terça-feira, 16 de abril de 2013

VIVER NA LÓGICA DE JESUS

VIVER NA LÓGICA DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Através dos tempos a rota dos seguidores de Cristo deve ser traçada sempre por esta mensagem: “Dou-vos um mandamento novo [...] que assim como eu vos amei, vós também vos ameis uns aos outros” (Jo 13,34). Entre os antigos já se ouvira falar do amor ao próximo. Com Jesus, porém, esta dileção sofre uma metamorfose completa. Ganha, em primeiro lugar, uma dimensão universal, porque o “amai-vos uns aos outros” passou a se estender a toda e qualquer pessoa. Amor que não se achava mais circunscrito a uma comunidade, nem mesmo se enclausurava dentro de um clã. Não se configurava como uma mera filantropia, uma vez que Jesus o fundamenta numa afeição inteiramente desinteressada e que devia levar às raias do sacrifício pelo outro: “Como eu vos amei”. Aí o baricentro do magno preceito. Ele, com efeito, amou a ponto de se sacrificar inteiramente pelos homens nada tendo a receber em troca. Tratou-se de um preceito que não tem conexões com as situações conjunturais, nem foi dado para modificar apenas determinadas condições sociais, mas um mandamento que envolve todas as dimensões da atuação humana, pois Ele pregou a vivência numa comunidade que ultrapassa todas as fronteiras que é o Reino de Deus. Entretanto, na prática cotidiana nem sempre se atina com a extensão da determinação do Mestre divino e por pensamentos, palavras e obras ela é atropelada por muitos a cada instante. Por vezes, não se levam em conta os juízos temerários que interiormente ofendem a honra do próximo. Além disto, exteriormente, não se presta atenção à gravidade da contumélia, da invectiva, da injúria, do insulto que se fazem presentes em tantas circunstâncias. Adite-se a inveja, fonte de vários deslizes. Pior ainda o ódio, ou de abominação ou de inimizade, que segundo São João é um homicídio (Jo 3,15). O desdobramento desta última atitude gera a ira e a vingança. Acrescentem-se a calúnia e a detração.   "A calúnia destrói a obra de Deus nas pessoas." afirmou o Papa Francisco na homilia da Missa presidida na manhã do dia 15 de abril na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, da qual participaram, entre outros, os funcionários do Serviço telefônico vaticano e do Setor internet vaticano. Além do mais, o que muitos se esquecem é que também o escândalo afronta terrivelmente o mandamento novo, ou seja, o mau exemplo. Por tudo isto, se deve então indagar: qual a causa de todos estes desvios? É que há cristãos que se esquecem de se ligar inteiramente com a novidade de Jesus e não procuram uma crescente imersão nele. Falta tantas vezes a interioridade nova que se contempla em todos os atos do Filho de Deus nesta terra. Apenas quando o agir de Jesus se torna o modo de ser de quem foi batizado é que Ele mesmo passa a atuar no seu epígono. No fundo, porém, o que falta nestes casos é uma fé profunda, dado que somente ela purifica o coração contra todas as mazelas que ferem o grande preceito do sábio Rabi da Galiléia. A fé faz evitar tudo que contamina o relacionamento com o próximo porque quem a vive intensamente se volta constantemente para o Redentor o qual não podia ser mais claro: “O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40). Daí a importância e a urgência em se aprofundar o significado abrangente do “amai-vos uns aos outros”. É que não se cuida muito do que se passa lá no interior do coração, pois dele depende o cumprimento cabal da ordem de Cristo. Cumpre se tenha um coração que leve a pensamentos caridosos, a palavras repletas de afeição e a ações pautadas por uma dileção que não visa o próprio interesse nem prejudique, em hipótese alguma, o semelhante. Tudo isto representa se colocar em estado de se mostrar capaz de ser um autêntico discípulo de Jesus. Urge, realmente, que cada um se eleve a um nível condizente com o nome que traz, pois ser cristão não é estar batizado, mas ser outro Cristo em tudo e para todos. É a busca da capacidade de imitar o Mestre divino e lhe dedicar a totalidade de tudo que se faz numa comunhão convival com Ele. A falta de caridade não deve infectar a alma, envenenando-a com ações que não condizem com o mandamento novo. Cumpre, de fato, a irrupção na esfera divina do Salvador, numa doação sem limites ao próximo. Então, sim, o amor que Jesus pregou faz de cada um “luz do mundo e sal da terra”. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

