O MAIOR É O SERVIDOR DE TODOS
Côn. José Geraldo
Vidigal de Carvalho
O MAIOR É O SERVIDOR DE TODOS
Côn. José Geraldo
Vidigal de Carvalho
TOME A SUA CRUZ E SIGA-ME
Côn. José Geraldo
Vidigal de Carvalho*
Jesus perguntou a seus discípulos; “Quem dizem os homens que eu sou?”
(Lc 9,24). Várias eram as opiniões, mas Ele desejava saber o que pensavam os
apóstolos. Pedro então respondeu:” Tu és o Messias”, isto é, o Cristo. Eis aí o
fundamento do poder de Deus sobre aquele que opera, em nome de Deus, uma
mudança decisiva da história humana, aquele que vem reconciliar os homens com
Deus, Pedro respondeu com precisão. Os judeus fervorosos colocavam no Messias a
esperança de uma extraordinária renovação dos corações, mais até do que uma
restauração nacional para Israel. Jesus desejava deixar clara qual era sua
missão, sua maneira de ser, sua mensagem. Era por isto que Ele ensinava,
doutrinando continuamente seus discípulos. Neste trecho do Evangelho se acha o
primeiro anúncio de sua paixão. Entretanto, um Messias sofredor foi um
escândalo para Pedro. Quantos seguidores de Cristo quereriam um Messias sem a
Cruz, as Bem-aventuranças sem sofrimentos, a amizade de Jesus sem a conversão
interior, uma história cristã sem a cruz. Pedro foi severamente repreendido
pelo Mestre divino e este foi claro: “Quem quiser vir após mim renuncie a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Nesta sentença de Jesus, porém, está explícito
que Deus não fica contente quando os homens sofrem, mas o que glorifica o Ser
Supremo é o amor e não o sofrimento em si. Em Cristo o auge da amargura
coincide misteriosamente com o cúmulo de seu imenso amor para com aqueles que
Ele veio salvar pela cruz redentora. Como ressaltam muitos teólogos estamos
diante de um grande mistério. Deus é Pai, mas permite os sofrimentos de seu
Filho amado pelos quais promove a redenção dos homens. Tal foi o caminho da
salvação traçado por Deus. Aí está a magna questão que Jesus apresenta a seus
seguidores: ou segui-lo verdadeiramente em tudo e salvar-se ou envergonhar-se
dele e de sua doutrina e perder-se por toda a eternidade. É necessário aderir a
tudo que Ele ensinou e Ele foi claro: “Tome a sua cruz”. É preciso conformar-se
inteiramente ao que Ele determinou e respeitar em tudo os desígnios divinos. O
cristão vive os sofrimentos permitidos por Deus no horizonte de um profundo
amor ao seu Senhor, Pai e Amigo. Cumpre se abandonar continuamente à sabedoria
de Deus que sabe o que é melhor para cada um. O certo é, porém, que Deus dá
sempre força e luz para levar com amor o sofrimento que se apresentar na vida
de quem tem fé. Nada porém de antecipar ou imaginar qualquer amargura futura,
mas, isto sim, quando ela vier acolhê-la amorosamente e com a graça divina
transformar os espinhos da vida em pérolas para a eternidade. Além disto, é
preciso compreender ao máximo todos os que passam longamente pelas provas
enviadas pelo Ser Supremo, ajudando o próximo a levar sua cruz. Servindo a
Igreja vista não como uma estrutura, mas servidora das almas que a compõem e
