segunda-feira, 5 de junho de 2023
quarta-feira, 31 de maio de 2023
ACOMPANHAR SEMPRE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O Evangelho fala de um chamado especial de Jesus, a vocação do publicano
Mateus (Mt 9.9-13). O Mestre divino preparou um pequeno grupo de discípulos que
deveriam continuar sua missão de salvação. Ele toma aqueles que Ele quer:
pecadores ou pessoas de uma tarefa humilde. Assim sendo. Ele chama inclusive um
publicano, quem exercia uma profissão que era mal vista pelos judeus, dado que os
publicanos recebiam impostos em nome do governador romano ao qual eles não
queriam se submeter. O apelo de Jesus foi claro: “Segue-me”. Mateus então
abandona sua profissão e envolto numa profunda alegria oferece a Cristo um
festim para expressar seu agradecimento. Muitos publicanos e pecadores se
puseram à mesa com Jesus. Os fariseus não se calaram e abordaram os discípulos:
“Porque vosso Mestre come com os publicanos e pecadores”? Tendo escutado isto,
Jesus imediatamente dá a resposta em nome dos seus discípulos: “Não precisam de
médico os que têm boa saúde, mas os doentes “. A analogia era perfeita: “Eu não
vim chamar os justos, mas os pecadores”. Atualíssimas estas palavras de Cristo,
pois Ele continua a nos chamar para segui-lo, cada um segundo o sua condição e
sua profissão. Seguir Jesus quer dizer muito frequentemente abandonar paixões desordenadas,
maus comportamentos familiares, a perda do tempo que deveria ser consagrado à
oração, ao banquete eucarístico, à evangelização. Enfim, tudo isto quer dizer
que um verdadeiro cristão, conforme ensinou Santo Inácio de Antioquia, não é
seu próprio mestre, mas se oferece sempre ao serviços de Deus. É certo que
Jesus exige mudanças na vida de quem acatou seu chamado, tanto mais que o ser
humano pode e deve aprimorar-se continuamente. O que passou entre Jesus e Mateus
nós não o sabemos, mas pelo texto do Evangelho sabemos que houve um chamado bem
correspondido. Sob o olhar de Jesus aquele que Ele chamou e outros que
constituiriam o Colégio apostólico, cada um pôde se conhecer, reconhecer sua fraqueza e o
caminho pessoal de cada um lhe permitia reconhecer os outros para os atrair
para o Mestre divino. A Boa Nova não era para indivíduos isolados, era para um grupo de pessoas e
Jesus deixou claro que Ele viera chamar não os justos, mas os pecadores
arrependidos. Esses então atrairiam outros para o ideal pregado por Cristo. Eis aí o valor da palavra e do bom exemplo
pelos quais se pode evangelizar num acolhimento que não exclui, mas salva. Ser salvo é ser acolhido por Jesus no seu
reino de Justiça e de Paz. Além disto, de numa maneira espiritual, há também a
salvação na participação na vida trinitária, pois nos tornamos filhos adotivos
do Pai. Trata-se, portanto de viver numa comunhão pessoal e íntima com Deus
nosso Pai. Deve-se então compreender a salvação como a expressão do amor de Deus
que nos estabelece numa nova relação com Deus e, assim sendo, devemos entender
a salvação como um dom e acatar em tudo a santíssima vontade divina. Ao seguir os planos divinos o homem não pode
se tornar Deus, mas Deus pode fazer do homem seu filho. Ao seguir em tudo a
vontade de Deus o homem se estabelece numa relação nova com Deus. Seguindo o
desígnios divinos cada um pode e deve participar do amor infinito que existe
entre o Pai e o Filho no Espírito Santo. Significa, portanto, ser amado e
participar do amor de Deus. Foi o que aconteceu com Mateus e fez dele um
admirável seguidor de Cristo. Mais tarde Mateus, tornando-se um notável
evangelista registrará estas palavras de Jesus: “Não é aquele que diz Senhor, Senhor,
que entrará no reino dos céus, mas sim, aquele que faz a vontade de meu Pai que
está nos céus. (Mt 7,21). Portanto, seguir em tudo o chamado de Deus representa
viver o dom deste chamamento A questão que se põe não é saber o cristão o que
ele deve fazer para merecer o céu, mas saber como se obedece ao apelo de Deus e
isto tão prontamente como ocorreu com Mateus. Note-se que a infidelidade mata o
dom recebido, pois não seguir logo o apelo de Deus se mata o dom precioso de
seu chamado. Está no Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo.” (Ap 3,20). Foi
o que fez Mateus e nos deixou tão valioso exemplo. Ele abandona imediatamente o
seu serviço e segue Jesus! Isto significou uma conversão total. Jesus chamou um
pecador que se converte plenamente Vemos
que Jesus nos mostra duas verdades: Deus olha o coração do homem que Ele chama quando
quer e como Ele quer. Deus vem a cada um não importa sua situação espiritual.
