quarta-feira, 17 de maio de 2017

A IGREJA E O EXORCISMO

A IGREJA E O EXORCISMO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Na Instrução sobre o exorcismo, datada de 24 de setembro de 1985, assinada pelo Cardeal Joseph  Ratzinger, o qual seria sucessor do Papa São João Paulo II, está clara a posição da Igreja. Esta Instrução lembra o cânon 1172 do Código de Direito Canônico  que declara que a ninguém é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas, a não ser que o Ordinário do lugar tenha concedido peculiar e explícita licença para tanto. Determina também que esta licença só pode ser concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, sabedoria, prudência e integridade de vida.  Conclui então a Instrução que “destas prescrições, segue-se que não é lícito aos fiéis cristãos utilizar a fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, contida no Rito que foi publicado por ordem do Sumo Pontífice Leão XIII; muito menos lhes é lícito aplicar o texto inteiro deste exorcismo” Pede então que. “os  Bispos tratem de admoestar os fiéis a propósito, desde que haja necessidade”. Acrescenta a referida Instrução  que “pelas mesmas razões, os srs. Bispos são solicitados a que vigiem para que - mesmo nos casos que pareçam revelar algum influxo do diabo, com exclusão da autêntica possessão diabólica - pessoas não devidamente autorizadas não orientem reuniões nas quais se façam orações para obter a expulsão do demônio, orações que diretamente interpelem os demônios ou manifestem o anseio de conhecer a identidade dos mesmos” Entretanto conclui a Instrução que a.” formulação destas normas de modo nenhum deve dissuadir os fiéis de rezar para que, como Jesus nos ensinou, sejam livres do mal (cf. Mt 6,13)” . Na verdade  o  cristão deve sempre se lembrar de que para trunfar do demônio nada melhor do que a frequência aos Sacramentos da Confissão e da Eucaristia e a invocação de Nossa Senhora, dos Anjos e dos Santos, Estas são as armas da luz no combate ao espírito das trevas. Nuca se medita demais sobre as palavras de São Pedro> “Sede sóbrios e vigiai! O vosso adversário o diabo, rodeia-vos como leão que ruge à procura de que devorar. Resisti-lhe firmes na fé” (! Pd 5,8-10). Trata-se de uma fera açulada que é vencida pela mortificação e pelas preces confiantes. Nos momentos de tentação é dizer a Cristo: “Senhor, eu confio em vós”. * Professor no Seminário de Mariana durame 40 anos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O PARÁCLITO E OS DISCÍPULOS DE JESUS