então qualquer sofrimento ganha um sentido profundo. Trata-se de testemunhar em
tudo Cristo que por todos sofreu, descobrindo nossa identidade de cristãos, demonstrando
o fundamento de nossa fé. Isto deve levar então a transmitir a todos que se
pode encontrar em Jesus uma parrava de vida
que oferece sentido a tudo que se pensa, se diz e se pratica. Infeliz é o
cristão que na hora em que é provado pelo sofrimento se desespera ou se
revolta. Na vida do autêntico fiel
refulge sempre o verdadeiro sentido de seu encontro pessoal com Cristo que
levou sua cruz até o Calvário. O papa São João Paulo II na sua carta Apostólica
na abertura do Novo Milênio escreveu:” Nosso testemunho seria bem frágil se não
fossemos os primeiros a testemunhar a verdadeira visão de Jesus Cristo”. Este
nos oferece um bom caminho para bem testemunharmos o divino Redentor, sua
Verdade completa. Ele indaga a cada um: “Vos quem dizeis que eu sou”? É uma
questão de fé, de implicação pessoal. A resposta não se encontra senão na
experiência do silêncio e da oração, pois se trata de algo pessoal, caminho que
souberam percorrer os santos e no qual sabem andar os verdadeiros seguidores de
Cristo. Que nossa prece torne sempre palpável a presença libertadora do amor de
Deus sobretudo nos momentos de provações. É assim que Deus continua a fazer
aliança com cada um que lhe é fiel através de sinais claros de sua presença, É
bom, porém, se lembrar continuamente que sofrer passa, o ter sofrido com Jesus
permanece para sempre. Deste modo, como falou São Paulo aos romanos, o Deus da
esperança oferece em plenitude na vida deste autêntico cristão a alegria e a paz (Rm 15,13) Este sapóstolo afirmou a Timóteo: “Se com
Cristo sofremos, com Ele também
reinaremos “(2 Tm 2,2)* Professor
no Seminário de Mariana durante 40 anos.
JESUS FEZ BEM TODAS AS COISAS
Côn. José Geraldo Vidigal de
Carvalho
No
Evangelho
de hoje contemplamos diante de Jesus um surdo mudo. O divino Taumaturgo fazendo
dois gestos terapêuticos e proferindo uma ordem salvadora: “Abre-te”, operando
então uma cura admirável. (Mc 7,31-38) Tratava-se de um homem que tinha dois órgãos de comunicação
fechados: a palavra e a audição. Era para sarar esses males que se pedia a
Jesus lhe impusesse as mãos, abrindo-lhe os ouvidos
e lhe desatando a prisão da língua. Então o surdo mudo passou a falar
expeditamente, corretamente, com justeza. Vivamente admirados os que
presenciaram este notável acontecimento proclamavam: “Ele tem feito bem todas
as coisas. Faz os surdos ouvir e falar os mudos.” É de se notar o fato de que
pessoas caridosas haviam conduzido o doente até àquele médico divino. Eles não podiam
nada fazer por si mesmos, mas sabiam do poder extraordinário que Cristo possuía, a total capacidade de o
curar e libertar das doenças todos os que delas padeciam. Notável a atitude
tomada por Cristo que recebe com ternura o surdo mudo, levando-o à parte,
mostrando que patrocinava um encontro privado, por assim dizer, coração a
coração, operando o extraordinário milagre de sua cura. Do grande tesouro do
amor de Deus participaram os circunstantes ao presenciar fato tão admirável.
