segunda-feira, 17 de agosto de 2020

PEDRO CONFESSSA A MESSIANIDADE E A DIVINDADE DE JESUS

 

PEDRO CONFESSA A MESSIANIDADE E A DIVINDADE DE JESUS

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Fato marcante na trajetória de Jesus neste mundo foi o ato de fé de Pedro (Mt, 13-20). O Mestre divino passa a instruir aqueles que Ele escolhera como apóstolos, preparando-os também para receber a sua paixão, morte e ressurreição. Sua indagação foi profundamente pedagógica: “Quem dizem os homens que é o Filho do homem?”. Pela primeira resposta ficou claro que havia várias opiniões. Muitos O comparando com personagens já conhecidos. Pedro, porém, ao afirmar categoricamente que Jesus era o Filho de Deus mereceu o elogio de Cristo, dado que isto lhe fora revelado pelo Pai que está no céu. Estava, portanto se abrindo à boa nova que Ele trouxera do seio da Trindade Santa. Diante da abertura de Pedro a esta verdade extraordinária Jesus afirma que ele Pedro era a pedra sobre a qual Ele edificaria sua Igreja. Grande honra para quem era pecador e pescador, mas que na escola de Cristo consolidaria sua crença na messianidade e divindade do Messias prometido. Pedro era a pedra angular, de fundação e sobre ela os cristãos seriam pedras vivas inseridas na construção divina, a Igreja de Jesus, e que estariam sempre fascinados pela sua grandeza. Eis aí o papel dos cristãos através dos tempos, ou seja, irradiar por toda parte a luminosidade de Cristo, o Salvador. Como São Pedro todos, porém, sempre atentos às mensagens traçadas por Aquele que é a Verdade e a Vida. Isto é compreender plenamente a própria missão de cada um dentro da Igreja, onde quer que se esteja. Deste modo, o batizado se torna uma bênção para toda a sociedade. È que assim os exemplos, as palavras, os gestos do cristão se tornam consistentes, farol a iluminar, caminho a trilhar. Deste modo se age contra a imprevisibilidade, o caos e a incerteza das horas, dos meses e dos anos. Aos apóstolos Jesus transmitiu diretamente sua maneira de ser, de viver, de se comportar para se estar ligado ao mistério de Deus. São Pedro foi aquele que ultrapassou “a carne e o sangue”, reconhecendo ser Jesus Filho de Deus, o prometido do Pai, recebendo-O integralmente com todos os seus dons. Então, sim, o batizado se torna capaz de difundir a Boa Nova por toda parte. De discípulo cumpre se tornar um apóstolo do Senhor Jesus. Deve-se sempre acentuar que a grandeza com a qual Cristo revestiu Pedro neste episódio não foi um posto de poder, mas de serviço. A missão de Pedro e dos doze Apóstolos seria a de abrir as portas do céu para todos. Entretanto, o papel de Pedro era bem o símbolo da unidade da Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra eu edificarei a minha igreja”. A ele todos os cristãos estariam unidos. A unidade é importante porque é comunitariamente que os cristãos participam da vida do Reino, sendo o “povo de Deus” como o Concilio Vaticano II definiu a Igreja. Fora desta unidade surgem a atrofia da fé e seu desaparecimento. Unidos a Pedro é que se pratica a justiça, a fraternidade, a hospitalidade, o respeito aos outros. Daí é que surgem os promotores da paz, da não violência, da tolerância mútua. Donde também a consistência da fidelidade às exigências e ensinamentos do Evangelho. O importante na vida do cristão é não apenas acreditar, mas também ser acreditável, ou seja, suas obras correspondendo sempre ao que ele acredita. É isto inclusive que será cobrado de cada um ao chegar ao julgamento divino após sua morte. O cristianismo oferece uma grande esperança, mas estaabelece normss evangélicas postas pelo seu Fundador e pregadas por Pedro e os demais apóstolos. A questão essencial levantada por Cristo, isto é, “quem dizem os homens que é o Filho do homem”, determinará o tipo de cristão que cada um de fato é, foi e será. O importante é o lugar que Jesus ocupa na existência de seu seguidor, marcando seu coração e sua inteligência. É Jesus quem deve ter prioridade dentro do espírito do fiel e não os agentes dos meios de comunicação social que erroneamente tantas vezes se tornam os mestres daquele que diz crer no Filho de Deus. Neste caso, portanto, “a carne e o sangue” tendo a primazia. Bem-aventurado, porém, somente aquele que com Pedro faz corretamente seu ato de fé, pois este é quem segue a revelação do Pai. Os homens não devem jamais dizer a última palavra sobre o que Jesus ensinou, pois os conceitos humanos não fazem outra coisa senão desfigurar a grandeza da doutrina do divino Salvador. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