Ele o santificará. Em segundo lugar o importante é nunca fechar a porta ao
chamado divino. Cumpre atendê-lo e se colocar ao serviço dos outros e da palavra
com fez Mateus. Abrir-se sempre a porta do coração e se esteja atento aos
desígnios divinos. O que disto resultará está nãos mãos de Deus * Professor no seminário de Mariana durante 40
anos.
terça-feira, 23 de maio de 2023
SANTÍSSIMA TRINDADE
Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A
Fé de todos os cristãos se concentra na Santíssima Trindade. O amor de Deus
alcança seu mais alto grau ao sacrificar o seu Filho unigênito, isto é, Jesus,
o Verbo encarnado, por todos e cada um dos homens. Deus quer, portanto, a
salvação de todos e não sua condenação e todos os homens ao crerem nele, isto
é, em Jesus Redentor, podem ter a vida eterna. (João 3, 16-18). Deus salvou o
mundo através de Jesus, porque Ele é amor e se Ele é amor é Trindade e esta revelação
está no centro da mensagem cristã. Com efeito, se entende que Deus é amor neste
sentido que Deus age a nosso respeito com misericórdia, solicitude e ternura, e
isto o povo de Israel o sabia e o Corão não o rejeita também. Neste caso se
pode dizer somente que Deus nos ama, mas não que Deus é amor. Como nós podemos dizer de cada um de
nós que nós amamos tal ou tal pessoa ou coisa, mas isto não nos permite de
dizer que nós somos amor. Ora a revelação do Novo Testamento vai até dizer que
Deus é Amor. A revelação cristã chega à vida íntima de Deus, sobre seu ser e
não sobre o seu simples agir ou sentimento. O Senhor se revelou junto dos homens
pela sua solicitude por nós, por intenções benevolentes junto dos homens. Com
Jesus Cristo, porém, vamos além da simples compreensão da manifestação do amor
de Deus. Nós podemos compreender que não somente Deus age com amor e por amor,
mas que Ele e é o amor mesmo. Com Jesus Deus se revelou como comunhão de amor
entre o Pai e o Filho no Espírito Santo. Se podemos dizer que Deus é por
essência amor, é porque nós cremos que
Ele não é solitário. Com efeito, não há amor senão se há uma pessoa que ama e
uma pessoa amada. Se eu não amo nada nem pessoa alguma, a rigor eu posso ter um
desejo de amor, mas eu não posso dizer que eu amo. Eu não posso dizer que eu
amo senão se há uma pessoa ou um objeto para o qual meu amor se orienta. Ao
dizer que Deus é amor significa que nele mesmo e independentemente da criação
há nele uma possibilidade de relações. Dizer que Deus é amor é dizer que há nele
mesmo uma pessoa que ama e uma pessoa amada.
Isso porque o amor não existe em teoria, nem de maneira abstrata, ele
não existe senão na realidade de uma relação.
Eis porque a revelação da Trindade vai de par com a revelação da
essência de Deus como amor. É o mistério mesmo do amor que está no princípio e
no fim de nossa existência. Cada uma das três pessoas não existe por ela mesma,
ela não existe senão sendo pelas duas outras pessoas. O Pai não existe como Pai
distinto do Filho ao qual se dá inteiramente. O Filho não existe como Filho distinto
do Pai senão sendo todo inteiro um elã de amor para com o Pai. O Pai não existe
como uma pessoa constituída nela mesma e por ela mesma, mas é o ato de engendrar
o Filho que O constitui como pessoa. O Espírito Santo é por sua vez o dom do
Pai ao Filho e a resposta do Filho ao Pai. O que é assim revelado é que a relação
de amor é a forma original de ser, isto é que o fundo do ser divino é esta comunhão
de amor. Deus nos ama porque o amor está nele. Esta realidade do amor de Deus, como
uma característica de seu ser, nos assegura também a realidade de seu amor. Ele
não pode deixar de nos amar, ou Ele não o seria o que Ele é. Seu amor para conosco é abertura da
comunicação do amor que constitui o seu ser. Nós não fazemos senão partilhar o
que constitui a relação do Pai com o Filho no Espírito Santo. Deus me ama porque Ele é amor (1 Jo 4, 7-10).