Num contexto, como o atual, no qual se multiplicam os incrédulos, tendo muitos
perdido a fé, é bem que se lembre que a evangelização não consiste tanto em
procurar novos métodos para difundir a doutrina pregada pelo Filho de Deus, mas
em oferecer um encontro com Deus, falando aos corações descrentes, para que
ouvidos se abram, línguas de desatem. Cumpre, porém, se lembre sempre que Jesus
é o único Senhor e Salvador. Jesus é
aquele que fez bem, admiravelmente, todas as coisas como o atestaram seus
contemporâneos. Não fez nada pela metade e não deixou coisa alguma de lado para
completar depois. Seu seguidor deve tudo fazer com a máxima perfeição possível
na prece, no contato com os outros, inclusive com os familiares, no trabalho,
no apostolado. Ser sempre diligente espiritualmente e em todas as ações,
vivendo a mensagem da encíclica do Papa Francisco “Ser todos Irmãos”(Frateli tutti), certos de
que a ferramenta para unir a humanidade é a cultura da fraternidade. Quem
admira Jesus, que fez bem todas as coisas, deve ser severo consigo mesmo, mas
manso e humilde perante todos os irmãos. Aquele que imita Jesus pratica com a
máxima perfeição possível o que deve fazer não para causar boa impressão aos
outros ou por mera vaidade ou outras intenções meramente terrenas, mas porque
Deus não ama as más ações ou o que é mal feito. Lemos na Bíblia que toda obra
de Deus é perfeita (Deut 31,4). O Senhor por intermédio de Moisés declarou ao
povo de Israel: “Vós não me oferecereis
qualquer oferenda que tenha defeito, pois ela não me seria de meu agrado (Lev
22,20), Daí total aplicação àquilo que se esteja fazendo para que tal ação seja
do agrado divino. Vemos pela narrativa de São Marcos que Jesus ao operar a cura
do surdo mudo agiu com sumo capricho, pois Ele
colocou os dedos nos ouvidos do surdo e tocou
depois sua língua com o dedo humedecido
de saliva. Era assim que se procedia na medicina, não só em Israel, mas ainda em todo o mundo greco-romano. Jesus, completou tudo isto olhando o céu, para bem significar àquele pobre homem de onde lhe viria sua cura. O poder de Deus iria se manifestar.
Jesus suspirou, bem significando com isto o gemido da humanidade sofredora,
o longo pranto de todos os doentes crônicos, lembrando a profecia de Isaias
sobre o Servo de Deus: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as
nossas doenças” (Isaias 53, 4-5). Depois vem a palavra que completa a cura,
palavra que São Marcos conservou tal qual no aramaico popular que Jesus falava:
“Effata!”. Abre-te, era uma ordem. Esta palavra de Cristo curou o corpo e abriu
os ouvidos e soltou a língua do surdo mudo. Effata, abre- te, diz Jesus a todo
aquele que se fecha na sua solidão e carrega todo o sofrimento, como, por exemplo, rancor
interior. É o mesmo que Ele diz a todo
aquele que se acha fechado no seu passado e que carrega o fardo das
lembranças maléficas; a todo aquele que espera ser amado, mas se mostra irado
contra os outros; a todo aquele que sofre mais do que ele mesmo,
que é mais mudo, mais surdo, menos compreensível, porque decepciona os irmãos. Effata- abre-te, sobretudo à palavra de teu
Deus que vem oferecer força, que vem enriquecer
a cada hora, contanto que haja espaço à
esperança,. Effata- abre-te a toda
mensagem que Jesus sempre propõe. * Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos.
HONRAR A DEUS DE TODO O CORAÇÃO
Coo. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Jesus enfrentou questionamentos de alguns fariseus sectários,
hipócritas, péssimos intérpretes da Lei
(Mc 7,1-23). Isto mostra como é possível
que ocorram escolhos na vida religiosa. De tais desvios devem seus seguidores se
eximir para evitarem condutas falsas, julgando, contudo, estarem agindo
corretamente. Todo cuidado é pouco para afastar sempre estas caricaturas
espirituais. São impasses que impedem honrar de verdade a Deus, servindo-O de
todo o coração. Cumpre se lembre sempre
que há necessidade de se ter uma visão correta dos preceitos divinos e, assim,
estar em tudo libertado por Cristo dos entraves suscitados pelos homens. Ele o