 

A ASSUNÇÃO DE MARIA E A NOSSA RESSURREIÇÃO FUTURA

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

A Assunção de Maria ao céu prefigura a nossa ressurreição futura. Duas verdades de fé. Com efeito, o Papa Pio XII há 70 anos, no dia primeiro de novembro de 1950, declarou e definiu o dogma da Assunção em corpo e alma da Virgem Mãe de Deus à gloria celestial. Como se recita no Credo, nós cremos na ressurreição da carne e na vida eterna. Assim como a Mãe de Jesus, nós somos destinados ao mesmo itinerário de glória, não obstante as vississitudes da trajetória terrena. Isto do mesmo modo como ocorreu com a Virgem Maria. Valeu também para ela o célebre brocardo per crucem ad lucem, frase com a qual São Bruno resumiu a vida dos monges cartuchos, mas que vale para todo o cristão, pois é a partir dos sofrimentos aceitos por amor a Deus é que se chega à luz duradoura do céu. A felicidade perene passa sempre pela cruz dos aborrecimentos e Jesus deixou claro: “Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Bem sabemos quão terríveis foram os padecimentos de sua Mãe Santíssima. A mesma Virgem, Senhora das Dores, é aquela que hoje contemplamos “vestida de sol, tendo a lua debaixo dos seus pés e sobre a sua cabeça uma coroa de doze estrelas”, como lemos no Apocalipse (Ap 12,1). Não há limites nas obras de Deus. Assim sendo, esta solenidade da Assunção de Maria aos céus é um convite para que cada um se engaje resolutamente no caminho da transfiguração de seu ser, condição para a ressurreição gloriosa no último dia. Dar, a exemplo de Maria, um sim sem condições à vontade divina, uma livre resposta à fé que leva o cristão a acatar em tudo os desígnios de Deus. Hoje pedimos à Virgem Maria que interceda por nós para sermos constantes nesta terra e podermos um dia estar com ela lá no céu. Isto após vencermos as forças do mal sob a paz e a luz resplandecentes de Deus. São João Paulo II na encíclica Redemptoris Mater – Mãe do Redentor - assim se expressou: "Como é grande, como é heroica a obediência da fé da qual Maria deu prova face aos decretos insondáveis de Deus! Por uma tal fé, Maria se uniu perfeitamente a Cristo no seu despojamento”. É imitando esta fé extraordinária da Virgem, a qual foi elevada aos céus, que cada um de seus filhos deve comemorar esta solenidade de sua entrada na glória sem fim. Deste modo, ela estará sempre próxima das alegrias e das dores de seus filhos peregrinos rumo à felicidade sem fim. Foi a fidelidade radical de Maria que a levou a ser coroada na plenitude da gloria da Trindade Santa. Eis porque Ela é a honra da Igreja, a alegria da humanidade transformada pela graça. Sua Imaculada Conceição a preservou das sequelas do pecado original, assim como sua Assunção a resguardou da degradação do túmulo. Dois privilégios concedidos por Deus dado que ela, ao conceber do Espírito Santo, o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós. Por ocasião de sua visita a Santa Isabel, no seu hino o Magnificat, mostrou sua decisão de servir a Deus com um coração ajustado à vontade divina. Deixou assim uma maneira de proceder para estar para sempre gozando deste Ser infinitamente amável. Trata-se de servir a Deus humildemente nas tarefas cotidianas; de louvar a Deus por todos os seus benefícios, contemplando-O nas maravilhas de cada hora. O Concílio Vaticano II nos diz que na sua assunção e sua glorificação Maria é a imagem e o começo do que será a Igreja em sua forma acabada no retorno de Cristo. Agindo como Maria, o cristão terá um lugar lá no Céu na medida em que soube proclamar os louvores a Deus neste mundo, colocando em tudo em prática o Evangelho. A luta é de cada hora, pugna contra o diabo e seus sequazes, mas Maria, nos ensina ainda o Concílio Vaticano II, Ela, de fato, brilha diante do povo em marcha como um sinal de esperança certa e de consolação (LG 68). Alegremo-nos, portanto, porque a Mãe de Jesus e nossa mãe espiritual nos aguarda lá no céu. Matriculemo-nos, pois, na escola de Maria, atentos a suas inspirações e, assim, ela nos acolherá um dia, após o juízo universal, também de corpo e alma na casa preparada desde toda a eternidade para os que souberam amar e servir a Deus nesta terra. Trata-se então de viver na fé, na esperança e no amor a Deus e ao próximo, numa prece contínua e em ininterrupta ação de graças* Professor no Seminário de Mariana durante 40 nos.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