O PARÁCLITO E OS DISCÍPULOS DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Para aqueles que verdadeiramente O amam, guardando os seus mandamentos, Jesus fala da vinda do Paráclito, o Confortador, que vem para assisti-los, explicando-lhes, como Espírito da verdade, tudo que Ele ensinou (Jo 14,15-21). É necessário então acolher este Paráclito como hóspede interior, como defensor, reconhecendo nele um Mestre interior. Cabe ao cristão contemplar nele o ator central de sua vida espiritual, protetor de uma fé sólida e esclarecida. Disto resulta a necessidade de escutá-lo, criando espaço que O permita agir em todas as ações cotidianas. Por esta obra do Espírito Santo a vida e a doutrina de Jesus se tornam atuais na existência de cada um. Sem o Paráclito a vida religiosa e espiritual do batizado seria uma mera comemoração de um passado longínquo. Com Ele, porém, tudo se torna atual e novo, realizando-se as promessas das quais é garantia a ressurreição de Cristo. Deste modo, fulge para o seguidor de Jesus a realidade da vida divina. O cristão se torna vitorioso, enraizado no amor de Deus. O fiel percorre então os caminhos traçados por Cristo neles encontrando a paz do coração, apesar das lutas incessantes para a prática das virtudes. O cristão conhece em plenitude a verdadeira liberdade, vivendo com responsabilidade as obrigações resultantes do Batismo e todos os compromissos inerentes à consagração ao Deus Uno e Trino. O fiel sente-se então vivamente aberto para o Infinito e vê crescer dia a dia o desejo de estar sempre mais unido a seu Criador, apesar de seus limites e de suas fraquezas inerentes à contingência humana. Nunca se deixa prender pela desesperança e se firma em Deus no qual encontra força e iluminação. Tudo isto resultado da ação contínua do Espírito da Verdade que, segundo Jesus, o mundo não pode receber porque O desconhece. O verdadeiro cristão O conhece por conviver interiormente com Ele, sobretudo através da prece confiante a qual não o deixa iludir com as falsas promessas dos profetas do erro e dos degradantes vícios e paixões. São Paulo, explica que o cristão vive “não em termos que a sabedoria humana ensina, mas com os conceitos que o Espírito nos ensina [...] O homem carnal não está em condição de perceber o que vem do Espírito de Deus. Isto é loucura para ele. Disto ele não é capaz de compreender nada [...] O homem espiritual, ao contrário, julga tudo, embora ninguém o possa julgar” (1 Cor 2,13-15). É que o fiel dilata sempre o seu coração na dimensão do amor infinito de Deus e usufrui das consolações do Espírito Santo e de todas as dádivas divinas. Trata-se de viver não diante de Deus, mas de viver em Deus e por Deus. São Paulo lembra, porém, que o Espírito Santo vem aos fiéis “com gemidos inexprimíveis” (Rom 8,26), conclamando o seguidor de Jesus a viver em função desta realidade sublime que é o amor de Deus. Aí está o fundamento da esperança cristã na vida eterna. A alma do justo, no momento da morte, ingressa no céu, mas aquele que foi, no tempo, o templo de Deus há de ressuscitar, conforme lembra o mesmo Apóstolo: “Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou dos mortos Cristo Jesus vivificará vossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em vós” (Rom 8,11). É o que se dará na Parusia, ou seja, na volta gloriosa de Jesus, no final dos tempos. A habitação do Espírito Santo na alma resume, deste modo, todos os frutos da Redenção. Trata-se do dom real do Senhor Jesus, o cúmulo de sua bondade, a marca suprema de seu amor.  O divino Espírito Santo opera nos corações uma obra semelhante àquela que Ele realiza no conjunto da Igreja da qual é o sopro vivificador. Ele é a luz venturosa que penetra até o mais íntimo da alma, o Espírito da verdade que forma aí Cristo e revela todas as coisas, porque Ele penetra tudo, até às profundezas mesmas de Deus (1Cor 2,10). Ele faz um transplante admirável, pois troca o coração do cristão pelo coração mesmo de Jesus. Realiza-se a palavra da Escritura na qual Deus assim se expressa: “Colocarei dentro de vós o meu Espírito” (Ex 31,116). Por tudo isto, cumpre então permitir que o Espírito Santo faça esta obra prima de transformação espiritual!  *Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