único mestre sábio, humilde, verdadeiro, obediente à Lei, porque inteiramente
fiel aos ensinamentos do Pai. O trecho do Evangelho citado convida então a ter um
procedimento tal que se comporte, penetrando amplamente na sua mensagem de
hoje, a qual sublinha dois desvios bem característicos da sociedade hodierna
que influencia a tantos cristãos. Com efeito, nota-se, por vezes, apenas uma
preocupação asséptica ritualista corporal, esquecida a pureza interior da
própria consciência. Percebe-se que os termos empregados pelo Evangelista, como
lavagem, aspersão, mostrava o cuidado farisaico da limpeza. Após as
advertências de Louis Pasteur e os transtornos da pandemia este cuidado de toda
a sociedade se tornou imprescindível. Isto, porém, por razões higiênicas e não
rituais. Contudo é possível até que tenha havido alguma negligência condenável
da parte dos discípulos de Jesus. Louváveis, portanto, os cuidados higiênicos, condenável,
porém qualquer atitude ritualista. Longe, portanto, a pureza ritualista com
hábitos sanitários impregnados de crendices. Jesus alertou contra as autênticas
impurezas, pois a pior delas é o coração imundo, poluído. É sobre isto que
Jesus deixou uma magnífica lição. A principal pureza que o cristão deve buscar
é aquela que Deus oferece, inclusive os próprios hábitos sanitários que a
caridade fraterna exige. Felizmente quantos cristão cuidam sabiamente de seu
corpo, porque sabem que ele é o templo do Espírito Santo, fugindo, porém,
sempre das distorções da vaidade e do desperdício com os exageros
desnecessários com relação à saúde. Em segundo lugar. É preciso o cuidado com a
mania de uma sociedade que passa a endeusar estas preocupações físicas em
detrimento da uma postura equilibrada, fugindo dos excessos dos cuidados com o
corpo, movido isto pela fatuidade e cultivo do supérfluo. A propaganda dos
cosméticos alimentam, por vezes técnicas que bem se assemelham à multiplicidade
condenável que Jesus fustigou. Não se pode, como o Mestre divino alertou,
desprezar os mandamentos divinos pelas tradições meramente humanas, que têm
tanto poder de transmissão e persuasão no que tange os costumes e se tendem
tornar uma idolatria corporal. Os fariseus tinham substituído o mandamento
divino por seus costumes que eram imediatamente utilizáveis, explicáveis e
facilmente acatados, mas, eivados de desvios. Quantos até se tornam escravos da moda.
Segundo pesquisas recentes a moda é o segundo setor que mais explora o trabalho
escravo no mundo. Trata-se da prevalência das veleidades do momento. Surgem
então leis de acordo com a mentalidade reinante, donde o formalismo e o ritualismo,
ficando obscurecido o caminho espiritual. Desvios assépticos ou determinados procedimentos
que levam a agir como os fariseus do evangelho de hoje condenados por Jesus.
Atitudes às vezes até ridículas. É
preciso neste caso perceber o que é doutrina meramente humana errônea para
imediatamente a recusar ou o mandamento do Senhor para o colocar em prática. Cumpre
então seguir o conselho de São Tiago, escutar humildemente a Palavra de Deus
semeada em nós. Escutar significa acolher as mensagens divinas do Deus
Altíssimo, uma louvável saída de si mesmo para vivenciar os apelos do Ser
Supremo. No Apocalipse está claro o que Deus fala: “Eis que estou à porta e
abro. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em casa dele e cearemos
juntos eu com ele e ele comigo” (At 3,20-21). O verdadeiro mal é não captar o
projeto de Deus, seu grande desejo de salvação como os fariseus que edificaram
um legalismo vazio de amor. Deus não quer que o homem o honre com prescrições
superficiais, mas deseja que seu coração esteja perto dele, fazendo o que Ele
quer e não o que erroneamente preceituam os homens. O cristianismo é verdadeiramente
a religião do coração O que emana de um coração sincero, autêntico, puro, é que
conta diante de Deus. Uma esmola dada por mãos perfumadas de quem é egoísta, vaidoso,
não enobrece a pessoa que faz tal oferenda. Professor
no Seminário de Mariana durante 40 anos.