01 JESUS E PEDRO ANDANDO SOBRE AS ÁGUAS

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

A cena envolvendo Jesus e Pedro caminhando sobre as águas oferece lições preciosas (Mt 14,22-33). Na Bíblia o mar com suas ondas revoltas se apresenta como um domínio de imprevistos e de momentos de angústias. Torna-se assim um campo de instabilidade, de pavor e de morte. Sob este aspecto aí estava o símbolo das forças do mal. A imaginação humana criou então os monstros marinhos, forte representação do pânico e do terror que se apossava daqueles que se aventuravam longe da segurança do litoral. Compreende-se então a perturbação dos apóstolos ao verem o Mestre divino caminhando sobre o mar. Pensaram até que era um fantasmão e gritaram de pavor. Jesus, porém, daria uma demonstração de que era o senhor das forças da natureza. Ele convida Pedro a vir até Ele, participando deste seu sucesso. Impulsivo como era, Pedro também se pôs a andar sobre as ondas, mas faltou-lhe fé e se pôs a afundar. Apela a Jesus para salvá-lo e recebe depois a reprimenda “Homem de fé diminuta, porque duvidaste?”. Duplo ensinamento, ou seja, Jesus é continuamente vitorioso, mas para segui-lo é preciso confiança total nele que afiança a seus seguidores o triunfo por entre as dificuldades de cada hora. Ele garante a quem nele acredita salvação em todas as circunstâncias. Ele jamais falha em suas promessas de salvação do corpo e da alma. Por mais que a barca de sua Igreja seja agitada por ventos contrários ressoará de contínuo suas palavras dirigidas a seus discípulos: ”Coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,33), O cristão sabe que deverá um dia enfrentar a morte, mas que na outra margem da vida Ele o espera, pois, tendo morrido no Calvário, venceu a morte, ressuscitando imortal e impassível. Com Ele o cristão pode subjugar as águas turbulentas da vida, inclusive, na hora de deixar este mundo. É preciso, contudo, não duvidar como São Pedro, mas caminhar sobre as águas agitadas com a graça divina e a força do Espírito Santo. Quem tem  Deus na barca de sua existência não temerá mal algum e não se deixará dominar pelo medo. Reina no coração do verdadeiro discípulo de Cristo a tranquilidade, pois sabe que com Jesus a vitória é certa. Nunca se mentaliza demais as palavras de São Paulo: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Cor 4,8-9), Donde a conclusão do Apóstolo: “A vida de Jesus se manifesta em nosso corpo”. Esta verdade deve impregnar inteiramente a existência de seu seguidor que poderá então fazer com os apóstolos o ato de fé ante o divino Salvador “És verdadeiramente o Filho de Deus”. Eis porque em todas as dificuldades da vida é preciso implorar o socorro de Jesus a exemplo de São Pedro: “Senhor, salva-me”. Como ocorreu com este Apóstolo, Cristo virá amparar quem O invoca com confiança, pois sua misericórdia é sem limites. É preciso, contudo, fazer dele o centro da vida de cada um, descobrindo existencialmente o valor imenso de seu poder. É Ele que dá sentido à vida do cristão. Cumpre deixar que Ele seja o senhor da existência de seu seguidor. È deixar seu amor ultrapassar todas as angústias, todas as dificuldades. Dele provem a força que permite o cristão poder usufruir os dons com os quais Ele cumula aqueles que lhe são fieis. Ele deseja que cada um caminhe sem desfalecimentos. Aí está a garantia do sucesso na vida espiritual até a chegada à eternidade feliz junto dele. Aspirar a um mar da vida tranquilo sem as dificuldades próprias de um exílio será uma ingenuidade infantil. Jesus, contudo, asseverou: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Isto significa que com Ele tudo se pode realizar  como aconteceu com os apóstolos no mar agitado, mas que se acalmou tão logo Jesus entrou na barca. Bastou uma palavra dele e reinou o bom tempo. Este elã, esta dinâmica, esta certeza dotam o cristão de uma capacidade salutar para enfrentar qualquer tipo de calamidade. Esta fé é magnífica. Ela mostra que ninguém neste mundo tem a faculdade de livrar o ser humano de suas desgraças. Deus permite provas que comprovam o grau da confiança nele, Quando Pedro ia se afundando só lhe restou este apelo: “Senhor, salva-me”. Jesus estendendo a mão o segurou, o salvou. Crer é dirigir a Jesus a súplica confiante que resolve todos os problemas.  * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