No lugar de uma força obscura, de uma
energia prodigiosa, mas sem visão, nós descobrimos na criação e na origem desta
a visão de um Amor que é Deus. Estas revelação de Deus Trindade é capital
porque ela permite ao ser humano se compreender a si mesmo. Criado à imagem e
semelhança de Deus o homem se compreende como fruto do amor divino. Criado à imagem e semelhança de Deus o homem
se descobre fundamentalmente como um ser de relações e comunhão. Todo homem
possui este desejo de amar e de ser amado, anelo que não se realiza plenamente
senão entrando em si mesmo e no acolhimento do outro. Nossa vocação fundamental
ao amor e à felicidade é, portanto, uma vocação, o dom e o acolhimento do
outro. O mistério da Santíssima Trindade
é portanto também essencial para aclarar nossa vida. Este mistério nos revela que
nos dispomos ao trabalho de uma conversão permanente que consiste em
ultrapassar nossa maneira equívoca de amar. Por tudo isto podemos compreender
que o mistério da Santíssima Trindade é o mistério do amor de Deus que é amor. Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos
.
quinta-feira, 18 de maio de 2023
RECEBEI
O ESPIRITO SANTO
Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
No
Evangelho de hoje Jesus nos mostra que seus seguidores, após Pentecostes, entram
plenamente de corpo de alma no movimento dinâmico, na nova maneira de ser:
“Assim como o Pai me enviou, também eu envio a vós [...] Recebei o Espírito
Santo” (Jo 20, 19-23). Cristo nos envia a
falar e a fazer as maravilhas de Deus. Maravilhas, de fato, da misericórdia que
é preciso anunciar de verdade. Ele nos envia como Ele mesmo foi enviado, não
somente a comparação vale para a evangelização, mas também vale para a maneira
de a fazer, porque nós evangelizamos pela e com nossa humanidade, nossas
palavras e nossos gestos, mas uma humanidade renovada dado que num liame direto
e muito íntimo com a sua santa humanidade que depois da Ascensão está junto
do Pai. Esta relação é tão intima que
com São Paulo é preciso falar de uma real unidade, ou seja, aquela de um só
corpo cuja Cabeça está no céu. Entretanto os membros deste corpo ficariam sem
vida se o Sopro de Deus que repousava outrora sobre as águas não viesse a soprar
com uma respiração divina neles mesmos. Jesus foi claro: “Do mesmo modo que o
Pai me enviou, eu também vos envio”. Tendo assim falado, Ele soprou sobre eles
e lhes diz: “Recebei o Espírito Santo”. Os discípulos já estavam repletos de
uma alegria inteiramente humana, ou seja, aquela de ter encontrado seu Mestre e
Amigo. Júbilo, outrossim, santo de reencontrar Jesus que veio até eles estando
as portas fechadas, com uma humanidade ressuscitada, mas verdadeiramente humana
dado que eles reconheceram os traços da efusão do sangue. Nova efusão nesta
manhã, ou seja aquela do Espírito Santo. O Verbo a eles se dirige e os convida
a ´receber, a acolher neles não algo que teriam que descobrir ou reconhecer com
suas forças, mas um Dom infinitamente além de tudo o que lhes era capaz de
conceber e esperar, dado que se tratava de Deus em pessoa, o Espírito Santo e é
de se notar que é Jesus que nos ordena de O receber: “Recebei o Espírito
Santo”. Neste final do Evangelho segundo São João, neste fim do tempo de
Páscoa, escutamos ressoar no fundo de nosso coração a voz da santa humanidade
de Jesus cujas palavras o Evangelista maravilhosamente gravou. Escutamos esta
voz que nos pede receber o Espírito Santo. São Paulo então emprega um termo bem
forte: “Todos fostes embebidos em um só Espírito” (I cor 12,13), Ora não se
pode ser embebido se antes não tenha provado e, na verdades, com uma sede que
faz intensamente desejar beber, tomar desta água. Isto conforme está no Salmo:
“Senhor meu Deus, de vós tem sede a minha alma, por vós anela o meu corpo languente
como terra árida sem água” (Sol 62,2). Abramos então a medida de nosso coração
para desejar um Dom tão precioso. Pentecostes é assim uma solenidade extraordinária,
pois nela inclusive a Igreja começou a existir, neste sentido em que ela
começou a se manifestar. Sua formação real e concreta é bem mais antiga. Certos
primeiros teólogos fazem remontar esta formação no começo da Encarnação do Verbo na Virgem Maria
no dia da Anunciação. A Igreja não pode se desenvolver exteriormente com
justeza no mundo senão na medida em que
ela não cessa de retornar aos fatos de sua formação. Há um duplo movimento
a viver neste dia para nós. Um movimento retrospectivo e um movimento
prospectivo. Este mostra a Igreja que sai de si mesma quando Jesus envia ao
mundo os Apóstolos. Cumpria vencer os temores ao experimentar a paz e a alegria
pela presença do Ressuscitado que imprime confiança ao degustar seu amor
misericordioso. Receber o Espírito Santo é fundamentalmente para a libertação
nossa e dos outros. A maravilha de Pentecostes deve nos levar a sermos os
arautos desta libertação prometida. Devemos fazer de nossos dias um Pentecostes
contínuo onde quer que estejamos. Como é então que anunciamos estas verdades? Trata-se
de levar o Evangelho onde quer que agimos. Cumpre partilhar com os irmãos a Boa
Nova. Nossa fé não pode ser uma doce ilusão, mas deve ser real e concreta nos
levando às últimas consequências de nossa adesão completa ao divino
Ressuscitado. É por isto que Ele está a nos mandar: “Recebei o Espírito Santo”.
Saibamos cultivar e colher seus sete dons vivendo sempre na sua presença
santíssima. Peçamos sempre a Ele seus doze frutos e Ele nos santificará e
iluminará em todas as circunstâncias de nossa vida.* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.
quinta-feira, 11 de maio de 2023
ESTAREI SEMPRE CONVOSCO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Clara a promessa de Jesus: “Eu
estarei convosco todos os dias até fim dos tempos” (Mt 28,16-20). Depois destas palavras os
discípulos O viram se elevar e desaparecer a seus olhos em uma nuvem. Cristo
havia terminado seu percurso nesta terra ao lado de seus apóstolos e sua preleção
acabara neste mundo e se dá então sua
admirável ascensão aos céus onde está assentado à direita de Deus. Jesus era
bem o Messias prometido por todos os profetas. Entretanto, sua partida para o
céu não significou que tudo estava terminado e que não seríamos órfãos do
Mestre divino. A palavra de Jesus não terminara aqui em baixo na terra. Ela vai
continuar mais do que nunca, dado que os onze apóstolos receberam a missão de
ir pelo mundo inteiro para proclamar a
Boa Nova. A palavra de Jesus que durante sua vida terrestre tinha se confinado
em Jerusalém e na Galileia, não tendo ultrapassado a não ser excepcionalmente
as fronteiras do pais, agora ela iria se expandir em todo o império romano. O
Livro dos Atos dos Apóstolos que nos relatam o trabalho das primeiras
comunidades cristãs nos revela que não somente a Palavra de Deus vai atingir o mundo
inteiro, mas ela contudo não perderá nada de sua eficácia. Sobretudo os apóstolos Pedro e Paulo não somente
anunciam a mensagem de Jesus, mas eles também fazem milagres tão admiráveis
como aqueles do divino Mestre. Com efeito, eles curam os cegos, os coxos e
mesmo até ressuscitam mortos. Os corações deveriam se abrir à sua luz para
fazer compreender a esperança que traz consigo seu apelo, a glória sem preço da
herança que deviam partilhar com os fiéis e o poder infinito que tocaria os que
acreditassem.
A misericórdia e o poder do Senhor
não haviam terminado para os homens, porque Jesus se fora para junto do Pai.