O SANTO DE DEUS
Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho
Depois
que Jesus falou sobre o pão da vida houve acentuada rejeição entre os discípulos
e muitos já não andavam mais com Ele. Foi quando Jesus indagou aos doze se eles
também O queriam abandonar. Notável a resposta
que em nome de todos lhe deu Simão Pedro: “Para quem iremos nós? Tu tens
palavras de vida eterna, e nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo
6,60-69). Jesus não obrigaria a adesão a ele, forçando a liberdade de cada um.
A adesão a ele deveria ser de fato fruto da fé em suas palavras e isto por ser
ele o todo poderoso Filho de Deus. A fidelidae a ele devia, portanto, fluir da
realidade sublime de sua doutrina e de sua profunda santidade, dado que ele e o
Pai, embora fosse duas pessoas distintas, possuíam a mesma natureza divina. Daí
uma oblação integral a ele, sabendo que não haveria nenhum absurdo no que ele
afirmara ao dizer que era o pão da vida, procedendo do céu e dando vida ao
mundo. Tratava-se de um amor mútuo
oferecido e recebido em função da vida em plenitude, fruto de uma verdadeira
dileção Tudo isto alicerçado nesta realidade: de ser ele, de fato, o santo de
Deus, que tudo podia, levando a uma crença fundada na divindade de quem se dizia
o pão da vida. Jesus, portanto já havia manifestado para os doze a grandeza e a
profundidade do amor verdadeiro.do qual a Eucaristia seria um prova
extraordinária. Participação maravilhosa, fruto de uma escolha gratuita: “Fui
eu que vos escolhi e estabeleci no amor de Deus” (Jo 15,16). Assim sendo, ele
nos deu a capacidade de amá-lo. e de ser por ele amado. Isto torna o cristão
feliz quando vive esta realidade sublime. Esta disposição de se voltar para
Deus, torna o ser humano profundamente feliz quando ele está cônscio desta excepcional
prerrogativa que o eleva acima de todos os outros seres terrenos. Se Deus nos
mandasse amá-lo sem nos dar a aptidão de assim agir, terrível seria a situação
humana. Entretanto, o homem tem a capacidade de amar o Ser Supremo, ainda que
isto exija esforço, embora isto seja bom para a criatura racional. Eis porque o
Senhor dá o mandamento do amor a Ele, o que é o verdadeiro caminho da
realização plena do ser humano. Quando amamos a Deus somos felizes, dando
frutos e frutos que permanecem para sempre. Se a manifestação da dileção a Deus
se torna difícil é ir até Jesus, repetindo com os Apóstolos, “Senhor a quem
iríamos nós, só vós tendes palavras de vida eterna”. Aí está a grande questão que Jesus apresenta a quem se diz ser seu
discípulo. O ensinamento de Jesus ultrapassa o entendimento humano. Os judeus
da época não compreenderam o alcance da palavra do Mestre divino, mesmo tendo vistos
os prodígios que operava, não podiam aceitar a ideia de que Ele daria seu corpo a comer e seu
sangue a beber. Por isto muitos o abandonaram, dado que não entendiam o que Ele
dizia e, assim, não mais o podiam seguir. Os Apóstolos mesmos estavam perplexos
e cabia então a eles decidir se iam ou não também O deixar de lado.Pedro que
toma a palavra, mostrando ser impossível deixar o Mestre bem amado e o silêncio
dos outros confirma a postura de todos. Pedro deixava claro que somente Jesus
tinha palavras de vida eterna e que Ele era o Santo de Deus, Portanto, não
compreendiam o que Jesus dizia, mas sabiam que Ele era o Senhor, o Messias e
ponto final! Eles continuariam a caminhar com Jesus na fé e na confiança. Este
texto nos leva então a questões importantes, ou seja, o que venha a ser o
mistério da Eucaristia. Para cada um de nós, o que é a Hóstia consagrada para
nossas vidas? É verdadeiramente o Corpo de Cristo? Como se transforma o nosso
coração quando nós comungamos? Em função da Eucaristia como temos vivido? Isto
sobretudo no que diz. Sobretudo, ao amor ao próximo, ao perdão cordial, ao bem