terça-feira, 9 de maio de 2017

MELODIA E DOUTRINA

UM GLORIOSO CENTENÁRIO

UM GLORIOSO CENTENÁRIO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

A cidade de Viçosa (MG) está em festas comemorando o Centenário do Colégio do Carmo, uma Escola modelar. Através destes cem anos fulgem o talento de seus professores, a santidade de renomadas religiosas carmelitas, o zelo de seus funcionários, a grandeza de milhares de jovens formados dentro da mais atualizada pedagogia de cada contexto histórico deste já longo período repleto de benemerências. Tudo isto patrimônio grandioso de um dos mais notáveis educandários católicos de todos os tempos. Nele avultam e pompeiam os merecimentos e as glórias fúlgidas de uma inigualável formação que sempre ultrapassou as profundas informações humanísticas e científicas transmitidas nas suas salas de aula. Tudo isto marcando profundamente a história da universitária cidade de Viçosa que se ufana de ter no Colégio do Carmo um dos pilares de seu pioneirismo na Educação.  A presença benemérita deste Colégio vive e sobrevive em fastos indestrutíveis, em tradições imortais. Isto porque tem formado pessoas bem orientadas para enfrentar os embates da existência e faz isto com sabedoria. Tais pessoas multiplicam o bem no meio em que atuam. De fato, quem recebe uma orientação que leva ao desenvolvimento cultural e espiritual se torna um farol para seus semelhantes e esta é a auréola deste Colégio numa projeção indelével de sua eficiência. Nos lares, em outras escolas, nas mais diversas profissões, na vida pública e particular um sem número de crianças e jovens idealistas que, tendo haurido a sapiência, a ciência e o espírito carmelitano, tornam-se luzes a iluminar os que se acham em sua órbita. Transmitem então a plenitude da verdade em seu meio ambiente, dinamizando as estruturas nas quais estão inseridas e nelas militam. Não se pode minimizar este fato e muito menos esquecê-lo nesta efeméride, por todos os títulos, luzidia. Trata-se de uma premissa que precisa realmente ser valorizada sob pena de tornar vazia esta comemoração. O que o Colégio do Carmo tem oferecido no engrandecimento da inteligência e no enobrecimento do coração, emoldurando a personalidade de cada um que o tem frequentado, é uma obra digna de todos os encômios. No sorver cotidiano dos ensinamentos, das atitudes, das reações psicológicas e dos comportamentos através das diversas etapas do aprendizado, surgem sempre patriotas, cristãos e cristãs convictos de seu papel na sociedade. Consciências plenificadas no paulatino e constante enriquecimento das qualidades individuais de acordo com o perfil caracterológico próprio. É o que tem sido cultivado por pedagogos competentes e eficientes ao longo destes abençoados decênios. Valores humanos desabrochados em testemunhos pessoais, dignos, serenos, iluminadores. As inteligências sempre receberam nesta Escola centenária um norte que as estimulou na busca da realidade objetiva, numa fuga das ilusões criadas pelos falsos arquitetos de ideias. É deste modo que o Colégio do Carmo tem imunizado a quantos nele têm se matriculado contra a confusão mental e moral, educando pessoas aptas a abraçar os caminhos da autêntica felicidade, corações libertos de perplexidades ocasionadas pelas  aliciações do mal. Oferece critérios seguros  para que cada um  bem se situe no tumulto específico de cada época através do reto uso da liberdade, libertando-se dos prazeres hedonísticos e das concepções materialistas de vida. Mesmo antes do Vaticano II neste Colégio todos os diretores e mestres tiveram consciência de que “a natureza intelectual da pessoa humana se aperfeiçoa e deve ser aperfeiçoada pela sabedoria. Esta atrai de maneira suave a mente do ser humano à procura e ao amor da verdade e do bem. de sabedoria, o ser humano passa das coisas visíveis às invisíveis” (Gaudium et Spes 15). Adite-se que, realmente, a metade deste centenário foi impulsionada sob as diretrizes do Concílio Vaticano II que abriu novas perspectivas que foram aqui aplicadas com raro descortino. Por tudo isto este centenário faz fulgir esperanças para Viçosa e para a Pátria. Mais do que nunca precisamos de anjos tutelares para que a sociedade humana seja cada vez imune à desagregação disseminada pelos arautos de perniciosos erros. Do Colégio do Carmo sempre saíram e sairão profetas de um mundo mais humano e fraterno. Por tudo isto este Centenário está repleto de significado e nele e por causa dele todos se rejubilem, dando graças a Deus porque em Viçosa há este Colégio do Carmo que há cem anos vem irradiando saber e paz para milhares de corações. *Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos, 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

