Os Magos chegando não viram senão uma criança, mas o Evangelista, pela sua narrativa, clara e ao mesmo tempo sugestiva, lembrava à comunidade o que a fé deve ver aquele menino, a saber o Pastor do povo de Deus, o único guia      para a salvação e aquele que trouxe a paz ao mundo. A narrativa de São Mateus deixa igualmente entrever que o destino de Jesus seria marcado pelo drama da descrença. Herodes não pensava senão no poder e se faz perseguidor, porque só lhe interessava a construção das cidades terrena. Os escribas conheciam a fundo as Escritura, sabiam de cor o catecismo das profecias   messiânicas, mas não se mexeram. Os estrangeiros, eles sim, souberam trilhar o caminho, souberam perceber os sinais de Deus na sua vida e no fundo de sua ciência. No encontro do Menino Jesus e do ódio São Mateus discerne já o mistério de Cristo sinal de contradição. Perante o Menino e os sábios, o Evangelista vê prefigurado Cristo, Verdade de Deus. Quanto a nós, se recebemos tudo isto como uma catequese bíblica sobre os acontecimentos da Infâmia do Messias, nós podemos descobrir então o apelo de Jesus para que tenhamos uma fé adulta. Hoje ainda é necessário aceitar que a esperança venha ao mundo através da humildade do Filho de Deus. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

 LUZ QUR ILUMINA TODAS AS GENTES  Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* Natal! Qual é a natureza a desta solenidade?  Festejamos o nascimento de uma criança. Este Menino que é Deus em pessoa. Um nascimento como todos os outros, mas um nascimento extraordinário, que foi assumido pela maternidade e na virgindade, A maternidade de Maria que nos festejaremos daqui a uma semana no dia primeiro de Janeiro de 2023. Maternidade divina que termina na oitava do Natal e que abrirá o ano civil, ano da graça de 2023, maternidade assumida numa virgindade, no ser mesmo de Maria a qual fora Imaculada em sua Conceição. Jesus é verdadeiramente um homem, mas cuja pessoa é divina. Não é Deus que vem em uma pessoa é a segunda Pessoa da Trindade, o Filho, o Verbo, o Único, gerado, não criado, que toma carne de Maria e neste momento sua alma humana é criada e Jesus terá esta dupla vontade, que não é de uma vontade divina na sua única Pessoa que é a Pessoa do Verbo a qual assume a natureza humana que obedece, que entra em comunhão íntima com a Pessoa do Verbo.  É o que se chama “comunicação dos idiomas”: tudo o que podia passar da divindade na humanidade e da humanidade na divindade se realiza na Pessoa do Verbo e, dizendo isto, estamos no limiar do Mistério e não seremos nunca capazes de explicar na sua totalidades quem é Jesus ou quem é a Trindade. Deus nos ultrapassa e ultrapassará sempre, mas a revelação que Deus nos oferece sobre seu ser e nosso próprio ser nos introduz realmente neste nosso   conhecimento e em nossa comunhão com Ele. A luz de Deus e a grandeza de Deus nos ultrapassa. Nós somos chamados a entrar neste Mistério de amor do qual não somos a fonte, mas os beneficiários. Devemos nele adorar a Deus, pois “o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14) Como diz São Paulo, “dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. (“Rm11,36), Ele é, de fato, a luz quer ilumina todas as gentes. Em Jesus Deus se faz vulnerável, e o Todo-Poderoso se torna uma pequena criança, se faz semelhante a nós, e a Ele acessível. Ele esconde sua glória, seu poder. Deus não tem necessidade de mostrar seu poder, como nós os seres fracos que temos por vezes a precisão de nos mostrar fortes, não obstante nossa fraqueza. Nós somos convidados a escutar a Palavra, o Verbo de Deus que nos é dirigida neste seu Natal. A voz do Senhor que fala ao nosso coração. Deus nos fala sem cessar. Ele fala à nossa consciência. Temos uma alma espiritual, o que caracteriza nessa pessoa.  Somos chamados a escutar, a receber o Verbo que vem até nós. Como Maria saibamos O acolher.  Portanto, receber Jesus, contemplá-lo e escutá-lo o que Ele nos quer dizer neste seu Natal. Procurar sabem o que Ele solicita de nossa vida pessoal, o que podemos melhorar em nossa existência cristã, para que sua palavra seja fecunda em nossa vida. Jesus é sempre fonte de vida, vida que é luz. O Natal nos convida a sermos luz, canais que transmitem a vida divina aos irmãos e irmãs, ajudando-os a crescer espiritualmente. Cumpre levar por toda parte Jesus que é a fonte de vida, a plenitude da vida. Ele que transfigura nossa existência. Acolhamos o Menino Deus com fé, com respeito e muito amor. Deixemo-nos transformar por esta Palavra que se fez carne e habitou entre nós e se fez o nosso Salvador. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