 

 


segunda-feira, 27 de julho de 2020


O DOM DO DISCERNIMENTO

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A Bíblia mostra que o dom do discernimento é a capacidade de compreender ou saber qualquer coisa pela força do Espírito Santo, podendo detectar os erros e o males escondidos em nós e nos outros. Leva então a encontrar e a fazer   o bem em todas as circunstâncias e a entrar no mistério de Deus, a compreender do interior da fé as verdades reveladas, tornando o cristão um verdadeiro teólogo. Faz com que se possa acolher com disponibilidade absoluta as surpresas de Deus. Impede a resistência às inspirações divinas. Cumpre, porém, sempre pedir a graça do discernimento   para que não se endureça o coração do fiel. Resulta então uma total fidelidade que conduz a um progresso espiritual contínuo. Para que se possa, porém, saber se algo vem do Espírito Santo ou do espírito do mundo ou do diabo é preciso captar as luzes celestiais que indicam o   que fazer e como fazer de acordo com a vontade divina, tudo julgando com sabedoria. É preciso que o cristão peça ao Divino Espírito Santo a graça de distinguir entre o bem e o mal, entre as motivações pessoais e as inspiradas por Deus. É necessário que se afaste corajosamente tudo que impede a entrega ao amor das coisas espirituais, pois é difícil para o invejoso, o preguiçoso, o impudico, o larápio, o difamador aderir ao bem. Eis porque se deve desejar que o amor   a Deus e ao próximo cresça dia a dia em sabedora e plena inteligência. Daí a importância do hábito de rogar sempre ao Espírito Santo a ajuda para saber o que realmente se deve fazer. Assim se pode adquirir aos poucos uma real maturidade espiritual. * Diretor Espiritual do JSC