UM GUIA SEGURO

UM GUIA SEGURO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Jesus deveria retornar ao Pai após cumprir sua missão salvadora e Ele prepara os apóstolos para este acontecimento com palavras consoladoras (Jo 14, 1-12). Num verdadeiro discurso de despedida ministra preciosos ensinamentos a seus seguidores em torno do tema de sua volta, enquanto homem, para junto do Pai. Ele iria inclusive preparar para seus seguidores um lugar, mas retornaria solenemente um dia para levá-los consigo. Daí seu autorretrato meditado profundamente através do tempo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ele é o Mediador, o Mestre, a fonte da Vida Eterna. Ele é o GPS espiritual de uma multidão que O seguiria através da História, instruídos com uma doutrina jamais superada e infundindo a todos os seus discípulos a plenitude do vigor e da mais profunda alegria. Eis porque ao anunciar sua ida para junto do Pai Ele pôde dizer aos Apóstolos: “Não se perturbe o vosso coração; crede em Deus e crede também em mim”. Crer na linguagem semítica significa ter confiança absoluta em alguém, se engajar na sua palavra. Ora, Jesus é a Palavra de Deus, o Verbo Eterno que se encarnou para vir exatamente ensinar e oferecer uma existência perene no Reino do Pai. Por tudo isto Ele liberta das trevas e se tornou o único guia seguro para levar lá onde todas as aspirações humanas serão totalmente satisfeitas. É preciso então acolhê-lo sem reserva, pois Ele oferece uma estrada luminosa até os páramos perenes na imortalidade venturosa do paraíso.  É que Ele liberta da morte e do pecado. Portanto, os Apóstolos deveriam já conhecer o caminho. Daí ser estranha a alegação de Tomé dizendo que não conheciam este caminho. Esta assertiva ofereceu oportunidade a Jesus para firmar numa sentença fulgurante que ser fiel a Ele é ter a certeza de ir para junto do Pai, porque, sendo Ele Filho de Deus,  Ele é a totalidade da Revelação que faz participar da existência filial que O une ao Pai, na vida de comunhão  da Trindade Santa. Tudo isto é a garantia daquilo que Ele pregou por onde passou, penhor da salvação perene. A seus seguidores Jesus está, portanto, cobrando um ato de fé profunda que os leve a superar os períodos de dúvidas e de incertezas neste caminhar terreno. A seu exemplo, porém, será sempre preciso passar pela Cruz para se obter um dia a ressurreição gloriosa do corpo e da alma. Nossa confiança nele, contudo, não pode se cifrar em palavras, mas deve resplandecer em todas as ações, Trata-se de uma transformação cotidiana, confirmando por toda parte que longe do divino Redentor não há salvação possível. Nada, assim, de perturbação do coração, da inteligência e da afetividade, dado que na Jerusalém celeste Jesus já reservou um lugar para cada um de nós. É certo que há um mundo hostil a ser enfrentado até lá, mas com Cristo seu discípulo será sempre um vencedor de todos os obstáculos. Na Casa do Pai há, pois, uma habitação perpétua, sendo o cristão, neste mundo, a casa de Deus, segundo as palavras de Cristo: “Se alguém me ama, meu Pai o amará, viremos a Ele e faremos nele nossa morada”. O batizado já tem em si o céu, pois, incorporado a Jesus, anda por um caminho seguro, à luz fulgente do Evangelho, já gozando no tempo a vida inefável de Deus.  Deste modo, contemplará um dia na luz divina o abismo das grandezas deste Deus, três vezes santo. Uma união profunda com Jesus é a vereda segura para usufruir a ventura de tudo isto. A verdade que Ele oferece é sólida como uma rocha e nada a pode abalar.    Com a verdade de Jesus se tem a resposta a todas as questões, longe de qualquer relativismo. Nela se pode apoiar em todas as circunstâncias. Deste modo o segredo da vida  do cristão é estar inteiramente imerso no Filho de Deus, que é pão eucarístico, fonte da água viva, guia seguro, modelo e conforto. Ele é a explicação misteriosa e última da história humana e do destino de cada um de nós. Eis porque Ele quer que seus discípulos tenham um coração isento das misérias das paixões insufladas pelos meios de comunicação social. Desta maneira, o mundo compreenderá melhor que para o verdadeiro seguidor de Jesus Ele é o centro de sua alma, sua verdade, sua única alegria, sua vontade, sua felicidade. O amor de Cristo é o inspirador, o grande motor, a forma que leva à virtude e ao bem. Ele é, realmente, o Caminho, a Verdade e a Vida! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A PORTA DAS OVELHAS