Bem, ao contrário, mais que nunca, embora ausente, Jesus continuaria sua obra
entre seus discípulos, ou mais precisamente pelos seus apóstolos. Se as
maravilhas e os milagres divinos continuavam a se manifestar aos homens é que
os discípulos com toda a sua Igreja seriam os continuadores da obra de Jesus e,
mesmo melhor, a Igreja que é o corpo de Cristo e por ela é Cristo que continuaria
sua obra. É certo que Jesus foi elevado corporalmente diante de seus discípulo,
mas continuaria a lhes falar e agir com eles e por eles de uma maneira
inteiramente nova. Eis porque o Evangelho de hoje coloca em seus lábios estas
palavras: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Mesmo
assentado à direita do Pai, Cristo continuaria a agir, estando Ele no coração
de sua Igreja. De uma certa maneira Ele está muito menos ausente do que se
possa imaginar. Eis porque Ele deu a entender a seus discípulos que seria mais
vantajoso que Ele se fosse. Ele estaria, porém, com eles até o fim dos temos,
até o seu retorno em sua glória. Cumpre, pois, compreender o mistério da Ascensão
tendo em vista duas realidades que parecem opostas. De uma parte, nos era
proveitoso que Jesus fosse para junto do Pai e de outra parte também sua
ausência aparente, que esconderia sua presença, era útil, pois se Ele nos
deixava fisicamente era para nos estar presente espiritualmente de uma maneira
mais eficaz. Toda narrativa dos Atos dos Apóstolos tende a demonstrar a
veracidade desta dupla afirmação que parece contraditória. No início dos Atos
dos Apóstolos, a narrativa que nos é feita da primeira comunidade cristã nos
mostra que os discípulos não compreendiam ainda plenamente esta realidade da
presença espiritual e ativa de Jesus na sua Igreja. Até o dia de Pentecostes os
apóstolos ficavam fechados em casa, tinham medo. Seria preciso que a promessa
de Jesus se realizasse, promessa de lhes enviar o Espírito Santo. Esse lhes
daria então não somente a lembrança de Jesus e de suas palavras para anunciarem
a Boa Nova aos homens, mas seria em seu coração e na sua vida a força e o poder
do Mestre divino. Isto fará mais do que cobrir o vazio deixado pela sua partida,
pois é isto que fará da Igreja o Corpo Místico de Cristo e cobriria
espiritualmente a distância criada pela partida física de Jesus. Espiritualmentev
a partida de Cristo e a vinda do Espírito Santo fazem que Jesus esteja hoje
mais presente em sua Igreja e em cada um de nós, porque na Igreja nós somos o
Corpo de Cristo. Deus Pai lhe a tudo submetido e O colocando no mais alto que
tudo Ele fez dele a cabeça da Igreja que é seu corpo e a Ele Deus O cumula
totalmente de sua plenitude. Tornar-se cristão será pois para nós, antes de
tudo crer, que Cristo Jesus não está ausente de nossas vidas. * Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos.
segunda-feira, 1 de maio de 2023
OUTRO DEFENSOR
ESTARÁ SEMPRE CONVOSCO
Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A
liturgia deste domingo já orienta nosso olhar para a festa de Pentecostes, dado
que acentua a obra do Espírito Santo
na
comunidade dos cristãos. Jesus promete claramente
a vinda do Espírito divino para estar conosco para sempre
(Jo
14, 5-21). Cristo com sua partida, ou pelo menos com sua ausência sensível,
poderia, de fato, nos fazer sentir
abandonados,
órfãos como que entregues a nós mesmo e
distantes ante palavras e gestos colocados no passado.
Jesus,
porém, nos convida a acolher o dom do Pai, isto é, o Espírito Santo derramado
em nossos corações como o
grande
defensor, o protetor de nossa fé e o pedagogo para nossa vida espiritual. Deste
modo, de uma certa maneira, o
que
não nos deixa jamais sozinhos e de outra parte em nos guarda nele como nosso
defensor e enfim a nos ampara nele
como
nosso mestre espiritual. É desta maneira
de estar conosco que o Espírito Santo poderá derramar seus sete dons
para
acabar a obra do Pai realizada por Jesus: dom da sabedoria, do conselho e da
fortaleza, dom da inteligência e da
ciência,
dom da piedade e do temor do Senhor. Através dos tempos vivemos na Igreja toda
uma renovação espiritual
em
torno do Espírito Santo para lhe dar o
lugar na vida da Igreja e da vida espiritual dos cristãos. Note-se em 1938
a
obra do jesuíta Pe. Victor Billard, que escreveu sobre o Espírito Santo, obra intitulada “Ao Deus desconhecido”.