 

VINDE A MIM, DISSE JESUS

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O Evangelho nos diz que Jesus “Vendo as multidões, teve compaixão delas porque estavam fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor/” (Mt, 9,36-10.8). Percorrendo nosso mundo deparamos, de fato, esta triste realidade descrita pelo Filho de Deus. Os dirigentes muitas   vezes mais se preocupam com o poder e dinheiro próprio e não têm olhos para ver a miséria em seu derredor. Muitos os desesperados, torturados, esfaimados, É a eles que se dirige Jesus, Aquele que pode trazer esperanças de uma vida melhor através de seus ministros dedicados  que, com generosidade, podem dulcificar tantos  sofrimentos  por meio da luz de sua doutrina, desanuviando  as trevas do sofrimento e fazendo degustar  a alegria perdida, mas tão desejada O povo de  Israel podia melhor que nós   captar  a ideia do papel de um bom pastor e sabia exatamente a importância de sua missão na assistência a suas ovelhas. Jesus por meio de seus ministros, bons pastores, desejava e deseja sempre através dos tempos que haja bons pastores que possam direcionar os desorientados que almejam bem conceituar o sentido da vida. Eis porque Jesus escolheu os doze apóstolos que teriam seus sucessores séculos afora para virem de encontro aos sofredores, pregando a solução de seus problemas, expulsando os demônios, valorizando seus sofrimentos oferecidos em reparação dos pecados que são a fonte de tantos males. A mensagem de Jesus condoído pelos moléstias que tantos padecem é uma mensagem de paz, de amor que pode sanar as enfermidades, curar suas feridas, oferecendo a certeza de uma felicidade perene junto dele numa eternidade feliz, esperança esta que ampara sempre nas tormentas da vida. Jesus veio a este mundo como o Messias salvador e nele se pode inteiramente confiar e com Ele vencer nas procelas que surgem na existência humana neste vale de lágrimas. É a verdadeira fé que leva cada um a poder afirmar: “Jesus é o meu salvador”. Então se compreende o valor da prece confiante a sustentar o cristão nos momentos mais tenebrosos. Hoje mais do que nunca cumpre se peça a Jesus que envie operários para sua messe que possam continuar sua obra redentora. Entretanto, se é verdade que cabe aos  sucessores dos Apóstolos estarem na primeira linha de amparo aos sofredores, cabe a cada cristão, seja onde ele estiver; ser também a guarida corajosa a seus irmãos. O batizado não pode ser um mero usufruidor do amor de Jesus. Deve ajudar o Mestre divino na sua obra de consolação dos aflitos nas mais diversas circunstâncias. São Vicente de Paulo, que afirmou que “o estado de sofrimento é uma felicidade porque   ele santifica as almas”, declarou que “o amor não pode ficar ocioso, é preciso socorrer o doente e o assistir tanto quanto se pode em suas necessidades e em suas misérias, cuidando de o livrar das mesmas em tudo ou em parte”. Nunca o cristão pode se esquecer das palavras de Jesus “o que fizerdes ao menor de meus irmãos foi a mim que o fizestes”. Socorrer o irmão doente é socorrer o próprio Cristo. À sombra da Cruz de Jesus ir ao encontro dos que padecem males físicos ou morais, os que sofrem violências familiares, que padecem nas ruas, os alcoolizados, os drogados. Trata-se da caridade redentora, de toda forma de generosidade e de amor para com os que sofrem e que jazem numa necessidade de amparo fraternal. Isto significa viver o espírito de Cristo, fixando nele nossa fé e a dedicação ao próximo que sofre.  Segundo o Profeta Isaias Jesus na sua Paixão se tornou “familiar do sofrimento” e assim durante seu ministério mostrou sua compaixão, reflexo da compaixão do Pai. Cristo bebeu o cálice do absoluto despojamento do amor próprio, e se fez nosso modelo. Como escreveu São Paulo aos Filipenses Ele “subsistindo na natureza de Deus, não julgou o ser igual a Deus um bem a que não devesse nunca renuciar, mas despoujou-se a si mesmo, tomndo a natureza  de servo , tornando-se  semelhante aos homens e reconhecido como homem por todo o seu exterior, humilhou-se a si memso fazendo-se obediente até a morte  e à morte de cruz (Fil  2,6). Tornou-se assim     para nós um modelo  de total abnegação. Ele dissse aos peregrinos de Emaus  que era preciso que  Ele sofresse para entrar na sua glória (Lc 24,26). É sobretudo no serviço aos sofredores que o cristão pode, de fato, imitar o Mestre divino, fazendo-se tudo para todos. Seus sofrimentos foram o fruto maduro de sua  imensa caridade e seu amor o levou até a dar sua vida por todos os homens. Ele se fez o Cordeiro que tira os pecados do mundo na sua grandiosa dileção pelos que padecem os males nessta terra. O autêntico cristão imita a Jesus e vai de encontro a todos as dores do próximo, aliviando-lhe seus padecimentos. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