A PORTA DAS OVELHAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Jesus manifesta-se como o Bom Pastor e, na verdade, sendo ele mesmo a Porta das ovelhas (Jo 10,1-10). Nos campos da Palestina os pastores faziam parte da paisagem cotidiana. À tarde eles reuniam seus rebanhos para colocá-los salvos dos vários perigos noturnos. Pela manhã, eles os conduziam para a pastagem. No salmo 22 já apareciam estas imagens: “O Senhor é meu pastor sobre prados de erva fresca ele me faz repousar, ele me conduz para as águas tranquilas e me faz reviver”. É que Deus conduz o seu povo e dele cuida. Jesus, autêntico Bom Pastor, acrescentou que Ele era a porta do redil, ou seja, Ele é o único medianeiro entre Deus e os homens. Apenas por meio dele se pode entrar no verdadeiro aprisco e ir até o Pai. Tão somente por Ele chega toda a proteção.   Podia, portanto, atestar qual era sua missão neste mundo: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância”. Note-se, contudo, que a expressão bíblica “rebanho” não significa um coletivo anônimo. Isto porque para Deus as ovelhas representam um povo e Ele conhece a todos pelo seu nome. .Cada uma de suas ovelhas tem um lugar dentro de seu coração de Pai. Ela ama individualmente, porque cada ser humano é seu filho dileto.  Quando Jesus diz que Ele é a porta, combatia deste modo a maneira de pensar dos fariseus para quem Deus era um Ser longínquo, inacessível. Jesus, entretanto, era a porta que permitia ir até o Ser Supremo e quem entrasse por esta porta estaria salvo. Eis suas palavras: “entrará e sairá e encontrará pastagem”. É que não se trata de uma porta que se fecha brutalmente e aprisiona. Trata-se de uma porta aberta a toda a humanidade, inclusive para as ovelhas desgarradas que desejassem a plenitude da salvação, podendo então encontrar um sentido para sua vida. Era a porta da misericórdia divina. Para Deus cada criatura é um bem precioso. A realidade da imagem da porta usada por Jesus encontra sua realização através dos sacramentos pelos quais o cristão se incorpora nele e por Ele tem acesso ao Pai. Para isto é preciso entrar no dinamismo profundo da vida cristã que é o amor ao Pastor e aos irmãos, que são ovelhas e filhos seus queridos. Aí está a razão pela qual seu autêntico discípulo, tem uma grande missão que é conduzir os que estão fora do redil deste Pastor para que entrem por esta porta salvífica, Muitos infelizmente trilhando os caminhos da perdição vão para longe deste Pastor divino e não encontram a entrada do único redil que oferece a salvação. Diante disto aparece clara a vocação do seguidor de Cristo, isto é, lá onde a Providência o colocou trabalhar por um mundo melhor. Todos dentro do projeto de amor que o Bom Pastor veio anunciar. Jesus quer ser a porta pela qual se passe da tristeza para a alegria, da dúvida para a confiança, do pecado para a virtude. É preciso que o cristão seja, de fato, a voz do Bom Pastor pela palavra e através da vivência plena do Evangelho. Então muitos compreenderão que Jesus é porta para um porvir fulgente almejado por Deus. Um mundo de felicidade e de amor do qual Cristo é já a realidade visível. Ninguém deve se acomodar no seu conforto espiritual, mas cumpre partilhá-lo e proclamá-lo por toda parte. Este é o desafio dos cristãos que devem ser os arautos da esperança, oferendo às gerações futuras a possibilidade de entrar no redil de Deus pela porta que é Cristo. A missão essencial da Igreja é estender o reino de Cristo. A vocação do batizado é ser um apóstolo esclarecido e atuante no mundo nos mais diversos afazeres cotidianos, cooperando com o Bom Pastor. A fecundidade deste apostolado depende da união vital com Cristo, o enviado do Pai.  Esta união com Jesus se dá na Igreja e é alimentada pelos nutrimentos espirituais, sobretudo pela Eucaristia. No atual contexto histórico no qual campeiam os mais graves erros que tendem a arruinar radicalmente a religião e toda a ordem ética, é preciso mais do nunca aprofundar e defender os princípios cristãos e sua aplicação aos problemas atuais. Cabe às ovelhas que do Bom Pastor fazer com que outras ovelhas se tornem capazes de construir a ordem temporal e espiritual. Nada mais eficiente do que participar das obras de caridade, pois deste modo se manifesta a prática da Lei do Amor que deve unir todo o rebanho de Jesus. A misericórdia para com os pobres, os fracos, o socorro mútuo são, de fato, a marca das ovelhas do Bom Pastor. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.