JESUS AMA SUAS OVELHAS

                        JESUS AMA SUAS OVELHAS
                                   Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Quando Jesus diz que ele conhece suas ovelhas, segundo o Papa São Gregório Magno, isto quer dizer: “Eu as amo” (Jo 10, 27-30).  De fato, no Evangelho de São João conhecer e amar são a mesma coisa. Maravilhosas e ternas as palavras deste Bom Pastor: “Eu dou-lhes a vida eterna e jamais perecerão e ninguém as arrancará de minhas mãos”. Cada ovelha lhe é  preciosa, pois lhe é um presente do Pai. Cristo então dá a cada uma segurança e total confiança. O Pai e eu somos um, afirmou Jesus. Eles são um no Espírito de Amor.  Em outra oportunidade Cristo afirma: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). Disto deve resultar uma certeza inabalável em seu amor, em sua ternura e em sua misericórdia. Entretanto, nunca se deve esquecer que o caminho do Bom Pastor  se encontra na sua Igreja na qual no dia do Batismo cada um foi acolhido. É nela que as ovelhas se reúnem para escutar Sua Palavra  para depois sair e atrair as que se acham longe do divino Redentor. O carisma das ovelhas deve se difundir por toda parte. É por meio de seus seguidores que o Bom Pastor se faz presente no mundo. Quando Ele disse que ninguém arranca Sua ovelha de suas mãos é porque há os que  tentam arrebatá-la dele. Jesus com isto deixa a todos de prontidão, ou seja, cumpre estar atento para não O abandonar, mesmo porque Ele respeita sempre a liberdade de cada um. Ele luta sempre a favor das ovelhas que lhe são fiéis, mas não força nenhuma a estar no seu redil. Quem lhe é fiel tem a garantia absoluta de que Jesus está vivo e não se aparta dos que ouvem a sua voz. Deve, em consequência,  existir uma espécie de convivência entre a ovelha e o Pastor. A voz deste Pastor é um clamor que se impõe. Quem, porém, é capaz de captar sua presença percebe sua mensagem contínua: “Eu estou contigo, te conheço, te darei a vida eterna e jamais perecerás”. Ele quer conduzir a todos para a vida, enquanto o mundo quer atrair suas ovelhas  para as levar à morte e isto com todas as seduções que a tantos enganam. Eis porque Ele conta com as ovelhas fiéis para irradiar seu amor e a dileção do Pai. O que foi dito ao Apóstolo Paulo vale para todos que lhe pertencem: “Eu fiz de ti a luz das nações, para que, graças a ti, a salvação chegue às extremidades da terra” (At 13,47). Isto porque o cristão verdadeiro é portador da mensagem deste Bom Pastor por toda parte. Não há então limites no horizonte de quem foi batizado, pois no lar, no trabalho, nos ambientes de diversão, onde quer que esteja, deve  ser o testemunho da felicidade de pertencer ao Bom Pastor. Não basta estar cristão, mas ser cristão em plenitude. Jesus conduz para as fontes das águas vivas, mas é preciso a cooperação generosa com Ele nesta tarefa sublime. Ele mesmo afirmara: “Eu tenho  ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. A elas também tenho eu de reunir e elas ouvirão a minha voz e então haverá um só rebanho e um só Pastor” (Jo 10,16). Para que isto ocorra é necessário que existam  ovelhas, autênticos epígonos de Jesus, homens e mulheres, jovens, crianças atraídos pelo verdadeiro Pastor. A ele aderidos livremente por terem percebido nele a fonte da verdadeira felicidade. Esta, porém, deve ser levada àqueles que a desconhecem. Para tanto é preciso uma fé profunda, não meramente decorativa conformista, mas viva, vibrante. É a fé  daqueles que sabem sempre escutar a voz de Jesus, não obstante o bulício do mundo. Vivência na comunhão total com Ele numa existência integralmente pautada por seu Evangelho. Com efeito, se os cristãos não têm um liame vital com Ele, mas uma mera profissão de fé conformista sem engajamento concreto, o anúncio da Boa Nova não se concretiza. As palavras do Bom Pastor podem até se tornar idéias interessantes, utópicas. Quem está convicto da veracidade da assertiva de Jesus: “Eu e o Pai somos um” tem certeza de que possui a vida eterna e esta vida eterna consiste em conhecer a Deus e aquele que enviou. Tal realidade, contudo, não depois da morte, mas agora por entre as vicissitudes da passagem por este exílio terreno até que se possa estar para sempre com Ele na Casa do Pai, tendo arrastado a muitos para junto deste Deus que quer que todos tenham a vida e a tenham em abundância. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