que devemos praticar para cos irmãos. Sempre há algo supérfluo que pode ser
partilhado, quando impera o desapego das coisas materiais. Nunca se deve dizer
a Jesus, ao Santo de Deus, que não queremos ir um pouco mais longe com Ele. Cumpre
estar sempre disposto a dar o passo da fé e aceitar plenamente sua palavra e
não somente a que nós compreendemos com nossa inteligência ou que convém a
nossos interesses pessoais. É preciso caminhar verdadeiramente com Ele ultrapassando
nossos raciocínios humanos. É preciso ter não uma mentalidade fechada à Palavra
salifica e vivificante de Jesus, mas se entregar inteiramente a Ele. É que Ele,
e somente Ele, tem palavras de vida eterna. Todas as ações de Cristo foram
manifestações de seu poder, de sua glória e de sua divindade Todos os seus
milagres, seu batismo no Jordão, suas pregações, sua Transfiguração, O mostram
como sendo Filho de Deus e. mesmo os espíritos maus o reconheciam como o Santo
de Deus. Cristo, porém, continua a se manifestar ao mundo de hoje, e devemos
fazê-lo conhecido e amado. * Professor no
Seminário de Mariana durante 40 anos
.
2.
A ASSUNÇÃO DE MARIA E A NOSSA
RESSURREIÇÃO FUTURA
Côn. José Geraldo Vidigal de
Carvalho*
A Assunção de Maria ao céu prefigura a
nossa ressurreição futura. Duas verdades de fé. Com efeito, o Papa Pio XII há
70 anos, no dia primeiro de novembro de 1950, declarou e definiu o dogma da
Assunção em corpo e alma da Virgem Mãe de Deus à gloria celestial. Como se
recita no Credo, nós cremos na ressurreição da carne e na vida eterna. Assim como
a Mãe de Jesus, nós somos destinados ao mesmo itinerário de glória, não obstante
as vississitudes da trajetória terrena. Isto do mesmo modo como ocorreu com a
Virgem Maria. Valeu também para ela o célebre brocardo per crucem
ad lucem, frase com a qual São Bruno resumiu a vida dos monges
cartuchos, mas que vale para todo o cristão, pois é a partir dos sofrimentos
aceitos por amor a Deus é que se chega à luz duradoura do céu. A felicidade
perene passa sempre pela cruz dos aborrecimentos e Jesus deixou claro: “Quem
quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Bem
sabemos quão terríveis foram os padecimentos de sua Mãe Santíssima. A mesma
Virgem, Senhora das Dores, é aquela que hoje contemplamos “vestida de sol,
tendo a lua debaixo dos seus pés e sobre a sua cabeça uma coroa de doze
estrelas”, como lemos no Apocalipse (Ap 12,1). Não há limites nas obras de
Deus. Assim sendo, esta solenidade da Assunção de Maria aos céus é um convite
para que cada um se engaje resolutamente no caminho da transfiguração de seu
ser, condição para a ressurreição gloriosa no último dia. Dar, a exemplo de
Maria, um sim sem condições à vontade divina, uma livre resposta à fé que leva
o cristão a acatar em tudo os desígnios de Deus. Hoje pedimos à Virgem Maria
que interceda por nós para sermos constantes nesta terra e podermos um dia
estar com ela lá no céu. Isto após vencermos as forças do mal sob a paz e a luz
resplandecentes de Deus. São João Paulo II na encíclica Redemptoris
Mater – Mãe do Redentor - assim se expressou: "Como é grande,
como é heroica a obediência da fé da qual Maria deu prova face aos decretos
insondáveis de Deus! Por uma tal fé, Maria se uniu perfeitamente a Cristo no
seu despojamento”. É imitando esta fé extraordinária da Virgem, a qual foi
elevada aos céus, que cada um de seus filhos deve comemorar esta solenidade de
sua entrada na glória sem fim. Deste modo, ela estará sempre próxima das
alegrias e das dores de seus filhos peregrinos rumo à felicidade sem fim. Foi a
fidelidade radical de Maria que a levou a ser coroada na plenitude da gloria da
Trindade Santa. Eis porque Ela é a honra da Igreja, a alegria da humanidade
transformada pela graça. Sua Imaculada Conceição a preservou das sequelas do
pecado original, assim como sua Assunção a resguardou da degradação do túmulo.