01 O JOIO NO MEIO DO TRIGO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Como o próprio Cristo explicou é Ele quem semeia a boa semente no mundo, mas o inimigo, o demônio, espalha o joio (Mt 13, 24-43).  Os obreiros da iniquidade, porém, serão punidos no juízo final com penas eternas. Até lá, no Reino de Deus nesta terra há o componente bom e o mau. Este último vem do uso errado da liberdade que leva a inúmeros males. Um dia, entretanto, haverá o triunfo definitivo do bem, quando os perversos receberão o castigo pelos desmandos cometidos, indo para o lugar onde por toda a eternidade pagarão pelos seus erros. Por isto, enquanto se tem tempo, é preciso cultivar as virtudes, vivendo de acordo com os valores sobrenaturais pregados pelo Mestre divino. Isto supõe vigilância continua e perseverança ininterrupta. Com efeito, a má erva com o passar do tempo se assemelha ao bom trigo e muitos se tornam incapazes de reconhecê-la com clarividência. O inimigo da salvação de cada um semeia os grãos do joio, como o desprezo dos dez mandamentos da sagrada lei divina, donde a falta de caridade mútua e a presença do egoísmo, das tristezas e de uma infinidade de desordens pessoais.  Se o cristão não para e se examina continuamente, seu coração fica dividido e pode gerar frutos bons, mas também os germes contrários à santificação. Disto resulta o desastre espiritual. Eis a razão pela qual não basta a vigilância, mas é preciso perseverança no combate imediato a tudo que se opõe à vontade divina e pode manchar a consciência. É necessária uma correspondência interrompida às inspirações celestes e não às insinuações demoníacas. Estas conduzem a muitas ilusões e levam ao caminho da perdição. A tentação deve imediatamente ser vencida quer no próprio coração, como ainda nas comunidades, nos grupos de reflexões, nos locais de trabalho. Em tudo, deve prevalecer unicamente o desejo do crescimento espiritual próprio e dos irmãos na fé sob as graças do Divino Espírito Santo. Deste modo, se dá a expansão missionária do campo apto ao bom trigo e a salvação se difunde para todos. Trata-se de uma jornada que exige muito tato, muita paciência e confiança na proteção de Deus nunca negada aos de boa vontade.  Estes não se deixam contaminar pelo joio que satanás espalha por toda parte, sobretudo em nossos dias através dos meios de comunicação social e das expressões desastrosas que vão corrompendo a mente dos discípulos de Jesus. No entanto, felizmente, grande é o número daqueles que querem possuir sempre um coração limpo das misérias espirituais, se refugiando na prece e na companhia daqueles que lutam por uma vida realmente cristã. Deus é paciente e aguarda o fim dos tempos para fazer o julgamento final. Assim também quem tem fé caminha nas estradas traçadas por Jesus, o divino semeador do trigo que será recolhido no celeiro do céu, vivendo cada batizado num processo de contínua conversão. É que perfeito e santo somente Deus que a todos, porém, dá a oportunidade de se corrigir logo que algum desvio é percebido, antes de se confundir o erro com a verdade. É preciso confiança porque Jesus disse claramente que Ele venceu o mundo Deixemos a Ele a última palavra em nossas vidas e o mal não ganhará espaço e cada um poderá ajudar os outros a cultivar a boa semente que possui dentro de si Isto com as armas do Evangelho oferecidas pelo divino Semeador as que         tornam, isto sim, possível progredir sempre rumo ao Reino Eterno. Jesus sempre estará ao lado dos que O temem e invocam. Estes se fazem sob sua proteção luz do mundo, sal da terra, uma plantação do Todo-Poderoso para servir à sua glória. Os filhos do maligno se empenham em obscurecer a luz e em anular a ação do sal salvífico. Jesus advertiu: “Guardai-vos dos falsos profetas que vem a vós em veste de cordeiro, mas por dentro são lobos rapaces” (Mt 7,15). Cumpre neutralizar suas ações perversas. Através da oração, por meio das boas ações do começo ao fim do dia, eis aí uma demonstração de que se é uma boa semente. Além disto, é preciso conhecer cada vez mais profundamente a palavra de Deus, abrindo o espírito a suas mensagens. Trata-se do progresso perseverante na santificação pessoal. Jamais fechar o coração à compreensão das realidades sobrenaturais. Eis como impedir que o inimigo lance joio na vida do cristão sempre atento às realidades sobrenaturais. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos



O MILAGRE DOS PÃES
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Ao multiplicar os pães num lugar deserto e afastado Jesus não apenas demonstrou seu extraordinário poder, como também ofereceu a seus seguidores um gesto que levava a reflexões atinentes a outras passagens bíblicas (Mt 14,13-21).  Com efeito, trazia, por exemplo, à tona as cenas do maná que alimentava o povo no deserto, mostrando que a providência divina nunca deixa à mingua os que lhe pertencem. Lembrava também o milagre do profeta Elizeu que multiplicou pães para cem pessoas (2 Reis 4,43-44). Jesus inclusive se mostrava superior a estes servos de Deus, pois Moisés foi apenas uma testemunha da cena do maná e bem limitado foi o número de pessoas assistidas por Eliseu. Naquele momento Jesus visava também suscitar a fé nos moradores da Galiléia.  Estes não captavam a mensagem de seus milagres. Viam nele um poderoso messias, líder político, mas não o Filho de Deus, o salvador de toda a humanidade, o enviado do Pai. Conforme registrou São João no seu Evangelho a reação diante do milagre dos pães foi querer fazê-lo Rei. Entretanto outra era a intenção de Jesus com este prodígio, ou seja, suscitar a fé dos doze Apóstolos, inspirando-lhes sentimentos de comiseração para com os famintos, por todos que passassem por qualquer necessidade. Eis por que Ele lhes disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Jesus desejava inclusive fazer ver ao povo a fome da palavra de Deus, palavra que sustenta para a vida eterna. Já era uma preparação para que estes Apóstolos depois viessem alimentar seus seguidores com o pão eucarístico, pão vivo de seu Corpo que ressuscitaria imortal e impassível, mas presente para todas as gerações cristãs no Sacramento da Eucaristia, no qual se daria uma multiplicação muito mais admirável. Na véspera de sua Paixão, reunido com os Apóstolos no Cenáculo,outra  Jesus tomaria o pão, o partiria, o abençoaria e o daria aos Apóstolos, que assim repartiriam o pão em sua memória. Ali no deserto os discípulos, do que sobrou, totalizaram doze cestos cheios. Bela imagem do que se daria pelos séculos afora, pois nos sacrários das Igrejas sempre haveria o pão eucarístico que jamais faltaria a quem tivesse fé. Tal a felicidade dos que acreditassem no Reino messiânico que Ele viera instaurar nesta terra. Então se compreende melhor como a Eucaristia, o pão multiplicado, condensa para os cristãos toda a     história da salvação. A Eucaristia iluminaria a existência do verdadeiro seguidor de Cristo. Ele que demonstrou seu poder imenso alimentando no deserto mais de cinco mil pessoas, poderia também, ao tomar o pão no Cenáculo, dizer “Isto é o meu Corpo: isto é o meu Sangue”, dando em seguida uma ordem aos Apóstolos: “Fazei isto em minha memória”. Tratava-se de um memorial, de uma presença e de uma promessa de vida eterna. Antes, naquele  lugar deserto, diante de uma multidão que poderia passar fome, a estratégia dos Apóstolos era despedir os que ali se achavam. Para Jesus havia, porém, uma outra  solução e Ele afirma: “Eles não têm necessidade de ir embora”. É que Ele com sua onipotência haveria de providenciar o alimento para todos. Isto impelido Ele por sua compaixão, agindo conforme ditava seu coração amabilíssimo. Para os Apóstolos o problema era sério, mas Jesus não via problemas, limites. Ele contemplava uma multidão que atentamente ouvira sua palavra repleta de consolação, de esperança, de verdade. Promoveu então Jesus o festim da compaixão e ninguém ali haveria de passar fome. Esta seria a destruição da vida, mas ali estava o Senhor da vida e se dá então aquele ato miraculoso que ficaria para sempre na memória de seus discípulos através dos tempos, como, aliás, se dá conosco no dia de hoje. Felizes os corações que desejam estar assim com Jesus, que O procuram, em que O vêem sob os acidentes do pão e do vinho e, depois, passa a a irradira esta felicidade por toda parte. É que no encontro com Cristo no Sacrifício Eucarístico da santa Missa não apenas Ele alimenta a todos com sua Palavra, mas a muitos, que para isto se prepararam, alimenta também com o seu Corpo, Sangue Alma e Divindade na hora da Comunhão. Num e noutro caso, revelando-se um Deus de ternura e de misericórdia, lento à impaciência, cheio de amor e de verdade. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