JESUS MESTRE ADMIRÁVEL

                                               JESUS O MESTRE POR EXCELÊNCIA
                                               Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Como bem se expressou Karl Adam, o homem e Jesus são como a pergunta e a resposta, o problema e a solução. Quem encontra a resposta  de suas indagações em Cristo e nele a solução de seus problemas estará salvo. Isto supõe um aprofundamento da cristologia através do estudo acurado do Evangelho, pois quanto mais se conhece alguém digno de ser seguido, mais se deixa guiar por ele. Conhecer Jesus transforma vida a partir de dentro. É fruto de um silêncio e de uma escuta que precisam ser perseverantemente cultivados.
 Quanto mais se percorre o Evangelho mais se percebe que Cristo: foi um mestre extraordinário, um comunicador deslumbrante. Ele falou sem ambigüidades, de um modo persuasivo, convincente. Isto através de  uma comunicação pessoal,  fundada sobre a alteridade sempre respeitada o que tocava profundamente todos os  que se encontravam com Ele.
Não se apresentou jamais como um vidente que profere profecias infundadas, nem um filósofo a ostentar uma vã sabedoria, nem um pedagogo vulgar.
Além disso, Jesus apreciou tudo o que é concreto e essencial, chamando a atenção para as maravilhas que o poder divino espalhou pelo mundo, como, por exemplo, a beleza dos lírios do campo. Falou veementemente aos escribas e fariseus e proferiu contra eles sete “ais” fulminantes, mas não se perdeu jamais  em banalidades.
Apontou para horizontes repletos de esperanças, deu instruções objetivas para as mais inquietantes situações existenciais, mostrando-se  sempre atencioso  para com os interlocutores que se dirigiam a Ele.Ofereceu diretrizes preciosas para sanar todas as inquietações humanas, para responder as interrogações últimas atinentes ao presente, ao passado e ao futuro.  Suas parábolas sempre lidas nunca esgotam a admiração de seus seguidores, sendo que a do Filho Pródigo é uma página literária insuperável. Cristo foi, além disso, um verdadeiro profeta, não um mestre arrogante  que confia apenas na capacidade intelectual. Não se apresentou jamais como um demagogo, um político inescrupuloso e hábil que explora as paixões populares para fins condenáveis.  O homem, este admirável microcosmos, precisava, realmente, de tal preceptor cujas mensagens atingem ontologicamente o ser racional em todas suas dimensões.  Não se vislumbra em suas palavras nada que seja engodo para seus epígonos, mas traçou perfeitamente o caminho rumo à felicidade perene. A verdade foi o referencial de sua doutrina e sua palavra luminosa se tornou semente de vida serena nesta terra e existência venturosa por toda a eternidade. Aprofundar seus ensinamentos é se tornar luz do mundo e fazer este Mestre inigualável sempre mais conhecido e amado por palavras e testemunho de vida. O Papa Francisco na sua homilia no domingo dia 14 de abril na Basílica de São Paulo Fora de Muros, em Roma, explicou a importância deste testemunho: “Não se pode anunciar o Evangelho sem o testemunho coerente da própria vida. O testemunho de fé acontece de maneiras muito diversas; assim como num grande fresco, há variedade de cores e tons, mas todos eles são importantes, mesmo aqueles que não se destacam. No grande plano de Deus cada detalhe é importante, até mesmo o vosso, até mesmo o meu humilde e pequeno testemunho, até mesmo o testemunho oculto daqueles que vivem a sua fé com simplicidade nas relações familiares quotidianas, relações de trabalho, amizades. São os santos de cada dia, os santos “escondidos”, uma espécie de “classe média de santidade” à qual todos nós podemos pertencer.» Não basta. De fato,  saber que Jesus é um Mestre admirável, mas cumpre anunciá-lo por comportamentos coerentes com esta sublime convicção.* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