Dois privilégios concedidos por Deus dado que ela, ao conceber do Espírito
Santo, o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós. Por ocasião de sua
visita a Santa Isabel, no seu hino o Magnificat, mostrou
sua decisão de servir a Deus com um coração ajustado à vontade divina. Deixou assim
uma maneira de proceder para estar para sempre gozando deste Ser infinitamente
amável. Trata-se de servir a Deus humildemente nas tarefas cotidianas; de
louvar a Deus por todos os seus benefícios, contemplando-O nas maravilhas de
cada hora. O Concílio Vaticano II nos diz que na sua assunção e sua
glorificação Maria é a imagem e o começo do que será a Igreja em sua forma
acabada no retorno de Cristo. Agindo como Maria, o cristão terá um lugar lá no
Céu na medida em que soube proclamar os louvores a Deus neste mundo, colocando
em tudo em prática o Evangelho. A luta é de cada hora, pugna contra o diabo e
seus sequazes, mas Maria, nos ensina ainda o Concílio Vaticano II, Ela, de
fato, brilha diante do povo em marcha como um sinal de esperança certa e de
consolação (LG 68). Alegremo-nos, portanto, porque a Mãe de Jesus e nossa mãe
espiritual nos aguarda lá no céu. Matriculemo-nos, pois, na escola de Maria,
atentos a suas inspirações e, assim, ela nos acolherá um dia, após o juízo
universal, também de corpo e alma na casa preparada desde toda a eternidade
para os que souberam amar e servir a Deus nesta terra. Trata-se então de viver
na fé, na esperança e no amor a Deus e ao próximo, numa prece contínua e em
ininterrupta ação de graças* Professor no Seminário
de Mariana durante 40 nos.
BENDITA
ÉS TU ENTRE AS MULHERES
Côn. Jose Geraldo Vidigal de
Carvalho*
Festejar a assunção da
Virgem Maria aos céus, não é apenas celebrar sua ascensão de corpo e alma para
junto da Trindade Santa, mas, antes de tudo e sobretudo, é solenizar a
maravilha da salvação que nela em plenitude, por primeiro, se realizou. Cristo
a recebe festivamente na casa do Pai e bem se pode dizer que na festa de hoje se
soleniza a assunção de Maria por ser ela a Mãe do Salvador, que a introduz nos
esplendores da eternidade do Ser Supremo. De fato, ela, como a saudou o Anjo,
era a cheia de graça e o Senhor estava com ela, enriquecida, realmente, em sumo
grau de bens espirituais (Lc 1.39-56). Esta assunção é então algo de passivo e
quem é dela objeto a recebeu por puro favor divino. A Virgem Maria é a grande
beneficiada, pois este fato é obra do Senhor que nela assumira nossa humanidade.