quinta-feira, 27 de abril de 2017

A CULTURA PRODUZIDA PELAS MÍDIAS

A CULTURA PRODUZIDA PELAS MÍDIAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

No mundo globalizado de hoje merece especial atenção a indústria da comunicação. Esta procura controlar o que cada um vê, ouve ou lê Nas mãos de grupos poderosos está, política e economicamente, o domínio da informação, da diversão e da propaganda. Há uma influência profunda no modo de ser das pessoas que passam a agir segundo os ditames da mídia que se torna dominante. A grande cultura midiática é uma realidade que marca os que vivem neste século 21. A internet ao lado dos benefícios oferecidos leva, muitas vezes, a uma dispersão que afeta a conduta das pessoas. O que se ganha hoje pela extensão de conhecimentos, se perde em profundidade de análise objetiva. Imerso no mundo virtual muitos perdem o contato com a realidade. É de se notar que as mídias ou todos os meios de comunicação de massa estão presentes por toda parte e ocupam um enorme tempo das pessoas. São geradoras de cultura por passarem continuamente mensagens que ficam incorporadas ao modo pensar e sentir daqueles aos quais falta o senso crítico. Os donos do poder com rara habilidade sabem explorar as condições sociais e econômicas, manipulando fatos e as mais diversas ocorrências visando seus interesses. Os incautos não discernem então entre o certo e o errado, a verdade e a falsidade. Uma das táticas dos controladores das mídias, por exemplo, se pode perceber nas manchetes dos jornais e nas chamadas das notícias na televisão. Um bom número de pessoas apenas as lê ou ouvem e recebem um impacto muitas vezes deletério. Cumpre, portanto, verificar o conteúdo do que está escrito ou é falado para detectar as distorções que visam iludir. Além disto, é preciso não ser escravo da internet malbaratando o tempo. Além disto, é preciso não ser escravo da internet malbaratando o tempo. Todo cuidado é pouco com relação às redes sociais. Há muitos imprudentes que entram em contato com desconhecidos que podem ser pessoas perigosas, mal intencionadas. Isto sem falar nos contatos envolvendo conversas amorosas, namoros virtuais, colocando até em risco o próprio matrimônio. É preciso ainda denunciar todos os pactos satânicos, sobretudo entre os jovens, Lamentáveis os casos recentes de suicídios programados através do facebook, a já  tristemente famosa baleia azul.  Anos atrás, outras mortes funestas ocorreram como a que aconteceu  no cemitério de Ouro Preto fruto do RPG, ou role-playing game,  inventado em 1974, nos Estados Unidos. Consequências nefastas fluem também dos sites pornográficos que alimentam uma cultura do sexo desregrado. Quem tem bom senso os evita sem tergiversações. Por outro lado, porém, se há uma cultura do mal, do domínio econômico e político, é necessário que as forças do bem se mobilizem e contraponham com mensagens construtivas para a difusão do bem, da justiça, da virtude e da verdade. Deste modo a mídia se torna um poderoso veículo de evangelização numa proclamação vigorosa da Palavra de Deus. Trata-se de um apostolado esclarecido já exercido por muitos cristãos cujas paginas, por exemplo, no facebook se acham repletas de uma doutrinação eivada dos princípios da doutrina de Cristo. É o que aconselhava São Paulo aos Romanos: “E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. (Rom 13,11-14). Bem imenso tem feito, a Catolicanet, a Milícia da Imaculada. entre tantas outras entidades a serviço do Evangelho, bem como as redes de televisão, jornais, revistas, boletins católicos a merecerem todo apoio dos que amam a Deus e O querem conhecido e amado. Oferecem impactos positivos, servindo como aporte aos catequistas. Deste modo, afastados os danos, se difundem benefícios culturais. Trata-se de cristianizar a tecnologia numa comunicação proveitosa e construtiva, sem se deixar escravizar pela mesma.* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.