MISSÃO DO CRISTÃO

MISSÃO DO CRISTÃO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cabe ao autêntico cristão procurar compreender sempre a figura de Jesus, Sua palavra e suas ações.  Então entenderá que o Mestre divino agiu e viveu de acordo com os planos eternos da Trindade e não de acordo com programa e desejos próprios. Tal deve ser a conduta de seu discípulo que adere inteiramente à vontade divina e não se deixa levar pelos seus caprichos. Apenas assim poderá cada um anunciar o verdadeiro conteúdo do Evangelho.
Trata-se de manifestar uma existência atrelada aos desígnios do Ser Supremo. Jesus tudo realizou a partir do Pai e para o Pai. Eis por que urge a disponibilidade de se empenhar na escuta das inspirações do Alto para a elas se conformar e, deste modo, poder modificar o mundo. É necessário crer que Jesus é a presença do Deus vivo entre os homens. Nele Deus e o ser racional, o Criador e o cosmo, o Eterno e o tempo entram em contato vivificador, colocando-se em estado de redenção. Cristo depôs todo pecado do mundo no amor infinito de Deus e nele dissolveu a maldade humana.
Aceitar Cristo e O levar por toda parte é entrar no espaço de transformação e expiação universal. É por isto que se diz: “Se és cristão, tens o mundo nas mãos” Cristo crucificado e ressuscitado se tornou a Arca da viva da Nova Aliança.
 A tarefa do cristão é fazê-lo conhecido e amado e nisto consiste a essência da evangelização. Segundo a ordem expressa do Redentor o Evangelho deveria ser levado a todos os recantos da terra. Tarefa missionária imprescindível, mas que enfrentaria sempre os falsos pregadores e os devaneios dos deturpadores da mensagem do Filho de Deus, bem como o falso testemunho de tantos cristãos dentro da Igreja verdadeira. Nem todos saberiam agir continuamente sob o olhar de Deus e proceder como deveriam fazer sob a sua vista.
Além disto, muitos não compreenderiam que o anúncio do Evangelho permaneceria sempre sob o signo da cruz, ou seja, exigiria em todos os tempos muito sacrifício, disponibilidade total, despojamento pessoal.
A cruz seria o sinal do Salvador, dado que na pugna contra a falsidade e a violência das forças do mal não haveria outra arma senão o testemunho do sacrifício a favor de difusão do Reino de Deus.
O que falta, porém, tantas vezes é a fé viva na força da palavra de Deus que deve ser anunciada como merecedora de absoluta confiança. Então será possível compreender que Jesus é o verdadeiro profeta junto do qual o homem depara à paz, a tranquilidade, a imperturbabilidade por se sentir verdadeiramente salvo.
Deste modo, muitos poderão reconhecer que Ele á, de fato, a “Luz verdadeira que ilumina todo aquele que vem a este mundo” (Jo 1,9), pois o que Ele ensinou leva ao essencial, ou seja, a uma vida totalmente alicerçada em Deus que é a fonte da verdadeira felicidade.
* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Considerações sobe a ressurreição de Jesus

CONSIDERAÇÕES SOBRE A RESSURREIÇÃO DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Nas narrativas dos Evangelistas as aparições do Ressuscitado, provas, aliás, de que Jesus havia vencido a morte, Ele se apresenta com seu corpo glorioso. É plenamente corpóreo como explicou o Papa emérito Bento XVI no seu livro “Jesus de Nazaré”, mas não estava mais ligado às leis do espaço e do tempo. Ele saiu do túmulo “para a vastidão de Deus e é a partir dela que Ele se manifesta aos seus”.
É lógico que, embora o fato do sepulcro vazio ter sido um indicativo claro de que Ele estava vivo, num primeiro instante era preciso ressaltar a corporeidade do Redentor glorioso e suas aparições não foram alucinações por parte das pessoas às quais Ele se manifestou.
São Lucas inclusive narrou que Ele à frente dos discípulos comeu uma porção de peixe asado (Lc 24,43). Para uma melhor compreensão deste fato, já que Jesus não estava mais numa corporeidade empírica, vale, analogicamente, considerar o que se dá na hora da Comunhão. A Hóstia consagrada é o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo sob as espécies eucarísticas. Aquele que comungou não percebe isto sensivelmente, mas apenas espiritualmente. Na verdade uma presença reduplicada: Ele no fiel e o fiel nele: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Os efeitos desta união não são físicos, mas ultrapassam o que é material, sem se ligar às leis cósmicas. Trata-se da união mística com Jesus. Recebe o comungante a linfa vital da graça. Assim deve ter acontecido com Cristo resultado ao tomar o alimento o qual em nada agiria como tal em seu ser que já havia conhecido um “salto ontológico”.
Deste modo, as aparições de Jesus após sua ressurreição não significam que os evangelistas o tenham reposto numa situação inteiramente idêntica ao estado em que se achava o Verbo Encarnado antes de sua morte.
Estas considerações visam responder àqueles que levantam questões exatamente atinentes ao Ressuscitado e suas aparições aos apóstolos antes de Sua admirável Ascensão aos céus.
Entretanto, o importante em tudo isto é a fixação da realidade da presença do Salvador vitorioso junto dos que nele crêem. Ele esta a dizer a cada um de nós:”Eu ressuscitei e estou contigo” Jesus não está longe, mas perto dos que têm fé.
 Com seu poder onipotente Ele supera o espaço e o tempo. Entrou onde estavam os discípulos e as portas estavam fechadas.
Eis por que São Paulo que viveu intensamente a presença de Jesus glorioso afirmou: “Já não sou eu quem vive é Cristo quem vive em mim” (Gl 1,20).
Lembra o Papa emérito Bento XVI que “o cristianismo é presença: dom e dever; sentir-se compensado pela prox9imidade interna de Deus e, com base nisto, dar ativamente testemunho em favor de Jesus Cristo”.
Jesus está vivo e junto de cada um que O ama e nele confia.
* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.