Em Maria nós vemos na história humana pela primeira e única vez a realização de
uma assunção numa criatura por causa de uma sublime maternidade. Tudo nela, em
seu corpo e em sua alma, é assumido na glória eterna de Deus, de maneira
perfeita e total. Celebra-se, portanto, a entrada de corpo e de alma da Mãe de
Jesus na glória de Deus Pai. Tudo nesta celebração é alegria para Maria e para
todos nós seus filhos espirituais. Eis porque Santa Terezinha do Menino Jesus
com razão proclamava que “o tesouro da Mãe pertence também aos filhos”,
exultantes de júbilo por esta maravilha da assunção. Com toda a Igreja os cristãos
são convidados a se rejubilar na solenidade de hoje. A Virgem Maria preservada
da mancha do pecado original, tendo cumprido o curso de sua vida terrestre foi,
de fato, elevada de corpo e alma à glória do céu e exaltada pelo Senhor como a
Rainha do Universo para ser assim ainda mais conforme a seu filho Jesus. Tal
foi a Fé da Igreja proclamada solenemente dia primeiro de novembro de 1950 pelo
Papa Pio XII. Deste modo, a Virgem Maria foi associada à vida, à morte e à ressurreição
de seu Filho de uma maneira realmente inimaginável. Ela que se apresentou ao
Arcanjo São Gabriel como a “humilde serva do Senhor” é também aquela que
apregoou no seu hino que todas as gerações a proclamariam bem-aventurada. Ela
que se acha com seu corpo e sua alma, isto é, com toda sua pessoa na alegria do
céu, na exultação da Cidade de Deus. Neste triunfo de Maria admiramos as
maravilhas que Deus realizou em uma frágil humanidade, o que honrou de macieira
admirável todo o gênero humano. Ela soube maravilhosamente acolher o Verbo
eterno de Deus que nela se fez carne e habitou entre nós. Em Maria Deus
encontrou a morada ideal, pois nela não havia nenhum espaço que fosse inacessível
à presença do Todo Poderoso Senhor. Nela nenhum obstáculo a esta sublime
presença. Ela foi um ícone no qual resplandeceu
a glória divina. Esta glória inefavelmente recebida numa vida inteiramente
submetida a seu Senhor. Sua vida foi um total SIM ao Ser Supremo. Ela se tornou
então criatura e mãe em Jesus, de um Deus que quis se oferecer a todo o homem
que soubesse a seu exemplo acolhê-lo como Filho de Deus, o divino Salvador. Maria
nos é oferecida como mãe para que seu filho possa nascer em cada um dos
batizados. Isto porque ela de tal modo se deixou amoldar por Deus que ela não reteve
nada de si mesma, pois Ela ofereceu tudo a seu Senhor Onipotente. Se ela reteve
seu Filho em seus braços, foi para melhor O oferecer aos homens feridos pelo
pecado. Contemplar Maria é ver a
criatura humana tal como Deus a criou. Eis porque hoje mais do que nunca é
preciso entrar na escola de Maria para aprender o que é a coragem cristã, a
confiança, o amor e a esperança. Isto significa viver a inteligência da fé,
sabendo, porém, que infinito é o mistério da fé. Jamais compreenderemos o
mistério divino. Entrar na escola de Maria é se colocar na rota de Jesus, é ser
o testemunho de sua obra salvífica. Com
Jesus o cristão é capaz de enfrentar todas as provas, como ocorreu com sua mãe
em tantos lances acerbos de sua existência, como ocorreu, por exemplo, lá no
Calvário, onde apesar de um sofrimento tão grande ela se manteve corajosamente
de pé. Deus quer que também nós façamos frente aos sofrimentos inevitáveis a
este degredo terrestre. A exemplo de Maria deixar Deus viver em nós. Com Maria
e como Maria saibamos viver os tempos da fé, tempos do acolhimento em plenitude
da Palavra de Deus e da revelação de seus desígnios misericordiosos. Que em
nossas vidas esteja sempre afastado o demônio com todas as suas malévolas ciladas.
Foi para este combate que Cristo veio a esta terra. Luta também da Igreja que é
a imagem de Maria. Luta que cada cristão tem que enfrentar desde que recebeu o
espírito da verdade no dia de seu batismo. Combate contra o pecado sob todas as
suas formas, combate pela justiça do reino e Deus e a verdade do Evangelho. * Professor no Seminário de Mariana durante
40anos.