domingo, 28 de junho de 2020


                               NOTÁVEL APELO DE JESUS
                        Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Bela mensagem de esperança oferece Cristo no Evangelho de hoje: “Vinde a mim vós todos que estais afadigados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11,2-30). Notável apelo para todos os que suportam o peso da caminhada na pobreza, no desprezo e nas mais variadas doenças, nas angústias e sofrimentos de toda espécie. Ir até o Divino Salvador é crer nele e depositar dentro de seu coração todas as amarguras, aderindo à sua pessoa divina na mais cabal confiança. Ele tem solução para todas as necessidades. Ele é assaz rico e o amor transborda de sua amável pessoa. Ele é um caminho de libertação, pois tem palavras de vida eterna. Ele oferece então a solução: “Tomai sobre vós o meu jugo”. Quem assim procede se torna forte perante as intempéries da vida. É preciso, contudo, estar ligado a Ele pela prece, pelos sacramentos e no acolhimento de sua palavra e no exercício da caridade. Ele se dispõe a carregar conosco o fardo de nossos erros que nos oprime. Ele quer a todos libertar, livrando de todo e qualquer mal, como das falsidades, das calúnias, das crueldades, das omissões. Jesus deseja que todos vivam felizes na sua companhia, pois nos mostra sempre o caminho de seu amoroso coração. Por intermédio dos sacerdotes Ele oferece, através de uma sincera confissão, o perdão dos pecados. Ele é um Deus libertador. Seu Evangelho é exigente, mas este rigor é a chave de uma superação de si mesmo, de uma felicidade, vivendo uma existência repleta de sentido. Disto resulta, de fato, um florescimento de júbilo interior e a expansão de uma fraternidade beatificante. Ele faz seus seguidores membros de uma mesma família, um povo de irmãos. Todas as vezes que há uma divisão entre estes irmãos é Cristo que é rejeitado, mas, lá onde há união, resplandece a sua presença santificadora. “Vinde a mim”, nos diz Ele, propondo a todos entrarem nos seus sentimentos de paz e harmonia, lançando fora tudo que possa inquietar. Ele afirmou que todas as coisas Lhe foram entregues pelo Pai. Trata-se de um mundo novo, repleto de vida, um dom contínuo de sua munificência. Isto, porém, escapa aos sábios deste mundo, mas é abraçado pelos pequeninos, pelos simples de coração. Portanto, uma nova via, um novo caminho que leva à total liberdade. Maravilhosa a pedagogia do Filho de Deus, que não foi assimilada por escribas e fariseus de seu tempo e não é também aceita por todos os orgulhosos séculos afora. Apenas os pobres de espírito, que aceitam de bom coração a expectativa do Reino estabelecido por Ele, são capazes de usufruir de todas as vantagens que Ele oferece. Estes benefícios espirituais brilham para os que se deixam possuir por Deus e se envolvem nos desígnios de seu amor. Isto captado não por uma cultura materialistas, mas pela ciência do verdadeiro amor, que leva à fidelidade para com Deus e engrandece a alma, conduzindo cada um à superação de si mesmo. Salvação apenas através do Evangelho, inscrita no livro da vida que apenas Deus pode abrir e fechar. Seja então qual for a cultura de cada um ou sua atividade nas mais diversas profissões, a vida do cristão é feita de pequenas coisas, mas todas influenciadas pelo amor a Deus e ao próximo. Quem acata Jesus não despreza o desenvolvimento em geral, nem se entrega à preguiça intelectual. Aos olhos de Cristo, porém, a técnica e qualquer progresso indutor do incremento cultural, social e econômico devem estar ao serviço da fé. Eis porque a Igreja incentiva as pesquisas científicas, pois sabe que elas nunca obscurecerão a obra de Deus. Aos humildes e aos estudiosos de boa vontade, portanto, resplandecerá sempre as luzes divinas, pois a eles o Pai se revela. Estes encontram o repouso, pois o jugo de Jesus é leve e suave.  * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.