                               

terça-feira, 9 de abril de 2013

ORDENAÇÃO DAS MULHERES

ORDENAÇÃO DAS MULHERES
Côn.José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Ao se deparar, em certas revistas, declarações de pessoas que se dizem teólogos, vem à baila o dito francês “ passer du coq à l'âne", ou seja, passar, saltitar de um assunto a outro.  Isto com uma variedade na qual se misturam agressões a princípios morais cujo desprezo inclui a afronta a mandamentos sagrados do Decálogo, menoscabo à doutrina professada pela Igreja, fatos históricos mal interpretados. Infligindo as normas da lógica filosófica tal miscelânea só serve para confundir as mentes incautas. Um dos pontos que tem sido alvo daqueles que vivem do sensacionalismo teológico é a ordenação sacerdotal das mulheres.  O Papa João Paulo II nunca deixou de mostrar que a Igreja não recebeu de Jesus a faculdade de ordenar mulheres. Cristo não ordenou mulher alguma. No Cenáculo ele deu aos Apóstolos e a seus sucessores o mandato de consagrar o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19; 1 Cor 11,24 s). Ali na última Ceia ele conferiu o sacerdócio àqueles seus discípulos por Ele especialmente reunidos No Oriente e no Ocidente esta norma foi, através dos séculos, sempre observada. João Paulo II publicou a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, dia 22 de maio de 1994 na qual deixa claríssimo este ensinamento que promana do próprio Fundador da Igreja.  Eis suas palavras textuais: “Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. A atitude de Jesus não implica depreciação da mulher, pois, na verdade o sacerdócio é uma função de serviço muito mais do que uma honra ou promoção.  João Paulo II escreveu uma Carta Apostólica sobre a Dignidade da Mulher na qual ele mostra as tarefas que sobretudo as mulheres sabem e podem exercer, mormente formando os grandes santos e os mais importantes beneméritos da sociedade. Diz o papa que nunca se poderá retribuir à mulher o serviço que ela presta à sociedade civil e religiosa. Logo depois de Jesus é uma mulher a mais bendita das criaturas: Maria Santíssima. É de se notar a sábia observaão do citado Papa João Paulo II: “O modo de agir de Cristo não fora ditado por motivos sociológicos ou culturais próprios do seu tempo. Como sucessivamente precisou o Papa Paulo VI, «a verdadeira razão é que Cristo, ao dar à Igreja a Sua fundamental constituição, a sua antropologia teológica, depois sempre seguida pela Tradição da mesma Igreja, assim o estabeleceu». O Papa fala em antropologia teológica e não zoologia, como afirmam ironicamente certos escritores que contestam a tradição eclesiástica. Em suma, todo cuidado é pouco e há necessidade de muito senso crítico para não se assimilar os erros grosseiros que se difundem por toda parte, até, por vezes, infelizmente, na imprensa católica* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

 