 

                                 AS GRANDES VERDADES DO NATAL

                                              Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O dia do Natal de Jesus relembra para todos os cristãos verdades fundamentais da fé. Uma delas é que à natureza divina da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, se uniu, no dia da Anunciação, a natureza humana recebida da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo. Os teólogos empregam então, com propriedade, o termo união hipostática. Santo Agostinho explica este dogma de fé ao dizer que o Verbo de Deus recebeu o que não era, não perdendo o que era.  Cristo, de fato, como ensina São Leão Magno, “desceu de tal modo, sem diminuição de sua majestade ao tomar a condição de nossa humildade, que, uniu a verdadeira condição de servo àquela condição em que é igual ao Pai e ligou ambas as naturezas com o vínculo de tão íntima aliança que nem a inferior com tão grande glorificação ficou absorvida, nem a superior diminuída com a assunção que realizou”. Note-se que o vocábulo assunção é tão técnico como a expressão hipostática. Trata-se de uma união cuja iniciativa cabe à Segunda Pessoa divina e que resulta na elevação da natureza assumida, uma vez que o resultado final é algo humano-divino que se dá. Por isto andou em clamoroso erro Eûtiques, heresiarca grego, que, no século quinto, ensinava que a natureza humana de Cristo se dissolvera na natureza divina, o que, evidentemente, jogava por terra todo efeito da Encarnação de Jesus que veio para resgatar a humanidade pecadora. O Concílio de Calcedônia em 451 condenou esta heresia. O Redentor pagaria o que a nossa condição terrena tinha em dívida para com Deus. É, deste modo, que Jesus se tornou o único Mediador como convinha ao remédio necessário à raça humana, ou seja, que Ele pudesse morrer em virtude de uma das naturezas e ressuscitasse em virtude da outra. Enquanto Deus, foi o médico celestial; enquanto homem, pôde resgatar a estirpe à qual passou também a pertencer. Daí resulta imensa gratidão ao Criador que, pela muita misericórdia que nos devotou, tendo compaixão de nós, estando nós mortos por causa do pecados, nos fez reviver em Jesus para sermos nele uma nova criação de suas poderosas mãos.  Corresponder à gratuidade de Deus, renascendo para uma vida nova, eis aí a obrigação de todos que têm fé. Cumpre revestir o homem novo de que fala o Apóstolo Paulo, deixando para trás tudo que não está de acordo com o que Jesus ensinou. É o conselho de Leão Magno num de seus mais belos sermões do Natal: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade, e, já que foste feito participante da natureza divina, não queiras voltar à antiga vileza com procedimentos indignos de tamanha nobreza”. Jesus nasceu, de fato, para nos transladar para a luz do reino eterno do Ser Supremo, do qual é preciso começar a participar já nesta terra. Diante do Presépio é necessário que o batizado se lembre que, ao ser regenerado na pia batismal, se tornou o templo vivo da Trindade Santa e que, portanto, não pode cometer ações por cuja perversidade expulse de si tão grande Senhor para se submeter à escravidão ignóbil do Diabo. Importância tal tem cada um daqueles que Jesus veio remir que o preço desta redenção, a qual se iniciou em Belém, é o próprio sangue divino. Que, então, perante a manjedoura se renuncie às obras da carne de que fala São Paulo na Carta aos Gálatas (5,19). Apenas assim as alegrias do Natal serão consistentes e não uma mera comemoração externa de um fato histórico. O referido São Leão Magno frisa no seu texto a palavra HOJE: “Nasceu hoje o nosso Salvador”. A mesma eficácia salutar que, um dia, tal acontecimento trouxe em Belém, se dá para aqueles que se imergem nesta festa singular através da participação na liturgia. Este é o grande sinal de que os atos salvíficos de Cristo se realizam novamente, conferindo à alma fiel as graças vinculadas a tal evento. Hoje nasce Jesus para as almas dispostas com fé viva e ortodoxa a recebê-lo com júbilo no seu coração! Verdadeiro Deus Jesus viveu a condição humana para nos mostrar a proximidade de Deus Pai, seu amor infinito, incondicional, pessoal e personalizado para cada pessoa. A mensagem do Natal é, de fato, esta: Deus quis participar da vida dos homens com as alegrias do cotidiano, mas também aa dificuldades, o sofrimento e até mesmo a morte. A mensagem do Natal é portanto um convite a uma absoluta entrega nos desígnios divinos, pois Jesus nos leva até Deus seu Pai e nosso Pai agora neste mundo e depois por toda a eternidade.  * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.