Depois
toda uma preparação da celebração do concílio Vaticano II e a renovação
carismática. Tudo isto nos levou
a
uma profunda relação com o Espírito divino como o autor central de nossa vida
espiritual, como hospede interior,
nosso
mestre espiritual, que incrementa nossa
fé, esperança e caridade. Em uma relação pessoal e íntima com Aquele
que
já quando na preces nós temos o tempo da escuta, nós criamos o espaço que O
permite agir em nós. Entramos assim
num
diálogo com aquele que faz de nosso corpo seu Templo, ou seja, o lugar do encontro
e da celebração, aquele que
habita
no mais íntimo de nós mesmos e deseja nos transformar inteiramente. O batismo e a
confirmação nos dispõem
de
maneira permanente a esta escuta e a um diálogo com o Espírito para nos deixar
agir por Ele. É assim por esta obra
do
Espírito em nós que a vida das palavras de Jesus se tornam atuais e sempre
novas para cada um de nós e para toda
sua
Igreja. Sem Ele nossa vida religiosa e espiritual não seria senão uma mera
comemoração de um passado que se foi,
mas
com Ele tudo se faz atual e novo e Ele nos orienta para a plena realização das promessas
das quais a ressurreição de
Jesus
constitui a garantia. Eis porque Jesus nos diz: “Dentro em breve o mundo não me
verá mais (porque não recebeu
o
Espírito Santo), mas vós (que O haveis
recebido) vós me vereis vivo e vivereis também”. Eis, portanto, bem o cerne
da
relação com Deus, da vida com Deus, vivendo sua palavra, portanto, não somente
O conhecendo mas nele vivendo.
Peçamos
então ao Espírito Santo que venha nos iluminar, nos ensinar a assim bem viver
no amor do Senhor.
Trata-se,
porttanto, da participação da plenitude divina.
Incorporados em Deus, sob o influxo do Espírito divino, nós
Estaremos
imersos na fonte da vida de Deus que habita em nos. Eis porque nós não obstantes
nossas misérias,
podemos
e devemos estar em tertúlia contínua com o Senhor. Eis a maravilha que opera em
nós o estado da graça
santificante.
Jesus foi claro: “Aquele que recebeu os
meus mandamentos e lhes resta fiel, é aquele que me ama; e
Aquele
que me ama meu Pai o amará, eu também o amarei e me manifestarei a ele (Jo
14,21). Deste modo o cristão
vive
na presença de Deus. Não há, deste modo, lugar para outros desejos ou
pensamentos que nos façam perder
tempo
e nos impeçam de fazer a vontade divina. A presença de Deus em nossa vida nos
ajudará a descobrir e a
realizar
neste mundo os planos que a Providência nos destinou. O Espiritado Senhor suscitará
em nossos corações
iniciativas
que colocaremos no princípio de todas as atividade humanas. Seremos assim verdadeiros
filhos de Deus
e
nos sentiremos seus amigos em todo o lugar e instante, em todas as circunstâncias
de nossa vida. Toda a luz e
todo
o fogo da vida divina se expandirá sobre o cristão que está assim disposto a
receber o dom da habitação divina.
Trata-se
de penetrar na frequentação contínua da Trindade Santa, pois o Divino Espírito
Santo está em nós. O cristão traz em em si mesmo esta grandeza infinita
conforme mostra a religião verdadeira. Uma vida cristã é estar conectada no
Espírito
divino. Vê-se bem então forças sobrenaturais entro de nós. Além disto, é este Espírito
que nos defende de
todas as formas de realidades terrestres. Eis ´porque se
vê na História da Igreja o número de perseguições que têm por fim fim impedir
a vida espiritual. A própria interdição dos cultos públicos é uma maneira de destruir a vida
espiritual. *Professor no Seminário
de Mariana durante 40 anos.