quinta-feira, 4 de abril de 2013

A PESCA MILAGROSA

                              A PESCA MILAGROSA
                              Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dentre as lições que a pesca milagrosa que se deu no lago de Tiberíades apresenta, cumpre, em primeiro lugar, salientar que Simão Pedro e seus companheiros simbolizam bem o apostolado no grêmio da Igreja (Jo 21, 1-19). Os pescadores, homens experientes naquela tarefa nada tinham conseguido. Jesus ressuscitado lhes aparece,  orienta-os e uma prodigiosa pesca se deu então. As redes  já não podiam ser tiradas devido à grande quantidade de peixes. Aquelas redes representavam bem  a pregação do Evangelho e os peixes a universalidade dos fiéis. Entretanto, sem a graça de Cristo nada, de fato, se consegue. Houve uma obediência à ordem recebida, pois lançaram a rede para o lado direito do barco e o sucesso foi absoluto. Por vezes, não se compreende bem o plano divino da salvação e as tarefas podem parecer impossíveis. Entretanto, todas as vezes que a voz de Cristo  é escutada e seguida, sua graça age maravilhosamente na vida do cristão e na trajetória da Igreja neste mundo. Isto significa que na obra da evangelização não se deve contar nunca com a capacidade pessoal, mas é preciso sempre a ajuda divina. Os limites da inteligência humana são inegáveis e muitos desanimam, pois não confiam inteiramente na proteção do Mestre poderoso. A colaboração de Jesus é, aliás,  indispensável quer na vida espiritual, quer na vida profissional. O ideal de todo batizado é que a vida material seja sempre uma expressão de sua vida espiritual, porque em qualquer circunstância se está sempre a serviço dos outros e quem vê no próximo a figura de Cristo cresce sempre em todo sentido.  O essencial neste episódio da pesca milagrosa  não é que os apóstolos estavam a pescar para vender peixe e se alimentar. O fundamental neste caso foi que o Senhor os reencontra no cerne mesmo de sua ação, de seu trabalho. É de se notar que Jesus quer que cada um se lance à sua tarefa cotidiana, mas Ele deseja vir igualmente se associar ao trabalho de cada um. Foi quando Ele se faz reconhecer pelos apóstolos. Felizes aqueles que captam as sugestões do sábio Rabi, se deixam guiar por elas e são capazes de reconhecer o influxo da graça nas suas ações. Esta atitude de perceber o Senhor no trabalho cotidiano faz subitamente alargar a atividade de cada um a dimensões quase infinitas. Tudo porque Jesus sempre se faz reconhecer como o servidor. Com efeito, foi Ele quem ascendeu o fogo e havia tudo preparado para aquela refeição. Que belo convite fez Jesus àqueles pescadores: “Vinde almoçar”! Uma vez que há o esforço humano, a ação da graça vai sempre operar maravilhas. Quando oferecemos qualquer coisa ao Senhor, na medida em que nós o agradamos, é Ele quem se torna o doador que retribui cem por um.Toda a vida do cristão pode ser concebida como a repetição e uma extrapolação da cena da pesca milagrosa. Participando pelo batismo do múnus sacerdotal, profético e régio do Redentor, quem é batizado vai à pesca. Trabalha com a certeza de agir por Deus e para pescar almas para o céu. Os planos humanos se tornam então realizações maravilhosas das graças de Deus que operam prodígios, afervorando os bons, iluminando os tíbios, convertendo os pecadores.  È Jesus agindo sempre através de seu epígono, multiplicando os seus carismas. A  vida do cristão se torna deste modo um dom contínuo para glória de Deus e bem das almas. Tudo isto fruto da experiência da fidelidade de Jesus que nunca abandona os que nele confiam. Felizes os que apreendem Sua influência ainda que escondida aos olhos humanos atrás das situações dolorosas e incompreensíveis. São os que podem repetir com o apóstolo João: “É o Senhor”, Ele presente em todos os momentos da existência do cristão. Então, quando as redes da palavra, dos exemplos, até mesmo das preces, parecem vazias, quando as iniciativas evangélicas enfrentam dificuldades e suscitam decepções, Jesus surge, desde que não se desanime e se continue a lançar as redes. Os aparentes fracassos humanos fazem compreender melhor que é o Mestre, o Salvador, aquele que realmente pode fazer frutificar qualquer tipo de apostolado. É ele quem transforma os corações. O que Ele deseja é que jamais não se desanime. A pesca milagrosa, o resultado de todos os esforços dependem somente dele. Por tudo isto, a cena da pesca milagrosa traz mensagem fulgurante de esperança. Cumpre perseverar, ser humildes no trabalho da evangelização e não duvidar nunca da ajuda divina. Cristo ajuda, mas nunca como se quer e quando se quer, mas no instante oportuno que Ele melhor conhece e o resultado será grandioso como aconteceu no lago de Tiberíades. Jesus transformou pescadores que pescavam peixes em pescadores de homens. Colocou mesmo Pedro à frente do barco da Igreja e esta Igreja é o espaço no qual a terra encontra o céu, para que o Redentor possa conduzir multidões à Casa do Pai. Multiplica Ele sua ação redentora através de outros Apóstolos, ministros ordenados ou leigos,  engajados num apostolado contínuo, perseverante, que se torna imensamente frutuoso. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.